Biografia

Ferreira Gullar

Data de Nascimento:
10/09/1930
Signo:
Virgem
Local de Nascimento:São Luís-Maranhão,Brasil

Nascido José Ribamar Ferreira, filho da dona de casa Alzira Ribeiro Goulart e do comerciante Newton Ferreira, ele é o quarto dos 11 filhos do casal. Escritor, poeta, ensaísta, tradutor, entre outras funções, Ferreira Gullar decidiu usar este nome para se destacar. Segundo o próprio, a maioria dos maranhenses tem o sobrenome Ribamar, então ele resolveu fazer diferente, e só mudou a grafia do Goulart de sua mãe, além de acrescentar o Ferreira de seu pai. Desde a adolescência, seu fascínio pela língua portuguesa era nítido e percebido por sua professora - que, em 1945, só não lhe deu nota dez pelo poema O Trabalho por haver dois erros de ortografia. Esse poema foi publicado em um jornal local. Em 1948, aos 18 anos, passou a ser colaborador do suplemento literário, no Diário de São Luís. No ano seguinte, escreveu seu primeiro livro, Um Pouco Acima do Chão, lançado em parceria com o Centro Cultural Gonçalves Dias - Ferreira Gullar, anos depois, excluiu a obra de sua bibliografia.

 

Em 1950, ele lançou o poema O Galo, vencedor do concurso Jornal de Letras, com um júri composto por Manuel Bandeira, Odylo Costa Filho e Willy Lewin. No ano seguinte, ele se mudou para o Rio de Janeiro, onde trabalhou para a revista O Cruzeiro, como revisor de texto, além de escrever para outros veículos de comunicação, entre eles, Diário Carioca, Revista Manchete e a sucursal carioca do jornal O Estado de São Paulo. Em 1954, Gullar escreveu o livro de poemas A Luta Corporal. Nessa época, os poetas Haroldo e Augusto de Campos conheceram seu trabalho e se tornaram seus amigos. Em 1959, ele escreveu o Manifesto Neo-concreto e a Teoria do Não-objeto - que gerou polêmica e foi lançado na Primeira Exposição Neoconcreta, com um texto assinado pelos artistas Amílcar de Castro, Hélio Oiticica, Thereza Aragão, Lygia Clark, Ligia Pape, entre outros. No dia 1º de abril de 1964, Ferreira filiou-se ao Partido Comunista. Dois anos depois, ele lançou a obra teatral Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come, em parceria com Oduvaldo Vianna Filho - encenada pelo Grupo Opinião, e que foi vencedora dos prêmios Molière e Saci. Em 1968, foi preso após a eclosão do Ato Institucional nº 5.

Em meados dos anos 70, Gullar viveu exilado em alguns países, entre eles, Moscou. Nesse período, assinou publicações sob o pseudônimo de Frederico Marques, em colaborações para o periódico O Pasquim e o Grupo Opinião. Tempos depois, ele foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal da acusação de pertencer ao Comitê Cultural do Partido Comunista Brasileiro - mas, em 10 março de 1977, um dia depois de seu retorno ao Brasil, ele voltou a ser preso pelo Departamento de Polícia, Política e Social (o antigo Dops), onde foi interrogado durante 72 horas, sob ameaça de sequestrarem seu filho Paulo (na época em tratamento psiquiátrico), mas com a ajuda de amigos influentes, conseguiu ficar em liberdade.

 

Em 1980, foi lançado o livro Toda Poesia, em comemoração aos seus 50 anos de idade, em que foram reunidas suas principais obras ao longo da carreira literária e artística. No final dos anos 80, recebeu o prêmio Molière pela tradução da peça Cyrano de Bergerac, além de lançar as obras Barulhos (poemas, 1987) e Indagações de Hoje (ensaios, 1989). Em 1992, foi nomeado, pelo então presidente Itamar Franco, diretor do Instituto Brasileiro de Arte e Cultura (Ibac) - ele permaneceu no cargo até 1995 e, antes de sair, devolveu o nome original à instituição, FUNARTE. Em setembro de 2000, foi inaugurada a exposição Ferreira Gullar 70 Anos, no Museu de Arte Moderna, do Rio de Janeiro. Em 2003, ele lançou pela editora Cosac & Naify, o ensaio Relâmpagos - Dizer o Ver, em que reuniu 48 textos sobre a arte brasileira e de artistas como Matisse, Picasso, Leonardo Da Vinci, Van Gogh, Cézanne, Renoir, entre outros. Em 2005, foi publicado em Cuba pela Editorial Arte e Literatura a antologia de poemas de Ferreira Gullar, Todos te Buscam. Ainda no mesmo, daiu em Paris a reedição de Poema Sujo, pela editora Temps de Cérises, com tradução de Jean-Michel Beaudet. No ano seguinte, Gullar lançou pela Imprensa Oficial a edição do livro de crônicas Resmungos - vencedor do Prêmio Jabuti de Melhor Livro de Ficção, no ano seguinte. No mesmo ano, a Cosac & Naify publicou a obra Experiência Neoconcreta: Momento-limite da Arte - o trabalho fala de sua experiência com o manifesto neoconcreto, redigido por Gullar, Amilcar de Castro, Lygia Pape, Franz Weissmann, Lygia Clark, Theon Spanúdis e Reynaldo Jardim, e também de sua relação com conceitos importantes, como o não-objeto, além de reviver as obras Contra-relevo (de Hélio Oiticica) e Casulos e Bichos (de Lygia Clark).

No ano de 2010, Ferreira Gullar ganhou o prêmio Camões de Literatura, pelo conjunto de sua obra, além de ser um dos escritores de Dicta & Contradicta - V.5, lançada no mesmo ano. Sem dúvida, uma vida que merece ser conhecida ou revista ao longo dos 80 anos de sua existência.


Fotos: Divulgação / Eder Chiodetto
FOTOS:
PREMIOS:

Principais Prêmios:

2010: Prêmio Camões - pelo conjunto da obra.

2007: Prêmio Jabuti de Melhor Livro de Ficção por Resmungos.

2005: Recebeu o Prêmio Fundação Conrado Wessel de Ciência pelo conjunto da obra.
2005: Recebeu o Prêmio Machado de Assis (Academia Brasileira de Letras) pelo conjunto da obra.
2002: Recebeu o Prêmio Príncipe Claus (Holanda), por sua contribuição à sociedade brasileira, nas artes e cultura.
2000: Recebeu o Prêmio Multicultural, do jornal O Estado de São Paulo.
1999: Prêmio Jabuti de Melhor Livro de Poesia por Muitas Vozes.
1966: Prêmios Molière e Saci pela obra de teatro Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come.

CURIOSIDADES:

- Em 2010, ele foi contemplado com o título de Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Letras da UFRJ. 

- Ferreira Gullar foi considerado pela revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.

- Sua atual companheira é a poetisa Cláudia Ahimsa.

- O poeta foi casado com a atriz Thereza Aragão, com quem teve três filhos: Luciana, Paulo e Marcos.