Guia da Semana

Sucesso ou fracasso de público

Há diferentes razões que medem o sucesso ou não de um espetáculo

Fotos: sxc.hu


Diferente da TV, o teatro não tem o IBOPE para canalizar a quantidade de espectadores satisfeitos com os espetáculos apresentados. Ocupando a máxima de que não existe fórmula para o sucesso, entrevistamos críticos de arte e envolvidos no assunto para detectar quais os ingredientes que tornam uma peça um entretenimento aclamado.

Há uma série de espetáculos que são pouco divulgados e fazem tanto sucesso que lotam as salas de apresentações.
Espetáculo Cats, famoso musical da Broadway
Um exemplo é a peça Trair e coçar é só começar, apresentada há 22 anos, já foi vista por mais de 5 milhões de espectadores e está no livro dos recordes como a peça mais assistida no Brasil. Em conversa com o Guia da Semana, o produtor Bruno Radamés conta que isso é um fenômeno. Segundo ele, este espetáculo nunca teve estratégia de marketing e patrocinadores de peso com a finalidade de atingir o sucesso.

De acordo com Beth Néspoli, jornalista e crítica de teatro do jornal Estado de S. Paulo, o sucesso é muito relativo e não está ligado ao marketing. Não há fórmula específica de qualidade feita para agradar o público. Segundo ela, o próprio Marcus Caruso, autor da peça, nunca imaginou que o espetáculo se sustentaria por tanto tempo. "Na realidade, ele acreditava que a peça seria um verdadeiro fracasso", afirma.

Cena da histórica peça
Trair e coçar é só começar
Com isso, pode-se perceber que a qualidade artística de um espetáculo é o que vem a público e esta superaria a falta de espaço na mídia. Valmir Santos, crítico de artes e jornalista do jornal Folha de S. Paulo acredita que se o espetáculo é bom e se os artistas acreditam nele nada impede sua repercussão.

Qual o seu pedido: um chopp ou uma peça?
Nem sempre é preciso pagar para assistir bons espetáculos teatrais. Só nas grandes capitais como São Paulo e Rio de Janeiro existem muitas apresentações que custam de R$10,00 até R$1,99. Ou seja, você pode deixar de comprar uma bugiganga e usar este dinheiro para assistir um espetáculo. Há também peças com entrada gratuita. Apesar disso, é muito comum ver as platéias completamente vazias em diversas apresentações.

Mas, superado o obstáculo do dinheiro, por que então muitos brasileiros não vão teatro? A resposta a esta polêmica, pode estar atrelada à falta de desenvolvimento cultural na própria infância o que acaba acarretando em falta de hábito. Fato este que parece estar enraizado na própria cultura das pessoas.

No Brasil, diferente do que acontece em países europeus, não há políticas que incentivem às crianças e os adolescentes a conhecerem o teatro. Ou seja, eles dificilmente têm contato com textos desta natureza, que lhes dificulta o entendimento e consequentemente não criam o costume de freqüentarem peças.

Em conversa com o Guia da Semana, o jornalista da Folha, Valmir Santos afirma que este quadro só seria revertido por meio de políticas públicas culturais (em vários campos) atreladas às educacionais. De acordo com ele, existem experiências pontuais, em nível nacional, que poderiam ser aplicadas em rede e difundidas como uma ação efetiva.

O jornalista ainda afirma que a tradição dos governantes brasileiros é deixar a cultura para décimo plano. "Em uma cidade como São Paulo isso é muito patente. Os Céus (Centro Unificados Educacionais) possuem ótimos equipamentos e arquiteturas teatrais, mas são pouco explorados e dependem na vontade política dos governantes da vez", relata.

Diferentemente da música, que é difundida e entendida em seus diversos estilos por grande parte da população, o teatro não alcançou tal grau de penetração social. O que se torna um agravante na falta de hábito brasileiro em freqüentar peças de teatro. A crítica de teatro do Estadão, Beth Néspoli diz que o público não deixa de ver as peças porque não tem dinheiro, mas porque tem medo do que vai enfrentar, já que lhes faltam referências culturais.

Espetáculo encenado de graça em praça
do centro de São Paulo
Mas, segundo Beth, isto é um fator que pode enganar as pessoas. Ela comenta que foi fazer uma matéria para o jornal sobre a peça O santo guerreiro e o herói desajustado
Em uma peça como esta, onde circulam pessoas de diferentes classes sociais, é possível oferecer qualidade e literatura clássica para qualquer pessoa. Muitas delas que não teriam disposição e dinheiro para pagar a entrada de uma peça de um teatro de hotel, por exemplo.

Uma das reflexões de Valmir Santos é de que o ideal seria fazer mais teatro experimental e menos comercial. "Isto deveria ocorrer principalmente em espaços onde o teatro não chega, nas bordas das cidades", finaliza.

Fatores de escolha

Muitas pessoas levam em consideração alguns fatores na hora de escolher uma peça de teatro. Entre muitas opções de tipos, gostos, preços e localização é preciso listar algumas prioridades para conseguir assistir aquela que é a melhor opção.




Atualizado em 6 Set 2011.

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