Guia da Semana

Sertanejo universitário: a onda do momento

Duplas abandonam visual caipira, caem no gosto de jovens, arrastando multidões a festas e casas de show

Febre: os irmãos mineiros César Menotti & Fabiano


No início da década, zabumba, triângulo e sanfona deixaram os guetos nordestinos para tomar conta do circuito descolado das principais cidades da região Sul e Sudeste do país. Rejuvenescendo o gênero que consagrou Luis Gonzaga, bandas como Falamansa e Rastapé remodelaram a maneira de se fazer forró, ganhando a simpatia do público universitário. Poucos anos depois, foi a vez de jovens da classe média paulista acostumados a improvisar rodas de samba nos fins de semana lançarem moda, cunhando o hoje já desgastado pagode universitário, ritmo que deu um toque mais moderninho ao primo pobre do samba.

Surgido há poucos anos, o sertanejo universitário mostra-se uma onda capaz de arrastar legiões de jovens endinheirados a casas de shows temáticas, alçando duplas como César Menotti & Fabiano e Victor & Léo à condição de verdadeiros ídolos do recém-nascido movimento. Assim como o pagode e o forró universitário, a receita de sucesso do novo sertanejo é apostar na regravação de canções de artistas conhecidos, conferindo uma aura mais cool a hits empoeirados.

Dormiu na praça e acordou milionário
Frisson nas grandes capitais, o sertanejo universitário mantém um certo distanciamento das célebres letras bucólicas, aquelas que cantavam as belezas da zona rural e as agruras típicas do homem do campo. Sobrou, então, a opção mais óbvia e lucrativa, destrinchar as dores do coração, o que poucos souberam fazer com tanto retorno quanto os goianos Bruno & Marrone, dupla que em poucos anos se tornou um dos nomes de maior apelo no país. Deixando de lado o visual caubói, ambos sedimentaram o caminho de um grande número de artistas que hoje domina as rádios populares Brasil afora.

Micareta sertaneja

Não tardou para o sertanejo atravessar a fronteira que separa os universitários comuns dos descolados de plantão. Uma das festas mais populares de São Paulo, a Trash 80´s, organiza baladas cujo mote é celebrar o "sertão trash", seus expoentes e pérolas musicais, provando que até o corte de cabelo no estilo Chitãozinho & Xororó pode ser hype. Outro evento que mobiliza multidões de jovens são as recentes micaretas sertanejas, um híbrido de carnaval de Salvador e festança country.

Guilherme & Santiago sucesso jovem
Casas de show como o Villa Country e a Estância Alto da Serra, em São Paulo, reúnem semanalmente milhares de universitários devidamente aparatados com botas de caubói e chapéus de couro. Tanto no palco quanto nos alto-falantes, o som que predomina, além do country norte-americano, são as melodias derramadas de duplas como Édson & Hudson, Guilherme & Santiago e João Bosco & Vinícius, artistas que embora reforcem continuamente o apreço pelas tradicionais modas de viola, passam longe dos acordes que eternizaram Sérgio Reis e Inezita Barroso.

Acrescentando ritmos mais dançantes e populares às raízes sertanejas, os mineiros César Menotti & Fabiano despontaram no cenário nacional com o álbum Palavras de Amor, que vendeu mais de 50 mil cópias em questão de meses. Outros nomes que têm chamado a atenção da mídia e levado muita gente a levantar poeira nas festanças country são as duplas Edson & Hudson e João Paulo & Vinícius, artistas que além de emplacarem sucessos no circuito universitário das grandes cidades, realizam cerca de 20 apresentações por mês no interior do país.

Espécie de Ídolos de espora, o programa Country Star, apresentado pela Band, procura o novo talento feminino sertanejo aos moldes de Shania Twain, estrela canadense que vendeu mais de 14 milhões de cópias ao redor do planeta com o disco Come On Over. Após uma peneira inicial, coube aos jurados - dentre eles uma desnorteada Zilu Camargo, a mãe de Wanenessa e mulher de Zezé - escolher qual das garotas terá um CD lançado por uma grande gravadora.

Atualizado em 6 Set 2011.

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