Guia da Semana

Vidas em quadrinhos

Os quadrinhos autobiográficos vêm se destacando e ajudando as HQs a se consolidarem como arte

É verdade que as histórias em quadrinhos ainda são consideradas por muitos como literatura trivial e mero entretenimento. Também é fato, no entanto, que esse cenário vem mudando consideravelmente e as HQs estão ganhando espaço nas livrarias, na imprensa e em bibliotecas públicas e escolares.

Além de um olhar menos preconceituoso por parte da crítica e do mercado, obras de conteúdo denso, premiadas e reconhecidas mundialmente, estão colaborando para a invasão de HQs nas prateleiras das grandes livrarias tupiniquins e ajudando a colocar os quadrinhos num patamar tão respeitado quanto a literatura. E, nesse sentido, as autobiografias têm se destacado. Selecionamos aqui algumas das melhores obras deste gênero que estão disponíveis no mercado editorial brasileiro. Confira e devore!

Persépolis
Imagem: Divulgação


Com um traço simples, direto e ao mesmo tempo delicado, Persépolis é a autobiografia em quadrinhos da iraniana Marjane Satrapi. A HQ é, também, um relato pessoal acerca das mudanças vividas por seu país após a revolução islâmica, em 1979. Bisneta do antigo rei da Pérsia, a menina que cresceu em uma família de esquerda ocidentalizada e estudou em uma escola laica, de repente se viu obrigada a usar véu e a frequentar classes separadas dos meninos.

Além de anunciarem uma série de mudanças em sua vida, tais fatos colaboraram para que Marjane desenvolvesse uma consciência política rara - para se ter uma ideia, seu livro preferido era uma HQ que tinha Marx e Descartes como personagens. Apesar do cenário conturbado, não falta humor e sarcasmo à trama, que desconstrói preconceitos sobre seu país e mescla fatos das histórias recente e antiga do Irã. Persépolis foi premiada em festivais como o de Angoulême, na França, e deu origem a uma animação que foi sucesso de público e crítica.

Fun Home
Imagem: Divulgação


Fun Home, Uma Tragicomédia em Família escancara a vida de sua autora, Alison Bechdel. Dialogando com obras de autores da literatura moderna, como James Joyce e Albert Camus, a obra tem como ponto central a relação de Alison com seu pai e os conflitos advindos da homossexualidade de ambos.

No álbum, a autora abre as portas da casa de sua família, que também funcionava como funerária (daí o título-trocadilho Fun Home) e faz da transparência um de seus principais méritos. O texto, bastante elaborado, também é um dos pontos altos da obra. Talvez por este aspecto ela tenha sido escolhida pela revista Time como o melhor livro de 2006 em meio a toda a produção literária estadunidense daquele ano. Fun Home também venceu o prêmio Eisner, considerado o Oscar das histórias em quadrinhos.

Minha vida
Imagem: Divulgação


Um dos nomes mais importantes dos quadrinhos ditos alternativos, Robert Crumb é influência assumida de alguns dos mais importantes quadrinistas contemporâneos. Várias de suas histórias poderiam ser chamadas de autobiográficas, mas, neste subgênero, sua contribuição definitiva é Minha Vida, livro que centra seu humor sarcástico e irônico em um dos principais personagens de suas HQs - ele mesmo.

Criador de clássicos como Fritz, The Cat e Blues, Crumb aborda, em sua autobiografia, diversas fases e aspectos de seu percurso. Desde sua infância suburbana até a opção pela linguagem humorística que utiliza, passando por sua carreira, suas experiências psicodélicas, o distanciamento do grande público e pela posição de "cartunista mais amado da América".

Epilético
Imagem: Divulgação


Lançado no Brasil em três volumes, Epilético é a autobiografia em quadrinhos de Pierre-François Beauchard, ou David B., pseudônimo que adotou para assinar suas HQs. Na obra, o autor narra a história de sua infância que teve o sossego quebrado pela epilepsia de seu irmão mais velho, Jean-Christophe.

Ao passo que a saúde do menino piora, os pais arrastam toda a família pela Europa em uma busca sem sucesso para a cura da doença. Essa "turnê" dura cerca de dez anos e vai da medicina tradicional a dietas macrobióticas e templos da Rosacruz. Repleta de metáforas visuais, a obra explora a linguagem das HQs traduzindo em imagens a angústia, o medo e a dor sua e de sua família.


Atualizado em 6 Set 2011.

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