Guia da Semana

Saindo do underground

Formado em 2003 em Cuiabá, o Vanguart despontou apostando em um folk com pitadas de indie-rock. Confira a entrevista que o vocalista Hélio Flanders concedeu ao Guia da Semana

Fotos:Myspace.com/vanguart


O Vanguart já não é novidade na cena nacional. Formada em 2003, por Hélio Flanders (voz e violão), David Dafre (guitarra e voz), Reginaldo Lincoln (baixo e voz), Luiz Lazarotto (teclados) e Douglas Godoy (bateria), na quente e distante capital mato-grossense Cuiabá, a banda arrumou as malas e veio para São Paulo após se firmar como um dos nomes mais promissores do rock independente no país.

O vocalista e líder do grupo, Hélio Flanders, bateu um papo com o Guia da Semana. Abaixo, ele comenta a possibilidade do grupo assinar com uma gravadora, fala de suas influências, a convivência do grupo e aponta uma certa desconfiança sobre a atual fase de evidência que o folk vive no cenário: "Acho tudo isso muito estranho", emenda o cantor. Confira você mesmo se o Vanguart é uma fagulha ou uma fogueira na nova cena nacional.

A banda foi sondada pelo novo selo da Som Livre, o Som Livre Apresenta. Você confirma? Como estão as negociações? Pode adiantar algo?
Estamos em contato com a Som Livre para o nosso segundo álbum, a ser lançado no começo do ano que vem. Também existe a possibilidade de eles relançarem o primeiro (Vanguart, 2007 - lançado pela revista Outracoisa), mas ainda estamos conversando. Não assinamos nada, portanto isso é tudo que posso adiantar.

Em relação a um próximo disco, já existe algum material pronto? Já se decidiram se será somente em uma língua ou um álbum poliglota? Alguma previsão de lançamento?
Ainda nada está pronto. Estamos trabalhando quase em esquema Dorival Caymmi (risos), desde o começo do ano. Tirei tempo pra compor e estamos começando a lapidar, a entender o que está por vir no nosso segundo trabalho. Temos mais músicas em português dessa vez, porém não abandonaremos o inglês em algumas canções e também pode surgir alguma idéia em outro idioma. Francês, quiçá. Esse disco deve vir no começo de 2009.

Sobre a temática Hélio, mudou alguma coisa em relação à abordagem das letras com a mudança de Cuiabá para São Paulo? O que se pode esperar para um novo trabalho do grupo? Quais as diferenças entre a inspiração paulista e mato-grossense?
Mudou sim, mas eu acho que teria mudado mesmo que eu tivesse ficado em Cuiabá. A gente é muito mutável. Eu tenho períodos. Ultimamente tenho feito muitas músicas no piano, o que é totalmente diferente pra mim, assim é natural que a temática mude também. Agora tenho falado bastante de mar e tábuas, antes eu falava de olhos e rios. (risos)



Que músicos no Brasil, de hoje e ontem, são mais representativos na carreira de vocês?
Eu acho que Tom Jobim é culpado por me criar uma "responsabilidade musical". Depois de escutá-lo muito, vi que não se podia fazer besteira por aí. Música é coisa séria. E não é questão de ser pretensioso, é de que se precisa sempre fazer com dedicação e amor. Então Jobim eu escutei muito, toquei muito. Teve o primeiro disco do Secos & Molhados também, que é maravilhoso e tivemos oportunidade de tocar com o João Ricardo (fundador e principal compositor do grupo) numa espécie de realização de sonho. Hoje em dia, também me inspira o Los Porongas, O Porcas Borboletas, Charme Chulo... bandas que eu vejo por aí e fico muito feliz em estar vivo e jovem pra ver tudo isso acontecendo.

Em relação às escolas do Folk, vocês preferem a escola mais clássica, como Bob Dylan, por exemplo, ou artistas mais recentes como Elliott Smith?
De Bob Dylan e Neil Young pra trás. Eu não conheço quase nada do novo folk. Elliot Smith nunca ouvi direito, Wilco gosto só da primeira fase, não consigo gostar das coisas modernas. Preconceito meio tolo, admito, mas não desce. Me atrai mais o Leadbelly, Woody Guthrie, Dave Van Ronk, Hank Williams. Parece fazer mais sentido. Ah, da Cat Power eu gosto.

E a convivência da banda, vocês moram todos juntos? Onde? Como tem sido o dia-a-dia? Desenvolvem atividades paralelas ou a dedicação é exclusiva?
Estamos divididos em dois apês em São Paulo. Nos dedicamos unicamente pra banda hoje em dia e alguns projetos relacionados à música.



Ultimamente o folk está em grande evidência em São Paulo, com artistas surgindo, festas, uma cena se formando. Você acredita que o movimento é legítimo ou apenas uma reunião em torno do rótulo?
Eu acho isso tudo muito estranho.

Para fechar, ainda há espaços para grandes bandas e a megalomania dos anos 80 / 90 ou hoje o caminho é viver na independência?
O caminho hoje é diferente. Pra quem realmente quer fazer música é mais importante uma carreira sólida, com trabalhos de qualidade aliados ao bom uso da internet para divulgar as canções. A diferença é que hoje os grandes artistas não estão nos grandes estádios.

Atualizado em 6 Set 2011.

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