Guia da Semana

The Cult

O show trouxe alguns dos maiores sucessos dos ingleses de Yorkshire e mostrou outras facetas artísticas do vocalista: ele tocou pandeiro e até mostrou seu curta-metragem

Foto: Divulgação


Em mais uma passagem pelo Brasil (a última foi em 2008), os veteranos do The Cult puderam mostrar novamente que música bem-feita não envelhece. Na noite de 14 de maio, os músicos empolgaram os roqueiros trintões que lotaram o HSBC Brasil, em São Paulo.


Meio fora de forma, de bandana, calça preta folgada e cabelos compridos, o lendário vocalista Ian Astbury não parou de falar com a plateia enquanto tocava seu inseparável pandeiro - às vezes, para fazer comentários do tipo: "Por que vocês estão assobiando? De onde eu venho, isso quer dizer que vocês não estão gostando do que estamos apresentando" e arriscar palavras em português. Animado, o público respondia pulando e cantando como se não houvesse amanhã. Ian aproveitou a animação dos paulistanos para mostrar outra faceta artística: um curta-metragem que dirigiu recentemente no estado norte-americano da Dakota do Sul.

O grupo, formado em 1984 em Yorkshire, Inglaterra, veio ao país para divulgar o último álbum da banda, Born into This, lançado em 2007, enquanto se prepara para lançar material novo. Da formação original, permanecem apenas Astbury e o guitarrista Billy Duff (igualmente venerado pelos fãs). Completam o time o baixista Chris Wyse e o baterista John Tempesta. O guitarrista Mike Dimkich acompanha a turnê.

O The Cult, inicialmente uma banda de rock gótico, alcançou projeção fora da Inglaterra com seu segundo álbum, Love, de 1985, embalado no sucesso da faixa She Sells Sanctuary. Ao longo dos anos, ficaram cada vez mais próximos do hard rock. A trajetória conturbada incluiu entradas e saídas de músicos da banda e problemas de Astbury com álcool que, junto com diferenças artísticas com Billy Duff, fizeram com que trilhassem caminhos diferentes em alguns momentos. Astbury e Duffy chegaram a lançar projetos solo nos anos 90, mas retomaram a parceria no começo de 2000.

Com 35 minutos de atraso, o grupo abriu o show com Every man and Every Woman is a Star, seguida por Rain, que o público cantou inteira junto com o vocalista. Outros destaques da apresentação foram Sweet Soul Sister, a quarta música do setlist, e She Sells Sanctuary, pouco antes do bis. A banda também desfilou hits como Fire Woman, Love Removal Machine, Wild Flower e Lil´Devil. Não tocaram Edie (Ciao Baby) - talvez um dos maiores sucessos comerciais do grupo - nem Painted on My Heart, trilha do filme 60 Segundos, estrelado por Nicolas Cage e Angelina Jolie e amplamente tocada nas rádios e na MTV.


O quase cinquentão Astbury (ele fez 49 na noite do show e ganhou um coro de Happy Birthday to you puxado por Duff) demonstrou que, apesar das formas arredondadas, continua com o mesmo vigor no palco. A potência vocal do cantor também continua a mesma, com quase 30 anos de carreira. A festa do rock´n´roll paulistano terminou em grande estilo, com cover de Break on Through, do The Doors. Como se a noite já não fosse histórica o suficiente.

 

Leia as colunas anteriores de Vivian Ragazzi:

No (outro) caminho das Índias

Enigmático e perturbador

Quem é a colunista: Alguém que gosta de ouvir (e de contar) histórias.

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Melhor lugar do mundo: Normalmente, me atraem lugares com culturas milenares, como Turquia, India, Marrocos...

O que está ouvindo no carro, iPod, mp3: Rock clássico, MPB.

Para falar com ela: vragazzi@gmail.com


 


 

Atualizado em 6 Set 2011.

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