Guia da Semana

Vida longa ao Rei

Como parte das homenagens ao cinquentenário da carreira do "dono do calhambeque", acontece entre 5 de março e 8 de maio, na Oca, a exposição Roberto Carlos - 50 Anos de Música

Ao som do hit Calhambeque, direto de um exemplar do modelo saído de sua coleção pessoal, os fãs são recebidos na Oca, em São Paulo. Com sorriso no rosto e as máquinas fotográficas a postos, os amantes do Rei conferem a exposição Roberto Carlos - 50 Anos de Música, uma pincelada sobre a obra completa de um dos artistas mais populares do país.

Com curadoria de Marcello Dantas, coordenação geral de Dody Sirena - empresário de Roberto há 18 anos - e Léa Penteado, a exposição ocupa o subsolo, três andares da OCA e viaja na carreira do Rei desde a assinatura de seu primeiro contrato profissional, em 1959, até os dias de hoje em eventos comemorativos de seu cinquentenário.

A ideia de expor os pertences que contam sua história surgiu em 2002. O público pode ver, pela primeira vez, um dos maiores acervos de um artista popular de forma interativa e, como o próprio diz, "cheia de emoções".

Jovem Guarda e terra natal 

Logo na entrada, os fãs se deparam com um violão que deu origem a centenas de hits - como Detalhes -, uma jaqueta de couro usada em várias apresentações e as roupas brilhantes da época em que Roberto era visto como o Elvis Presley brasileiro.

Entre momentos marcantes, parcerias musicais de peso e especiais televisivos históricos, a mostra aborda parte da Jovem Guarda quando, em 1965, Roberto foi convidado a apresentar um programa na TV Record, que foi líder de audiência e lançou tendências focadas no público jovem. Na exposição é possível conferir um documentário inédito dirigido por Carlos Nader que registra boa parte desse período.

Expostos também estão alguns prêmios como Troféu Imprensa, Grammy, e homenagens de emissoras de TV e rádio. Ainda à mostra, estão expostos alguns presentes que o Rei ganhou de seus admiradores e fez questão de espalhar por diversos lugares. Sendo o primeiro cantor latino-americano a vender 100 milhões de cópias, entre vinil, CD e DVD, Roberto não abandonou suas raízes e faz questão de ressaltá-las. As lembranças de Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, cidade natal do músico imortalizada na música Meu pequeno Cachoeiro, estão a disposição em forma de um documentário inédito, feito por Raquel Couto, com imagens da região, depoimentos de habitantes e do próprio homenageado falando sobre sua infância e momentos marcantes.

Foto: Diego Dacax

Estúdio onde o fãs podem controlar os intrumentos nas músicas de Roberto

Interação

A interatividade é um dos pontos fortes na exposição. Prova disso é um estúdio de gravação comandado pelo público. Assim como Roberto gosta de trabalhar seus projetos em seu estúdio particular, como forma de sentir as vibrações de mixar e produzir uma canção, o visitante se depara com mini estúdio e pode coordenar instrumentos violão, guitarra, bateria, teclado e percussão em uma painel eletrônico que emite três canções escolhidas pelo Rei: Detalhes, Emoções e Jesus Cristo.

Outra intervenção é um espaço onde, através de um hotsite, os fãs internautas  enviaram centenas de vídeos, fotos, slideshows homenageando o ídolo. Com esse material, o jornalista e apresentador do CQC, na Band, Marcelo Tas foi convidado para editar o produto em forma de homenagear o Rei. Além disso, quem curte soltar a voz pode se esbaldar nas cabines de karaokê. Em quatro estações para cantar a música Eu Quero Apenas (Eu quero ter um milhão de amigos), o visitante recebe uma senha e pode baixar a gravação em um site e deixar sua homenagem registrada na exposição.

Coletâneas

A obra fonográfica completa de Roberto não poderia ficar de fora. Há uma parte dedicada totalmente aos seus trabalhos com todos os discos gravados em português, espanhol, italiano, francês e inglês. A discografia digitalizada conta com nove telas touchscreen onde o visitante toca no disco que quer ouvir e uma janela se abre com todas as faixas na integra de seus 90 discos, sendo 37 internacionais, com 984 músicas no total.

Foto: Diego Dacax

Na mostra são apresentados especiais e duetos de Roberto com vários artistas

Velocidade e cinema

Os possantes sempre foram uma das paixões de Roberto. Com músicas que narram fatos ocorridos em seus carrões e até homenageiam alguns modelos, na mostra estão expostos alguns dos carros da coleção pessoal do Rei, como o clássico calhambeque - onde os visitantes poderão tirar uma foto tendo como fundo as curvas da estrada de Santos - um Cadillac, um LTD e uma Mercedes-Benz 1978 prateada.

As histórias dos veículos é uma constante também nos filmes do qual  foi protagonista. Restaurados digitalmente, os longas: Roberto Carlos em Ritmo de Aventura, de 1968, Roberto Carlos e o diamante Cor-de-Rosa, 1970, e Roberto Carlos a 300km por Hora, 1971, podem ser conferidos em assentos inusitados: selins de lambretas e bancos de carros antigos.

