Guia da Semana

Rock baiano

Novo projeto de Pitty traz uma mistura de ritmos, como tango, soul e bolero, mas não fugindo da raiz: o rock




Poucas bandas brasileiras possuem a raiz no verdadeiro rock, dando destaque para solos de guitarras e bateria. Entre elas, a baiana Pitty mantém as origens. Depois de um jejum de quatro anos, acaba de lançar o terceiro disco da carreira. Intitulado Chiaroscuro (claro e escuro em italiano), é uma das técnicas de pintura que Leonardo da Vinci utilizava em seus trabalhos e remete aos contrastes apresentados nas 11 faixas do novo trabalho.

Em outubro, Pitty completa 32 anos e, com o novo disco, mostra o quanto amadureceu como cantora e também como compositora, já que assina a maioria das canções. Enquanto ensaia sua próxima turnê, a vocalista mostra toda sua personalidade e bate um papo com o Guia da Semana sobre as expectativas com o novo disco, projetos futuros, influências musicais e revela de onde tira inspirações para compor.

Por que o nome "Chiaroscuro"?
Pitty:
Porque sintetiza toda a ideia da sonoridade do disco e das letras, todos os contrastes, os questionamentos, os extremos opostos e complementares. Além disso, é um nome que me deu margem para uma estética visual calcada em preto, branco e tons de cinza.

O que há de diferente nesse disco, dos dois anteriores? (Anacrônico e Admirável Chip Novo)

Pitty: Todos os discos são diferentes entre si, embora conservem a mesma essência. Nesse eu brinquei mais com coros, efeitos de voz através de pedais, instrumentos que nunca havia usado antes como violino, castanholas, sinos. As letras são mais poéticas e subjetivas, metafóricas. Trouxe à tona a mistura com outros estilos como tango, farostes, cabaré. É um disco bem livre.

A capa do disco, como todo o interior do encarte, está em preto e branco. Há algum motivo em especial para isso?

Pitty: Sim, é a ideia de chiaroscuro se estendendo também para a parte visual e endossando o título do disco. Todas as partes do todo se juntam para contar a mesma história.



Montar um estúdio na casa de Duda e gravar lá deu algum diferencial para esse novo trabalho?

Pitty: Acredito que trouxe conforto e comodidade necessários para se gravar despretensiosamente e com tempo para experimentações mais profundas. Podíamos tentar de um tudo, mesmo que depois isso não entrasse no resultado final. Era um clima incrivelmente bom nas gravações; a coisa de cozinhar juntos, sentar na mesa para comer e depois entrar no estúdio e criar.

Você disponibilizou duas canções em seu site antes do lançamento do disco. Você acha que isso pode ajudar ainda mais na divulgação desse trabalho?

Pitty: Acredito que sim, e é bacana poder dividir as coisas com as pessoas à medida em que elas vão ficando prontas. A internet está aí para isso e não há que se ter medo dela e esconder o jogo o tempo todo. Penso que isso serve para deixar os fãs mais próximos do processo criativo e com mais respaldo para entender o que está sendo feito em estúdio.

Em todas as canções do disco há batidas mais pesadas e algumas mais leves, até meio românticas. Vocês optaram por fazer esse contraste de estilos?

Pitty: Não optei, aconteceu. Música não se racionaliza, se sente e se faz. Quando observamos todos esses contrastes,  já naturalmente existentes, é que o nome Chiaroscuro fez mais sentido ainda pra mim.


Quais são as maiores influências musicais da banda?
Pitty:
Inúmeras e diversas, difícil até de listar. As de ontem e sempre, como Black Sabbath, Muse, Queens of The Stone Age, Mars Volta, The Ronettes, Etta James, Radiohead, e as mais recentes, que se juntam àquelas, como Scarlett Johansson, Last Shadow Puppets, Be Your Own Pet, Gossip, MGMT, trilhas sonoras diversas, para formar uma nova coisa.



A maioria das canções desse novo trabalho é de sua autoria. Onde você busca inspiração para compor?

Pitty: Nos lugares mais profundos e escondidos aqui dentro. Lugares esses que são acordados muitas vezes por fatores externos; o mundo ao redor, as conversas de mesa de bar, pequenos fatos cotidianos, livros, filmes, discos.

O que há de diferente na banda, desde o lançamento do primeiro disco para o último trabalho?

Pitty: Muita coisa. Aprendemos tecnicamente cada vez mais como chegar mais perto dos sons que sonhamos, descubro cada vez mais que compositora sou eu, nos entrosamos ao longo do tempo a ponto de tocarmos juntos instintivamente, sem precisar de palavras.

Quando a banda começa a turnê? E o que estão preparando de novidades nos shows?

Pitty: A tour oficial é em outubro, mas em setembro já rolam alguns shows por aí. Tudo vai ser novidade: o cenário, as músicas, o jeito de tocar. Tudo calcado no novo disco, com a coisa do preto e branco. O meu novo desafio é estar tocando sintetizador e sino em algumas músicas, além do pedal de efeito na voz que será usado ao vivo também.


Além da turnê, há planos para outros projetos com o novo disco?

Pitty: Sempre! O mais imediato é o projeto de ver esse disco saindo em vinil, coisa que deve acontecer em breve. Vai ser o primeiro lançamento da Polysom, única fábrica da América Latina, agora revitalizada. E mais pro fim do ano vai rolar um DVD que foi filmado durante as gravações do disco.

Atualizado em 6 Set 2011.

Compartilhe

Comentários

Outras notícias recomendadas

5 hotéis ao redor do mundo que são verdadeiras obras de arte

Confira locais com acomodações incríveis, mas que têm obras como protagonistas

Evolução dos emojis ganha instalação no Museu de Arte Moderna de NY

Os primeiros emoctions, criados em 1999, também entram para a coleção MoMA

6 motivos para visitar a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano em SP (e nem perceber que está na capital)

Local une arte, cultura, lazer, arquitetura e natureza, fazendo com que o visitante esqueça que está em SP

13 grafites em SP que todo mundo que ama arte deveria ver pessoalmente

Confira obras espalhadas pela cidade que merecem sua atenção

Na Semana da Criança, uma selfie vale um passaporte nos museus de SP; entenda

Para participar, é só postar foto com uma criança no Facebook com a hashtag #MuseusSP e apresentar na bilheteria da Pinacoteca, Casa das Rosas ou do Museu da Imigração

Unibes Cultural oferece programação especial e gratuita para o mês das crianças

Evento acontece até dia 31 de outubro e comemora o Mês das Crianças