Guia da Semana

Viva o negro

Celebrar é preciso aos que fizeram tanto pela cultura mundial

Foto: Imdb.com
Louis Armstrong

Viva o negro que fez tanto pela cultura, pelo esporte e pela música. Um povo tão igual aos outros, mas ao mesmo tempo tão diferente, tão único. Valorizado por alguns, menosprezado por outros. Viva o negro que sofre com o preconceito, pois é com essa dor que ele cria coisas maravilhosas, novos ritmos, novas fórmulas, provando o seu valor, mas sem se vender. E o melhor: sempre com a alegria no rosto e um sorriso verdadeiro. Negro é sinônimo de beleza, de atitude, de humildade e criatividade.

Viva o negro do subúrbio, que nasceu com um dom singular e sem escrever uma nota antes de qualquer show, apoderou-se apenas da sua criatividade e criou algo chamado jazz. Coltrane, Miles Davis, Chet Baker, Louis Armstrong. Viva o negro insatisfeito, corajoso, que teve a cara de pau de reinventar o jazz. Tony Williams, Herbie Hancock. Viva o negro dos contra-tempos, das décimas terceiras, sétimas, sustenidos.

Viva o negro da técnica apurada, estudioso, mestre na guitarra Les Paul. O negro que tantas vezes encantou com as melodias do blues, com o seu lado triste e sua eterna solidão. Encantou também com sua paixão exagerada e inconsequente, criador de riffs marcantes e distorções agressivas. B. B. King, Jimi Hendrix, T-Bone Walker.

Viva o negro escritor, que por meio de suas letras e seu reggae alcançou povos, multidões e outras raças. Esse negro, de família pobre e humilhada, de um país esquecido pelo resto do mundo e hoje é o símbolo de uma nação, aliás, símbolo de um movimento, um pensamento que se mantém vivo até hoje.

Viva o negro que respira ritmo e swing. O negro do funk, do pop e outros ritmos dançantes, responsáveis pela sua balada. O negro que por tantas vezes encantou outros negros e diversos brancos com o seu carnaval, seja na rua ou na avenida. O negro que paga para desfilar, para ter e realizar a sua fantasia. Viva o negro do esporte, que honra sua camisa e é imortalizado com gols de placa e títulos inesquecíveis. O negro que desafiou um império sanguinário com um simples salto. Viva o negro do samba, da bossa nova, o negro do MPB. Viva Vinicius de Morais, o branco mais negro do Brasil, Gilberto Gil, Jorge Aragão, Alcione. Viva o negro que fez tanto pela cultura, pelo esporte e pela música. Viva o negro que ainda vai fazer muito mais.

Foto capa: Jimi Hendrix (imdb.com)

Quem é o colunista: Fernando Segredo.

O que faz: Redator Publicitário.

Pecado gastronômico: Comida italiana ou japonesa.

Melhor lugar do Brasil: Os lugares que ainda não conheci.

O que está escutando em seu mp3, iPod ou no carro: Dave Matthews Band, João Gilberto, Vanessa da Mata

Fale com ele: fsegredo@gmail.com ou acesse seu blog

Atualizado em 26 Set 2011.

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