Guia da Semana

A Minha Versão do Amor

As atuações brilhantes de Paul Giamatti e Dustin Hoffmann surpreendem e conseguem arrancar risos e lágrimas da plateia

Foto: Divulgação


Alguns atores sofrem com certo ostracismo, mesmo tendo um talento fora do comum. Eu, por exemplo, ainda me decepciono quando algumas pessoas me dizem que não conhecem o ator Paul Giamatti. Não lembram do seu nome, mas certamente já viram seu jeito barrigudo, careca e fora do padrão de beleza hollywoodiano. Ao lembrar dele, outro nome me vem à mente: Phillip Seymour Hoffman, que, após tantos papéis maravilhosos, levou seu merecido Oscar para casa ao interpretar o escritor Truman Capote em Capote (2005).

Em A Minha Versão do Amor (Barney`s Version, Canadá/Itália, 2010), o experiente diretor de episódios de séries de TV Richard J. Lewis, de CSI e Family Law, levou para as telas o romance do canadense e cujo filme é dedicado e adaptado por Michael Konyves. No papel principal, está Giamatti, um feliz encontro entre criador e criatura. 


Acompanhamos a vida de Barney Panofsky (Paul Giamatti), um judeu sexagenário entregue aos charutos e ao álcool. Desesperançado da vida que leva, produz uma série de TV sem sucesso. A única pessoa que lhe resta é a filha Kate (Anna Hopkins) e um detetive (Mark Addy), que o acusa há décadas de um assassinato. A partir dessa melancólica vida, voltamos aos anos 70, quando sua vida era regada a bebidas, drogas e belas mulheres. Acompanhado pelos amigos Leo (Thomas Trabacchi), Cedric (Clé Bennett) e do inseparável Boogie (Scott Speedman), Barney recorda as três mulheres importantes que passaram por sua vida.

A primeira delas é a inconsequente Clara "Chambers" Charnofsky (Rachelle Lefevre), uma hippie que sofre de distúrbios psicológicos e oferece uma surpresa nada agradável ao marido logo após o repentino casamento na Itália. Recuperando-se da desilusão com Clara, Barney encontra a rica, espevitada e igualmente judia segunda esposa (interpretada por Minnie Driver) e cujo nome nunca é mencionado no filme, sendo chamada sempre pelo nome de segunda sra. P. (Panofsky). Porém, na festa de casamento, Barney conhece a adorável Miriam Grant (Rosamund Pike), pela qual se apaixona perdidamente à primeira vista. Após os conflitos com a insuportável sra. P., Barney fará de tudo para conquistar Miriam, que a considera "a mulher de sua vida".

Entre as mulheres que surgem no caminho de Barney, dois homens marcam sua vida: o amigo Boogie, um mulherengo inveterado que se entrega aos vícios com a mesma facilidade com que massageia seu ego; e Izzy Panofsky (Dustin Hoffman, em um de seus papéis mais saborosos), seu pai, um ex-policial sem papas na língua que traz uma personalidade sensível debaixo de sua casca bonachona. E é aí que se firma o grande duelo de interpretações de A Minha Versão do Amor: Hoffman e Giamatti, em momentos que arrancam risos escancarados para, dois minutos depois, serem capazes de marejar os olhos da plateia.

Dos diálogos rápidos e precisos, baseados em um bom roteiro e uma direção segura, acompanhamos a saga de Barney, este homem preso em sua própria inexperiência de vida aliada a situações banais capazes de desencadear consequências imprevisíveis e, muitas vezes, incorrigíveis.

Melancólico e engraçado, A Minha Versão do Amor remete, em alguns momentos, às comédias dramáticas de Woody Allen nos anos 80, com um personagem perdido diante de seus próprios atos e sentimentos. Afinal, Barney não é mau, um anti-herói e, muito menos, um mocinho: é um ser humano de carne e osso, com o qual nos identificamos. E, diante da saga deste homem, desde as cores opacas do presente às vibrantes tonalidades da "época de ouro" de sua história, Barney sabe que há um preço a ser pago.

Não há como fugir: a idade chega, os amigos se vão, as lembranças nos assombram ou nos acalentam, a perda de memória nos assusta, a solidão nos amedronta e os arrependimentos são inevitáveis. Afinal, a vida pode ser maravilhosa; o difícil é lidar com as migalhas dela que são deixadas pelo caminho com o passar do tempo.


Leia as colunas anteriores de Leonardo Freitas:

Elza

Biutiful

O Mágico


Quem é o colunista: Um jornalista aficionado por cinema de A a Z.

O que faz: Dono do blog Dial M For Movies.

Pecado gastronômico: Lasanha.

Melhor lugar do Brasil: Qualquer lugar, desde que eu esteja com meus amigos.

Para Falar com ele: leonardo.g.freitas@gmail.com ou o siga no twitter (@leogfreitas)





Atualizado em 10 Abr 2012.

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