O meu amigo...

Uma das características marcantes na carreira de Roberto são os duetos. O Rei já dividiu o palco com artistas dos mais diversos estilos. O segundo andar da exposição é dedicado totalmente a vídeos onde Roberto divide os microfones com grandes nomes como Tom Jobim, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Hebe Camargo, Gal Costa, Chitãozinho e Xororó e até mesmo Luciano Pavarotti. Mas, sem dúvida quem não poderia passar em branco é o seu parceiro musical e pessoal Erasmo Carlos.

Ambos transformaram a música através de sentimentos, aventuras e lembranças. Em 1977 a parceria foi celebrada com a música Amigo e o verso memorável: 'Você meu amigo de fé, meu irmão camarada...'. Juntos, criaram clássicos da música brasileira. Para conferir o trabalho da dupla, no segundo andar rolam filmes, vídeos de especiais de fim de ano e muitas fotos e momentos da Jovem Guarda, do qual dividiam os palcos também com Wanderléa, a Ternurinha.

Foto: Diego Dacax

Os fãs podem apreciar uma réplica de navio em homenagem ao projeto Emoções em Alto Mar

Flores e o mar

Marca registrada, a entrega da flor se tornou uma tradição nas apresentações de Roberto. A primeira vez que a distribuiu foi em 1979 e, desde então, se tornou momento aguardado pelos fãs. A ideia foi da maquiadora Neide de Paula, que o acompanha até hoje e o gesto simbólico estende o carinho do artista a seu público. Na exposição, os produtores de flores de Holambra doam semanalmente 2100 rosas vermelhas que formam um jardim perfumado em homenagem aos fãs do artista. 

Outro espaço que chama atenção do público é o do projeto Emoções em Alto Mar, ideia criada pelo próprio Roberto devido sua paixão pelo oceano. Na parte térrea, os frequentadores podem entrar em uma réplica de navio e se deparar com uma imagem imensa de orla, dando a impressão de realmente estão dentro da embarcação.

Fãs de carteirinha

Andando por entre as imagens e canções de Roberto, o casal José e Leia Gimenez aprovam a exposição e aproveitam para recordar a época em que ainda namoravam embalados pelas músicas do Rei. "Lembro que ela só queria me ver depois que acabava o programa Jovem Guarda na TV. Passava todo o domingo e eu só podia ir na casa dela depois", comenta o aposentado. A esposa, com sorriso no rosto, diz que gosta muito das canções com temática religiosa interpretadas pelo músico, mas não abre mão das românticas. "Gosto muito de Jesus Cristo. Mas Detalhes e Emoções são demais. Eu tinha até uma roupa que era inspirada no Calhambeque. E nós namorávamos muito ouvindo. Assim como ele marcou para gente, acho que foi assim para muitos casais".

Não somente quem tem mais idade aprecia a obra de Roberto. Entre o corredores da exposição, o jornalista Caio Bruno, 24, lamenta não ter vivido tudo que o ídolo fez pela música há alguns anos, mas aproveita para ovacionar o artista e curte todas as partes da mostra. Após uma desilusão amorosa  na adolescência, Caio conheceu a música Se você pensa e tornou-se fã assíduo do Rei. "Roberto é um artista tão completo e de tantas facetas que talvez nem o mais experiente dos escritores conseguiria defini-lo". O jovem ainda enfatiza que o artista "representa perfeitamente o nosso povo. Nasceu pobre, sofreu um acidente que o marcaria, tinha um sonho e batalhou até conseguir. Virou ídolo, enriqueceu, definiu moda, padrões, entrou pra história, sofreu por amor e continuou sendo humilde e simples". Palavra de fã.

Serviço:
Local: Pavilhão da OCA - Parque do Ibirapuera
Preço: R$ 5,00 (terça e quarta) e R$ 20,00 (quinta a domingo).
Data: 05 de março a 08 de maio de 2010.
Horário: Terça a domingo, 10h às 21h.

Atualizado em 6 Set 2011.

Compartilhe

Comentários

Outras notícias recomendadas

5 hotéis ao redor do mundo que são verdadeiras obras de arte

Confira locais com acomodações incríveis, mas que têm obras como protagonistas

Evolução dos emojis ganha instalação no Museu de Arte Moderna de NY

Os primeiros emoctions, criados em 1999, também entram para a coleção MoMA

6 motivos para visitar a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano em SP (e nem perceber que está na capital)

Local une arte, cultura, lazer, arquitetura e natureza, fazendo com que o visitante esqueça que está em SP

13 grafites em SP que todo mundo que ama arte deveria ver pessoalmente

Confira obras espalhadas pela cidade que merecem sua atenção

Na Semana da Criança, uma selfie vale um passaporte nos museus de SP; entenda

Para participar, é só postar foto com uma criança no Facebook com a hashtag #MuseusSP e apresentar na bilheteria da Pinacoteca, Casa das Rosas ou do Museu da Imigração

Unibes Cultural oferece programação especial e gratuita para o mês das crianças

Evento acontece até dia 31 de outubro e comemora o Mês das Crianças