Guia da Semana

Talento ao cubo

Em entrevista, Marco Ricca fala sobre seu novo trabalho de direção teatral, A Grande Volta, que estreia em São Paulo com Fúlvio Stefanini e Rodrigo Lombardi no elenco

Um encontro de gerações serve de espelho para dois homens, que compartilham sem saber falhas, medos, sonhos, solidão e loucura. É essa a linha de A Grande Volta, escrita pelo francês Serge Kribus, que estreia em 1º de maio em São Paulo sob a direção de Marco Ricca. A peça foi traduzida por Paulo Autran em 2001, que pretendia montá-la, mas mudou os planos devido ao sucesso do espetáculo Visitando o Sr. Green.

No palco, Fúlvio Stefanini e Rodrigo Lombardi interpretam pai e filho, e levam à cena todos os conflitos que fazem parte dessa relação. Com mais de 30 anos de carreira, Ricca comanda o espetáculo com a experiência de quem carrega na bagagem mais de 15 trabalhos na televisão, 18 filmes e inúmeras peças. No teatro, ele também dirigiu Oeste (1996), Shopping and fucking (1999) e O senhor das flores (2003). Confira entrevista que o ator e diretor concedeu com exclusividade ao Guia da Semana.

Foto: Divulgação


Guia da Semana: O que o motivou a montar a peça A Grande Volta, de Serge Kribus?
Marco Ricca: Primeiro o texto, que é bastante bonito e poético. Depois, a possibilidade de fazer um trabalho com dois atores. Gosto de dirigir peças com poucos atores.

Guia da Semana: E como surgiu a escolha desse atores? Você já tinha em mente quem interpretaria os personagens?
Ricca: Quando li a peça já pensei nos dois.

Guia da Semana: Como foi o processo de direção do espetáculo?
Ricca: Fizemos um trabalho de mesa normal, para entender o texto e fazer as adaptações. Depois, começamos a ensaiar para tentar encontrar os personagens. Tentei ajudar os atores nessa busca.

Guia da Semana: Quanto tempo durou o processo de ensaios?
Ricca: Um pouco mais de dois meses.

Guia da Semana: Você se sente mais à vontade na direção ou no trabalho como ator?
Ricca: São coisas distintas, mas muito próximas. Uma coisa leva a outra. O trabalho na direção ajuda o desenvolvimento do ator.

Guia da Semana: Você começou no teatro escrevendo e dirigindo, não foi isso?
Ricca: Eu comecei escrevendo, dirigindo e atuando nas minhas próprias peças. Com o tempo, o ator foi tomando conta.

Foto: João Caldas

Stefanini e Rodrigo Lombardi em cena de A Grande Volta

Guia da Semana: Quais foram as principais dificuldades que você encontrou durante o processo de direção do espetáculo? Como é dirigir atores com bastante experiência como o Fúlvio, que já é um veterano no teatro?
Ricca: Quando entramos no teatro temos que zerar nossos conhecimentos, pois cada peça é única. Eu também tenho trinta anos de carreira e não serve para muita coisa. Temos que entrar puros e tentar desenvolver este trabalho e não outros. É claro que a experiência conta e é importante para o processo, mas o que interessa é aquele momento. A peça é feita daquele texto, das construções das personagens e dos objetivos na hora de escolher determinadas coisas. É sempre uma experiência nova, mas trabalhar com Fúlvio e com o Rodrigo é mais fácil, pois são dois grandes atores, e isso ajuda muito.


Guia da Semana: Muitos atores da televisão se afastam dos palcos, até por causa da rotina de gravações. Para você, qual é a importância do teatro para a carreira de um ator?Você acredita que a trajetória de um ator deve estar calcada no teatro?
Ricca: Eu não sei responder isso pelos outros. Sei falar por mim. Eu preciso fazer teatro, pois é o que sei fazer na verdade. Fiquei dois anos afastado, porque produzi e dirigi um filme, mas não consigo ficar muito tempo longe, pois é realmente a minha casa. Mas não acho que seja igual para todo mundo. Acho que cada um traça uma trajetória pessoal.

Guia da Semana: E há alguma linguagem teatral com a qual você se identifica mais?
Ricca: Não tem uma linguagem particular. Acredito que os trabalhos que eu dirigi enaltecem o ator. A prioridade é sempre o trabalho de interpretação. Este segue a mesma linha.

Foto: João Caldas


Guia da Semana: Como você avalia a cena teatral atual? Você acredita que o público ainda é movido por peças estreladas por atores globais?
Ricca: O teatro sempre foi movido pelo público gostar ou não do espetáculo. Ter uma pessoa conhecida no elenco pode ajudar em um primeiro momento, mas se a peça não for boa o público abandona. Sempre vão existir montagens de sucesso feitas por grandes nomes e outras feitas por pessoas que ainda não são tão conhecidas do grande público. É por isso que o teatro sobrevive.

Guia da Semana: Você também está escalado para Ti Ti Ti, próxima novela das sete da Rede Globo. É complicado conciliar tantos trabalhos com a vida pessoal?
Ricca: Não está sendo muito corrido. Estou fazendo a peça e também cuidando do lançamento do meu filme, que será em agosto. Ainda não sei muito bem sobre o personagem da novela. Depois que estrear a peça, vou me dedicar a isso.

Guia da Semana: E muita ansiedade para a estreia?
Ricca: Estou feliz. Só quero que as pessoas assistam de coração aberto e gostem do trabalho.


Atualizado em 6 Set 2011.

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