Guia da Semana

Um gênio, duas pessoas

O rock e suas duplas (in)falíveis

Por Tiago Archela


Divulgação

Imagine o magrelo Richard Ashcroft esbarrando pessoas nas ruas, sem os violinos de Bitter Sweet Simphony ao fundo. Isso quase aconteceu! Urban Hymns (1997), do The Verve, um dos álbuns mais bacanas da última década, quase não saiu. Juntos, Ashcroft e Nick McCabe eram os responsáveis pela criação da banda britânica The Verve (foto), mas diversas brigas entre os dois quase decretaram o fim prematuro do conjunto. A obra só foi concluída quando os caras decidiram, juntos, irem ao trabalho. O resultado? Primoroso.

O disco, último da carreira da banda - e talvez um dos últimos da cena brit pop - marcou também o fim de uma das parcerias recentes mais bacanas. Depois disso, Richard lançou três bons álbuns solo, mas ainda falta corpo às suas composições, aos seus mantras. Faltam as guitarras de McCabe em suas faixas.

Outras boas bandas também acabaram quando viram suas duplas saírem (ou quase) no tapa. O Stone Roses de Ian Brown e Jon Squire, e The Smiths de Morrissey e Johnny Marr, servem de exemplos.

E nesta década, por que não falar de Pete Doherty e Carl Barat, do Libertines? Apenas juntos conseguiram causar estrondo e serem inventivos no rock.

Entre as artes, a música é a única que abre espaço para a velha máxima em que duas cabeças pensam melhor que uma só. Definitivamente. A genialidade de algumas duplas, é claro, transcende a normalidade. Nos últimos 20 anos o rock produziu duplas falíveis. Ou melhor, enquanto duplas, grandes discos. Sozinhos, alguns bons álbuns, mas nada que alcançasse a destreza de antes.

Agora, seguem duas dicas: o Álbum Branco, dos Beatles, lançado em 1968 - antológico disco duplo, que traz pérolas como Helter Skelter e BlackBird; e o Ep de Ain´t Too Proud To Beg / Dance Little Sister, dos Rolling Stones, lançado em 1975.

É isso. Abraços e até abril!


Quem é o colunista: Tiago Archela
O que faz: é músico, jornalista e bancário. Não necessariamente nesta ordem. As funções se alteram conforme o dia e a hora.
Pecado gastronômico: feijoada.
Melhor lugar do Brasil: São Paulo, de preferência aqueles dois quilômetros entre a Consolação e o Paraíso.
Fale com ele: tiago.coluna@terra.com.br



Atualizado em 6 Set 2011.

Compartilhe

Comentários

Outras notícias recomendadas

5 hotéis ao redor do mundo que são verdadeiras obras de arte

Confira locais com acomodações incríveis, mas que têm obras como protagonistas

Evolução dos emojis ganha instalação no Museu de Arte Moderna de NY

Os primeiros emoctions, criados em 1999, também entram para a coleção MoMA

6 motivos para visitar a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano em SP (e nem perceber que está na capital)

Local une arte, cultura, lazer, arquitetura e natureza, fazendo com que o visitante esqueça que está em SP

13 grafites em SP que todo mundo que ama arte deveria ver pessoalmente

Confira obras espalhadas pela cidade que merecem sua atenção

Na Semana da Criança, uma selfie vale um passaporte nos museus de SP; entenda

Para participar, é só postar foto com uma criança no Facebook com a hashtag #MuseusSP e apresentar na bilheteria da Pinacoteca, Casa das Rosas ou do Museu da Imigração

Unibes Cultural oferece programação especial e gratuita para o mês das crianças

Evento acontece até dia 31 de outubro e comemora o Mês das Crianças