Guia da Semana

A rede social

Workaholics - especialmente jovens - vão se identificar com a garra do criador do Facebook

Foto: Divulgação


Certa vez, uma namorada insatisfeita cantou Lulu Santos para mim: "Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite". Era fim de semana e eu estava em casa escrevendo mais um livro, fazendo pesquisas na internet e trocando contatos online com leitores e amigos através do Facebook. No domingo, pela manhã, eu trocava meu status para "solteiro".

Talvez por causa desse episódio da minha vida, eu tenha gostado tanto de "A Rede Social", filme baseado no livro "The Accidental Billionaires", de Aaron Sorkin, e dirigido por David Fincher.


O filme conta a saga do jovem criador do Facebook, Mark Zuckerberg, desde seu promissor inicio de carreira como aluno de Harvard até a sua total consagração à frente do mais bem sucedido empreendimento de internet nos últimos anos. Após erros e acertos, o genial e obcecado universitário conquista uma legião de fãs com o seu site, mas paga o preço com a inimizade de pessoas próximas que o acusam de plágio e traição.


O roteiro do filme é dinâmico, constituído de cenas apresentadas fora da cronologia original, e com flashbacks que evitam os momentos de monotonia típicos de filmes passados em tribunais. As assertivas do diretor ficam por conta da escolha do elenco principal e do ritmo das cenas, cujos diálogos revelam as dificuldades técnicas empregadas na criação do site - nesse quesito, o filme lembra um pouco o sucesso "Uma mente brilhante".


Confesso: também gostei de ver o astro-pop Justin Timberlake interpretando o polêmico empresário Sean Parker em uma (quase!) reconstrução de seu próprio mito - só que sem rebolados ou canções pseudo-românticas.


Em uma das cenas, Zuckerberg passa a noite trabalhando em seu ambicioso projeto, enquanto os outros jovens universitários se divertem em festas regadas a cerveja e peitões. O certo é que, hoje, ninguém conhece o nome dos baderneiros...


Sempre me incomodei com o comportamento de universitários que perdem tempo com chopadas, festas e trotes. A maioria desses pobres coitados deixa para procurar emprego após a conclusão do curso e acaba levando portas na cara.  Depois culpam o governo, o "desemprego" e a "falta de oportunidade no mercado de trabalho".


Apesar de descrito no filme como uma pessoa fria e workaholic, Mark Zuckerberg é um bom exemplo para ser seguido pela atual geração de universitários, pois ama o que faz, se dedica em tempo integral, confia no próprio talento e, mesmo milionário e reconhecido em todo o mundo, continua demonstrando a mesma garra e determinação de quando era estudante.  


O filme "A Rede Social" está em cartaz nos melhores cinemas. Eu fui assistir sozinho, mas feliz!

Leia a coluna anterior de João Pedro Roriz:

A suprema felicidade?

Quem é o colunista:"Sou um bandido corrompido pelas paragens do bem, muito além do homem descrito como poeta".

O que faz: Escritor, jornalista e ator. Autor de nove livros e peças de teatro. Faz palestras em escolas de todo o Brasil. É apresentador do programa "Rio Cultural", da Rádio Rio de Janeiro.

Pecado gastronômico: Todos, principalmente cerveja quando sai com os amigos!

Melhor lugar do mundo: Sua casa, principalmente na hora de escrever e/ou quando os parentes e os amigos o visitam.

O que está ouvindo no carro, iPod, mp3: É muito fã de Chico Buarque. Também gosta de música clássica, ópera, rock e MPB.

Para falar com ele: jproriz@gmail.com, ou no seu site.

Atualizado em 6 Set 2011.

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