Guia da Semana

Trapalhadas em Zenas

Trupe do Zenas Emprovisadas se junta a Heloísa Perissé em comédia inspirada nos Irmãos Marx



Como afirmado por Groucho Marx em uma de suas célebres frases, humor é a razão enlouquecendo. E para todo comediante, a loucura é um dos caminhos utilizados para extrair o tempo certo da piada, afinal como Groucho também afirmava, se a piada for tardia melhor que não aconteça.

Advocacia segundo os irmãos Marx, em cartaz terças e quartas no Teatro das Artes, dirigida por Bernardo Jablonski e Fabiana Valor é um convite ao riso fácil. A peça baseada em textos extraídos de programas de rádios levados ao ar nos anos 1932 e 1933 pelos irmãos Marx e estrelado por Heloísa Perissé faz uma crítica a hipocrisia social e a corrupção que assola nosso país.

O texto foi montado experimentalmente no Tablado no início dos anos 90 por Heloisa e Jablonski. O elenco original contava com Lucio Mauro Filho, Luiz Carlos Tourinho e Maria Clara Gueiros.

Dividida em 06 peças curtas, a trama é centrada na personagem Yasmin Robalo, advogada corrupta que faz de tudo para se dar bem e sair do buraco financeiro em que se encontra. Rodeada por assistentes preguiçosos, golpistas e muito simpáticos, Yasmin se mete nas maiores confusões, sempre ao melhor estilo dos Irmãos Marx.

Nesta remontagem, Heloísa divide o palco com os comediantes da nova geração do stand-up carioca Marcelo Adnet, Gregório Duvivier, Rafael Queiroga e Fernando Caruso que bem nos poderiam levar a crer se tratarem de Harpo, Groucho, Gummo e Zeppo, os Irmãos Marx.

O texto de Jablonski é rápido com piadas certeiras em cada fala. Heloísa está ótima em cena e incorpora ao personagem uma agressividade simpática e um cinismo característicos dos melhores personagens de Groucho. Mas o grande sucesso desta remontagem está no improviso dos comediantes do Zenas Emprovisadas.

A trupe do Z.É, como são conhecidos, são responsáveis pelos melhores momentos da peça. Marcelo Adnet - o maior fenômeno da MTV de 2008 - está impagável em cena, com seu humor peculiar e característico escracho. Fernando Caruso, Rafael Quieroga e Gregório Duvivier dão sabor de renovação a trama. Entre as transições de cena, os comediantes se dividem em pequenas improvisações que tem como tema o Código Penal e Civil.

E como todo bom vaudeville, a rapidez não está apenas na piada, mas nas transições de cena, na troca de figurino e na concepção do cenário que nos remete ao teatro mambembe, itinerante. O figurino assinado por Nello Marrese, com acerto, tem gosto duvidoso e apelo popular, característico dos personagens da trama.

A luz não tem papel fundamental na construção deste espetáculo. São utilizados planos abertos e muita luz branca com a intenção de mostrar os personagens, afinal, as grandes estrelas são os atores.

A direção de Bernardo Jablonski e Fabiana Valor cria um vaudeville com referências clássicas ao estilo de grandes comediantes como os 3 patetas, Jerry Lewis e os próprios Irmãos Marx, valorizando o poder da improvisação e o trabalho de criação dos atores.

Um bom espetáculo criado sobre o impacto do improviso com o intuito de divertir e fazer rir.

Quem é o colunista: Celso Pontara.

O que faz: Paulista, radicado no Rio, Celso Pontara é uma mistura de ator, dramaturgo e produtor cultural.

Pecado gastronômico: Coxinha de camarão do Bar Rebouças no Rio.

Melhor lugar do Brasil: Paraty.

Fale com ele: capontara@uol.com.br ou Clique aqui

Atualizado em 6 Set 2011.

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