Guia da Semana

4 Lições sobre a crise política brasileira que podemos aprender com “Capitão América: Guerra Civil”

Descubra que discussões o novo filme da Marvel propõe além da luta entre super-heróis

Pode parecer piada, mas, em meados de março, um colunista do site oficial do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) chamado Fred Bruno publicou uma análise política do conflito entre Capitão América e Homem de Ferro no longa “Capitão América: Guerra Civil” e seu texto não apenas foi lido, mas também comentado pelos diretores Joe e Anthony Russo. Segundo eles, o autor “acertou em cheio” em sua interpretação.

Se até os cineastas afirmam que a alma da adaptação dos quadrinhos é política, talvez seja hora de deixarmos de lado a torcida por #TeamStark ou #TeamCap e avaliarmos a ficção para aprendermos algumas coisas sobre a crise real brasileira. 

 

Poder público x poder privado

Se resumirmos bem o conflito mostrado no filme, a verdadeira disputa é entre o poder público e o poder privado – mais especificamente, é uma discussão sobre qual deles deveria deter os direitos (e deveres) sobre a segurança de um país (ou, no caso, de vários).

Antes deste filme, os Vingadores eram uma instituição privada, que decidia quais missões assumir e como, independentemente de qualquer governo. Essa autonomia permitia que eles agissem com mais rapidez e em qualquer território, combatendo “vilões” estrangeiros sem provocar guerras diplomáticas. Por outro lado, essa liberdade também permitiu que civis fossem atingidos durante as missões, sem que o grupo se responsabilizasse por eles.

O Tratado de Sokovia propõe a “estatização” dos Vingadores, transformando-os em instrumento de uma instituição como a ONU e passando a agir segundo interesses políticos, e não segundo o senso de “certo” e “errado” dos super-heróis. No discurso, é o “interesse coletivo” contra o “interesse particular”.

 

Quebra de confiança no governo

Parte dessa discussão nasce de uma quebra de confiança na capacidade e na integridade moral do poder público. No filme, é Steve Rogers/Capitão América quem encarna essa desconfiança, pois, depois de ter sido pessoalmente explorado como uma arma pelo governo americano, ele teme que qualquer outro governo possa abusar de recursos poderosos como os Vingadores em benefício próprio.

No Brasil, essa quebra de confiança aconteceu por causa das denúncias de corrupção. Uma vez que foi comprovado que praticamente todas as esferas do poder público abusaram de suas posições para desviar dinheiro e conseguir cargos, ficou difícil para o povo acreditar em políticos – sejam eles de quaisquer partidos.

 

Polarização e fim do diálogo

Nas últimas semanas, o Brasil viveu uma polarização que exaltou ânimos e desmanchou amizades. De um lado, ficaram aqueles que se declararam pró-impeachment, cansados de serem prejudicados por um partido corrupto e uma presidente incapaz de liderar. Do outro, aqueles que se mobilizaram contra o impeachment, alegando que uma interrupção do mandato legítimo seria um ato antidemocrático e abriria precedentes para ações mais autoritárias.

As questões que levam à polarização podem ser diferentes na vida real e em “Guerra Civil”, mas há uma consequência comum: a impossibilidade do diálogo. No filme, Tony Stark/Homem de Ferro impõe a assinatura do Tratado sem consultar os outros Vingadores, evitando assim o diálogo e provocando uma ruptura no grupo. A partir daí, rejeitar o Tratado será sinônimo de se voltar contra a lei e, portanto, não ser ouvido e jamais chegar a uma conciliação.

No Brasil, o diálogo entre os dois lados também se tornou impossível. Ao invés de discutirem propostas, os “camisas vermelhas” e os “camisas verde-amarelas” ocuparam ruas e declaram seu ódio nas redes sociais, cegos e surdos aos argumentos rivais. A polarização tornou impossível uma solução pacífica, já que, como notou a personagem de Scarlett Johansson no filme, “nenhum dos dois está disposto a parar”.

 

Toda crise política tem mais de dois lados.

Nem vermelho, nem verde; nem Homem de Ferro, nem Capitão América. Uma crise de verdade tem muito mais do que dois lados em jogo. No filme, cada um dos Vingadores tem suas razões pessoais para aceitar, rejeitar ou contestar o Tratado e, além deles, há uma infinidade de civis que já foram afetados direta ou indiretamente pelas ações dos heróis e que continuarão a ser afetados, independentemente de quem assine o acordo. A escolha de “quem controlará os Vingadores” não mudará, necessariamente, o fato de que pessoas inocentes morrerão durante o combate ao crime – apenas tornará suas mortes mais ou menos legítimas.

Pensando nisso, fica claro o quanto o Tratado é, na verdade, um conflito de interesses e não uma discussão séria sobre a segurança do povo. O mesmo vale para o impeachment: não será a eleição de um indivíduo que resolverá os problemas do país, mas diversas atitudes individuais e coletivas que reconheçam as necessidades de diferentes personagens e tentem garantir uma coexistência mais harmoniosa não entre dois poderes, mas entre milhões de pessoas. 

Atualizado em 29 Abr 2016.

Por Juliana Varella
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