Guia da Semana

RPM

Saiba mais sobre o quarteto que revolucionou o pop rock e enlouqueceu fãs de todo o Brasil nos anos 80



São Paulo, 1983. O carioca Paulo Ricardo Oliveira Nery de Medeiros (Paulo Ricardo) retornou à cidade da garoa após uma temporada na Europa como correspondente da revista musical brasileira Somtrês. Logo reencontrou o pianista e amigo Luiz Schiavon, com quem debatia bastante sobre rock progressivo no final dos anos 70. Mais amadurecidos, depois de passarem por outros grupos, resolveram compor algumas canções. Eram elas: Olhar 43, A Cruz e A Espada e Revoluções por Minuto - música que batizaria o nome do novo projeto. Nascia assim um dos conjuntos mais importantes da história do rock brasileiro, em termos de sonoridade e público, o RPM.

 

A dupla enviou a fita demo à gravadora CBS, que considerou as canções como difíceis de serem tocadas nas rádios, em função das bases eletrônicas - novidade ainda no Brasil. Para solucionar o problema, Paulo e Schiavon convidaram, para completar o time, o guitarrista Fernando Deluqui (ex-membro da Gang 90 e as Absurdettes) e o baterista Charles Gavin (ex-Ira! e atual Titãs). Após receber mais alguns nãos, o grupo assinou um contrato com a Sony Music. Em 1984, eles lançaram o compacto autointitulado, que trouxe as faixas Louras Geladas (que virou febre na noite paulistana e nas emissoras de rádio) e Revoluções por Minuto - canção que foi censurada pela ditadura militar. No mesmo ano, Gavin deixou o RPM para integrar os Titãs, e Paulo P.A. Pagni (ex-Patife Band) assumiu as baquetas.

 

Em maio de 1985, chegou ao mercado fonográfico o primeiro LP, Revoluções Por Minuto. O disco trouxe os antigos sucessos, somados às inéditas Rádio Pirata, Estação no Inferno, Juvenília, A Cruz e a Espada e A Fúria do Sexo Frágil Contra o Dragão da Maldade. O trabalho foi um sucesso de vendas, ultrapassando as 100 mil cópias e conquistou o disco de ouro. No ano seguinte, o quarteto fechou contrato com o experiente empresário Manoel Poladian, que procurava uma banda de rock para integrar seu time de artistas compostos pela nata da MPB. A partir daí, pararam de se apresentar no circuito underground da capital paulista, em casas como Madame Satã e Rose Bombom, para subirem aos palcos de grandes estádios.

 

De uma hora para outra, a banda conquistou milhares de fãs histéricas espalhadas por todo o Brasil, e o vocalista e baixista Paulo Ricardo foi promovido a sex symbol, estampando capas de revistas. Em julho de 1986, Poladian aproveitou toda essa euforia e produziu um megashow, com direito a iluminação assinada por ninguém menos que Ney Matogrosso. Em julho de 1986, foi gravado no Centro de Convenções, o show Rádio Pirata ao Vivo. Resultado: 2,2 milhão de discos vendidos. No final do mesmo ano, o conjunto foi pauta do Globo Repórter, que abordou o estouro da banda em todo o país, até mesmo na França e Portugal.

 


O grupo nos anos 80

No ano seguinte, enlouquecidos pelo sucesso e abuso de álcool e drogas, surgiram os primeiros desentendimentos entre os integrantes, especialmente porque Paulo Ricardo era bastante procurado como "modelo" em vez de músico. Ainda em 1987, eles gravaram um LP com Milton Nascimento, RPM & Milton, que foi um fracasso de vendas. Nessa época, tinham seu próprio selo, RPM Discos - que também não vingou. Com isso, as brigas tornaram-se constantes e, no final daquele ano, eles anunciaram a primeira separação do RPM. Porém, no segundo semestre de 1988, retornaram aos estúdios para a gravação do álbum Quatro Coiotes, com bases mais percussivas. Desse trabalho, os destaques foram A Dália Negra e O Teu Futuro Espelha Essa Grandeza. Apesar das 250 mil cópias vendidas, era um índice baixo para o conjunto, que mais uma vez decidiu romper.

 

Após um hiato de cinco anos, Paulo Ricardo e Fernando Deluqui se juntaram novamente, dessa vez sem Schiavon e P.A., e lançaram o CD Paulo Ricardo & RPM, com a participação dos músicos Marquinho Costa (bateria) e Franco Júnior (teclados). Mais um fiasco comercial, e a dupla original seguiu caminhos distintos. Oito anos se passaram e, em 2001, o quarteto começou a ensaiar novas músicas e percebeu que ainda havia química entre eles. Novamente, sob o comando empresarial de Manoel Poladian, o grupo compôs um cover da música Leef (do holandês Han van Eijk), que passou a se chamar Vida Real - e tornou-se canção-tema da abertura da versão brasileira do reality show Big Brother. Em julho do ano seguinte, em parceria com a MTV, o conjunto lançou o CD/DVD MTV RPM 2002, com novas roupagens para os antigos hits, além das inéditas Carbono 14, Rainha, Vem Pra Mim e Onde Está o meu Amor. O disco trouxe as participações especiais dos cantores Otto (em Naja), Roberto Frejat (na releitura de Exagerado) e da presença virtual de Renato Russo, no clássico A Cruz e a Espada.

 

Em 2003, mais divergências internas, que culminaram em mais uma parada. A mídia chegou a noticiar que o motivo era o fato de Paulo Ricardo ter registrado os direitos da marca RPM, sem crédito para os demais membros. Quatro anos depois, foi anunciada nova reunião do grupo, que resultou no lançamento de uma caixa com os três primeiros álbuns da banda, e mais um CD com remixes e faixas não lançadas, além do DVD Rádio Pirata - O Show - que registrou uma apresentação de dezembro de 1986, filmada pela Rede Globo. A partir daí, fizeram shows esporádicos pelo país. Em abril de 2011, a banda se apresentou no evento Virada Cultural, para uma multidão de fãs, na estação Júlio Prestes, em São Paulo. No mês seguinte, fizeram um show de lançamento do novo disco, Elektra, no Credicard Hall, também na capital paulista. Mesmo com as idas e vindas, o RPM permanecerá no imiginário de quem viveu intensamente os anos 80, que ficou marcado como um grupo inovador para sua época.

  

Foto abertura: Divulgação / Christian Gaul

Foto do meio: Divulgação / Flickr Oficial
Site oficial: http://www.rpm.art.br/

Atualizado em 1 Dez 2011.

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