Guia da Semana

Sustentavelmente comercial

O line-up foi acertado, as apresentações bacanas, e a infraestrutura funcionou. Mas o excesso de perfume talvez tenha azedado aquele caloroso clima de festival. Isso fez falta no Natura Nós

Foto: Marcos Hermes

Jack Johnson arrebatou os fãs no Natura Nós

Música nem muito é minha praia, mas a lista de atrações do Natura Nós, realizado no último 21 e 22 de maio, em São Paulo, era imperdível. Além de uma ótima oportunidade para ver de perto essa onda dos festivais sustentáveis que assola o Brasil nesses anos sustentáveis. Ao final, impossível fugir da mesmíssima conclusão de tantos outros: ainda que haja boa música e gente bonita, as excessivas ações de marketing das empresas patrocinadoras - investidoras fundamentais para viabilizar os eventos - estragam e pasteurizam aquela sensação gostosa, compartilhada por fãs e público em geral, de sentirem que estão em comunhão fazendo história.

A Chácara do Jockey é um ótimo espaço para a estrutura apresentada, apesar das distâncias da capital paulistana. Dois grandes palcos revezavam no entretenimento do público. Nas laterais, praças de alimentação, caixas e sanitários e um "espaço criativo" - uma área com boxes de ONGs super sustentáveis vendendo todo o tipo de bugiganga - de belos colares a canecas. No mais, perfume, muito perfume distribuído em amostras de álcool em gel e creme para as mãos.
 
Mas o assunto aqui é música, e não marketing. Nesse quesito, as quatro apresentações mais esperadas cumpriram seu papel, com pontos altos e baixos, mas mantendo o público interessado. Roberta Sá foi a primeira brasileira a se apresentar, trazendo uma das últimas apresentações da turnê Pra se ter alegria. A cantora comprova suas qualidades em juntar seu limpo registro vocal com uma seleção apurada, com antigas e novas pérolas como Interessa?, Pelas Tabelas, Fogo e Gasolina e Girando na renda. Houve a participação ainda do fadista António Zambujo em duas músicas.

Depois foi a vez de Maria Gadú. O jeito moleque, a interpretação pujante e individual vão melhor em músicas como Ne me quitte pas, Who Knew, Filosofia e A História de Lilly Braun, mas sobram em Lanterna dos Afogados, que antecedeu Trem, uma longuíssima e enrolada apresentação dos músicos de palco.

Às precisas 19h50 (e quase todos os shows começaram no horário ou pouco atrasados), Jamie Cullum começou o melhor show do Natura Nós. O cantor londrino não parou de pular entre o piano e a boca do palco, demonstrando o mesmo vigor físico nas interpretações de já clássicos como Mind Trick e Get Our Way (do seu álbum de maior sucesso, Catching Tales), releituras como High and Dry e Don`t Stop the Music, além de I`m All Over It e Mixtape, ambas de The Persuit, seu último álbum (saiba mais sobre a apresentação e o cantor na entrevista especial, clicando aqui).

Quando Jack Johnson dedilhou o primeiro acorde, a arena, com aproximadamente 20 mil pessoas, já estava mais que lotada. O violão, guitarras e voz do cantor havaiano são pequenos, mas extremamente envolventes, ocupando o repertório sentimental dos jovens que cantavam certinho, sem trocar as bolas, sucessos como Banana Pancakes, Better Togheter, Sitting, Waiting e Wishing, Upside down, Clouds, entre outras, mesmo quando são parecidíssimas. O arranjador e pianista Lucky Sander mostrou ser um grande músico do artista, fazendo toda a cozinha para Johnson disparar seus hits.

Importante registrar ainda as participações de G. Love, Laura Marling e do produtor BiD com vários convidados, que entremearam os principais shows. No domingo 22 rolou ainda mais festival, mais voltado a crianças, seus pais e casais mais tranquilos, que ouviram o Palavra Cantada, Barbatuques e Toquinho. Talvez, nesse dia (o colunista estava aniversariando e resolveu não ir), o climão família estivesse mais afinado com o espaço e espírito do evento. Mas, para a categoria festival de música jovem, o Natura Nós deixou um pouco a desejar: faltou cheiro de pimenta e sobrou o de rosas passadas.

Leia as colunas anteriores de Bruno Cesar Dias:

Balcão nacional


França com madeira de lei

Sabores cariocas

Quem é o colunista: Bruno Cesar Dias, um carioca andarilho pela terra paulistana.

O que faz: Repórter de cultura do Guia da Semana.

Pecado gastronômico: Pão! Seja na bruschetta, na rabanada ou no sanduíche de queijo com goiabada.

Melhor lugar do Brasil: Essa opinião depende do dia... mas com certeza, está na Via Dutra.

Fale com ele: brunocsdias@guiadasemana.com.br ou @brunocsdias

Atualizado em 6 Set 2011.

Compartilhe

Comentários

Outras notícias recomendadas

5 hotéis ao redor do mundo que são verdadeiras obras de arte

Confira locais com acomodações incríveis, mas que têm obras como protagonistas

Evolução dos emojis ganha instalação no Museu de Arte Moderna de NY

Os primeiros emoctions, criados em 1999, também entram para a coleção MoMA

6 motivos para visitar a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano em SP (e nem perceber que está na capital)

Local une arte, cultura, lazer, arquitetura e natureza, fazendo com que o visitante esqueça que está em SP

13 grafites em SP que todo mundo que ama arte deveria ver pessoalmente

Confira obras espalhadas pela cidade que merecem sua atenção

Na Semana da Criança, uma selfie vale um passaporte nos museus de SP; entenda

Para participar, é só postar foto com uma criança no Facebook com a hashtag #MuseusSP e apresentar na bilheteria da Pinacoteca, Casa das Rosas ou do Museu da Imigração

Unibes Cultural oferece programação especial e gratuita para o mês das crianças

Evento acontece até dia 31 de outubro e comemora o Mês das Crianças