Guia da Semana

Santa Comédia

Entrevistamos todos os membros de um dos mais famosos e engraçados grupos de stand-up nacionais



Um bar, um palco, um microfone. Esse é o cenário do stand-up comedy, estilo norte-americano de humor que já virou uma febre no Brasil. Entre os grupos atuantes no circuito nacional, está um bastante eclético. Estamos falando do Santa Comédia, que entre seus integrantes, apresenta uma comediante de 1,49 metro, um jovem de 22 anos, veteranos do gênero e um integrante do programa de humor CQC, da TV Bandeirantes.

E foi para assistir essas figuras no palco, que o Bleecker St, localizado na Vila Madalena (SP), ficou lotado em uma noite quente de domingo, na estreia do espetáculo, que segue em cartaz por tempo indeterminado, passeando por temas que vão desde relacionamentos até Internet. Em entrevista ao Guia da Semana, os participantes comentaram sobre o panorama do stand-up no Brasil, os diferentes tipos de público e as piadas que nunca falham. Confira abaixo os melhores momentos do bate-papo com cada um.

  Carol Zocolli - Uma das primeiras mulheres a se aventurar no stand-up nacional. Formada em filosofia, também faz mestrado em Estética e História da Arte, o que junto com sua baixa estatura, serve como piada durante sua apresentação

Guia da Semana: A que se deve esse sucesso que o stand-up faz hoje no país?
Carol: É uma linguagem muito interessante, diferente das que a gente já tinha. Segundo os estudiosos, é o humor na sua forma mais pura, universal. A dificuldade é que você não pode se proteger atrás do personagem, não há a quarta parede do teatro, onde você joga com outro ator. Aqui, você joga com o público e a disposição dele pode mudar toda a apresentação.

Guia da Semana: Como é o espaço do stand-up para as mulheres?
Carol: Dizem que para a mulher fazer humor, é 50% mais difícil do que o homem. Nós, mulheres, temos que ter o dobro de esforço pra conseguir uma risada do que um homem. É um desafio muito grande. Geralmente, as próprias pessoas que contratam preferem homens.

  Fernando Muylaert - De pé quebrado e muletas durante o show, Fernando é o novato do grupo. Até 2008, comandava o programa Vida Loca Show, tendo trabalhado também com Luciano Huck e Otávio Mesquita

Guia da Semana: Como você ingressou no estilo stand-up?
Fernando: Conhecia por amigos como o Rafinha Bastos e pela Internet. Um dia, me convidaram para fazer um stand-up em Curitiba e nunca achei que ia conseguir. Tive um mês para preparar 10 minutos e acabei pedindo ajuda para o Rafinha. Não foi um bom show, mas foi o começo.

Guia da Semana: Para quem já fez teatro e TV, qual a diferença no stand-up?
Fernando: É muito mais difícil do que o humor de personagem. Quem está ali no palco é você. Se a plateia não ri de suas piadas, é você que dá a cara a bater. Sem dúvidas, é um trabalho árduo de escrever, experimentar, reescrever... Na TV você edita, dá um close, coloca risada. Aqui, isso é impossível, você vê na hora se a piada encaixou ou não.

  Victor Hugo - É um dos fundadores do grupo Antropofocus, companhia deteatro curitibana pesquisadora da comédia. Começou no stand-up comedy em 2005, ao lado de Diogo Portugal

Guia da Semana: Como você prepara sua apresentação?
Victor: É preciso estar atento a tudo que acontece ao seu redor, porque pode virar uma boa piada. Há textos que não cabem em São Paulo como em Curitiba. Por isso, preparo comentários gerais que acredito serem engraçados para todos. A apresentação tem que combinar com a plateia e o comediante não pode ser passivo.

Guia da Semana: Você acredita que a febre do stand-up pode passar logo?
Victor: Uma hora pode vir a declinar, como tudo que se transforma numa grande moda. Mas acredito que, além de ótimos shows que estão aparecendo, o Youtube nos ajuda muito na divulgação e na busca por coisas novas. A concorrência é bacana, mas é preciso tomar cuidado. Tem gente que acha que faz stand-up, tem uma sacada, coloca no computador e vira astro.

