Guia da Semana

Saiba mais sobre a Arte Erótica e conheça alguns de seus artistas

Obras destinadas a evocar a sexualidade humana estão presentes em diferentes vertentes

Arte Erótica, para quem não conhece, é o tipo de trabalho - seja literário, musical, fotográfico, de pinturas, gravuras, desenhos ou esculturas - que reúnem manifestações destinadas a evocar cenas de sexualidade. 

Entretanto, engana-se quem pensa que as obras são simplesmente o que aparentam ser e que por trás delas existe apenas o sexo. Segundo o crítico Edward Lucie-Smith, para criar o erótico, quatro características são fundamentais e pelo menos duas delas devem estar nas criações: o hedonismo, o sentimento de culpa, a crítica à sociedade e a transgressão. 

Embora estejam surgindo novos nomes, a prática é muito antiga, já trabalhada pelos gregos em cerâmica, no japão por xilogravuras, na índia pelo Kama Sutra e também na China.

E para que você possa saber mais a respeito e entrar em contato com esse tipo de arte que é tão polêmico e, ao mesmo tempo, profundo - tanto pelas imagens quanto pelos motivos das criações - o Guia da Semana lista algumas obras e artistas que você precisa conhecer. Confira:

ARTISTAS PLÁSTICOS

O GRANDE MASTURBADOR - SALVADOR DALÍ 

A obra surrealista é de 1929 e atualmente está exposta no Museu Nacional Centro de Arte Moderna e Contemporânea Reina Sofia, em Madrid. A parte amarela, localizada no centro da tela, refere-se a um rosto de uma mulher olhando para baixo, e tem por base a formação rochosa em Creus, no litoral da Catalunha. 

Abaixo da cabeça, encontra-se um gafanhoto, inseto temido pelo pintor, e, do outro lado, no canto superior direito, encontramos uma figura feminina que faz referência à Gala Éluard, musa de Dalí na época. Ela está com a boca próxima a um pênis, o que nos sugere o sexo oral. 

Entre tantos elementos, a pintura representa as atitudes e pensamentos conflituosos do artista em relação ao ato sexual. Em sua juventude, seu pai lhe deu um livro de pessoas com doenças venéreas em estágios avançados para educá-lo. Dalí ficou chocado e, ao mesmo tempo fascinado, e associou o sexo à purificação e decadência, presentes em suas obras. 

CAMA FRANCESA - REMBRANDT 

A obra é do artista holandês Rembrandt, de 1646. Famoso por suas telas que representam passagens e temas da Bíblia, o que era muito popular na época, pintou também vários autorretratos e, por isso, os críticos e estudiosos afirmam que a tela é um momento íntimo que teve com a amante Hendrickje Stoffels. O caso tornou-se polêmico, pois ela era empregada e eles não eram casados - o que era um escândalo naquele tempo, tanto que resultou na excomungação dela da Igreja. 

O BEIJO - PABLO PICASSO

Quem conhece a obra de Picasso talvez estranhe ver um rascunho como esse. O cubista, famoso por obras profundas, torna-se também erótico no desenho. A cena traz a dança e interação das línguas de duas pessoas de uma forma tão sensual que não precisa das partes sexuais explícitas para ser erótico.

NA CAMA: O BEIJO - TOULOUSE 

Famoso por pintar a vida moderna em Paris no fim do século 19, Toulouse dizia que esse quadro era extremamente erótico e o ápice da sensualidade. Para quem não sabe, os bordéis foram fonte inesgotável para suas criações e, inclusive, ficou hospedado por um tempo, observando o movimento, as pessoas, e, de longe, visitando suas intimidades. Na tela acima, ele retrata duas prostitutas com cabelo curto, que, na época, era um sinal de costumes repreensíveis

Outros artistas que valem a pena conhecer: Gustave Coubet, Egon Schiele, Édouard-Henri-Avril, Paul Avril, Hokusai e Peter Fendi.

LITERATURA

A CASA DOS BUDAS DITOSOS - JOÃO UBALDO RIBEIRO

Depois da Gula (Luis Fernando Verissimo), da Ira (por José Roberto Torero) e da Inveja (por Zuenir Ventura), chega agora a vez de João Ubaldo escrever sobre a luxúria na coleção 'Plenos Pecados'. O livro traz a história de CLB, uma mulher de 68 anos, nascida na Bahia e residente no Rio de Janeiro, que jamais se furtou a viver - com todo o prazer e sem respingos de culpa - as infinitas possibilidades do sexo. Seriam as memórias desta senhora devassa e libertina um relato verídico? Ou tudo não passa de uma brincadeira do autor?


 

 

 

 

 

MULHERES - CHARLES BUKOWSI

Após um período de jejum sexual, sem desejar mulher alguma, Hank conhece Lydia - e April, Lilly, Dee Dee, Mindy, Hilda, Cassie, Sara, Valerie, não importa o nome que ela tenha. Hank entra na vida dessas mulheres, bagunça suas almas, rompe corações, as enlouquece, as faz sofrer. E no fim elas ainda o consideram um bom sujeito.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

LOLITA - VLADIMIR NABOKOV 

O livro, publicado em 1955, é considerado um clássico. Ele narra a história de Humbert Humbert, um professor de literatura com quase 40 anos, que fica obcecado por Dolores Haze, de 12 anos, com quem acaba se envolvendo sexualmente após se tornar seu padrasto. Por falar sobre uma ninfeta que inflama suas loucuras e desejos mais agudos de um homem mais velho, a obra tornou-se muito conhecida. 

 

 

 

 

 

 

 

 

A HISTÓRIA DO OLHO - GEORGE BATATAILE 

Publicado em 1928, o texto de estreia de Georges Bataille (1897 - 1962). Num registro surrealista dissidente do célebre grupo francês, a novela acompanha as descobertas, feitos e extravagâncias sexuais do narrador e de sua amiga Simone, dois jovens que vivem magicamente à margem da censura adulta, percorrendo um cenário de sonhos. O livro faz da história libertina um veículo de revelações profundas sobre o corpo, a vida e a morte.

 

 

 

 

Outros livros que valem a pena ler: "O amante", de Marguerite Duras; "Pequenos Pássaros", de Anais Nin; "Pornopopeia", de Reinaldo Moraes; "A filosofia na alcova", de Marquês de Sade; "O Sofá", de Crébillon Fils; "A Bibliotecária", de Logan Belle; "Cem escovadas antes de ir para a cama", de Melissa Panarello; "O elogio da madrasta", de Mário Vargas Llosa e "A vênus das peles", de Sacher Masoch.

Atualizado em 27 Out 2015.

Por Nathália Tourais
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