  Fábio Lins - O mais novo do grupo, com apenas 22 anos, Fábio atua desdeos 14 anos, tendo participado do seriado Disney CRUJ. Além de dirigir ogrupo de improvisação curitibano NuImproviso, tembém faz parte do elenco da série brasileira 9mm

Guia da Semana: Quais são as vantagens e desvantagens de ser o mais novo do grupo?
Fábio: O início foi engraçado para mim, pois como era sempre o mais novo, não podia entrar nos bares. Quando tinha 17 anos, o bar era para maiores de 18. Quando tinha 20, era para maiores de 21. Mas a idade me garante piadas do universo dessa faixa etária, como videogame e coisas de moleques com espinha na cara. Mesmo assim, rola preconceito.

Guia da Semana: Após se assumir como um comediante de stand-up, você passou a ter mais cuidado com seu texto?
Fábio: Na verdade, o texto é uma mistura de coisas. Sempre tenho um esqueleto pronto, mas você percebe que não pode se prender àquilo que programou. É preciso sempre ter piadas novas, observações inusitadas. Daí vem a improvisação, que é o momento em que eu mais me divirto no palco. Como aconteceu hoje, vesti uma camisa vermelha e todos os garçons estão vestidos de vermelho. O cara me confundiu, pediu uma porção de carpaccio e criei uma sequência de piadas em cima disso.

  Felipe Andreoli -Repórter do programa CQC (Custe o Que Custar), Felipejá trabalhou em grandes emissoras de televisão, além de realizar programas para a TV Gospel. No mundo do stand-up, já participou de espetáculos como o "Café Comédia".

Guia da Semana: Quais são as maiores dificuldades do stand-up para um "homem da TV", como você?
Felipe: É completamente diferente trabalhar num show que você tem que mostrar a cara do que contar as histórias na televisão. É sempre um teste de fogo. Na TV, você não sabe como as pessoas vão reagir a uma graça. No palco, de cara limpa, é outra coisa. Você precisa transformar histórias cotidianas em piadas certeiras.

Guia da Semana:  Quais são as suas qualidades que te ajudam no stand-up?
Felipe: Eu nunca fui o mais engraçado da família, aquele que chama a atenção. Sempre fui o coadjuvante. Quando comecei no jornalismo, procurava um foco mais bem-humorado, leve para as matérias que fazia, diferente do padrão. Na Band, como repórter de esportes, entrevistei o Mr. Bean e dei uma camiseta do Capivariano, dizendo que era um dos melhores times do Brasil. O pessoal morreu de rir, adoraram. Talvez, seja esse foco que me ajude na hora que subir no palco e me jogar no público.

  Marco Zenni - Indicado três vezes ao prêmio de Melhor Ator, no Festivalde Gramado e do Paraná, iniciou no mundo stand-up em 2004, no espetáculo Cabaret, de Diogo Portugal. É responsável pelo pontapé inicial do espetáculo do Santa Comédia

Guia da Semana: Por que você acha que o gênero tem dado tão certo no Brasil?
Marco: Primeiro, os custos são baixos. Não há gastos com produção ou estrutura. Além disso, o gênero alcança todo tipo de público e foge daquele humor que ofende as pessoas, que eu acredito que já esteja ultrapassado. A vida é muito engraçada, a gente que a deixa chata.

Guia da Semana: Há uma grande diferença de plateia entre as regiões do país?
Marco: Tem coisas que para o Sul, que não rolam para o Nordeste, por exemplo. Fomos fazer um show em Fortaleza e quem abriu o espetáculo foi um cara vestido de mulher, fazendo micagem. Senti uma resistência quando subimos no palco, mas, depois, a plateia foi se envolvendo e curtindo. O carioca, por exemplo, é mais solto. O paulista se diverte muito. Mas o curitibano é a prova de fogo. Você precisa ser esperto para despertar as risadas. Isso nos desafia a cada nova empreitada.

Atualizado em 6 Set 2011.

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