Guia da Semana

Agora é pessoal!

Tropa de Elite 2 invade as salas de cinemas e apresenta uma crítica voraz à política, com um limite tênue entre realidade e ficção

Capitão Nascimento (Wagner Moura) volta às grandes telas de cabelos grisalhos, ar maduro, com o objetivo de organizar a segurança pública no Rio de Janeiro. A força física fica de lado e a estratégia é sua grande arma para combater a polícia despreparada, os políticos corruptos e, principalmente, as milícias, novo câncer no estado. Com grande expectativa, Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é Outro entra em cartaz na sexta, 8 de outubro, com 636 cópias, a maior estreia já realizada pelo cinema nacional.

Missão dada é missão cumprida

Dez anos mais velho, a farda preta, o fuzil em punho e o brasão de caveira dão lugar a terno, gabinete e computador. O personagem conhecido pelo bordão "Pede pra sair!" é afastado do comando geral do Batalhão de Operações da Polícia Estadual (BOPE) para virar Subsecretário da Inteligência do Estado. Ele equipa seus comandados, organiza a administração e consegue desmantelar os traficantes nas comunidades, caminhando rumo à solução das grandes mazelas cariocas.

O sucesso profissional vai à contramão da vida pessoal; o seu trabalho tem peso decisivo no futuro da família e na imagem que seu filho Rafael (Pedro Van Held) constrói dele. "Primeiro olhou-se muito para os morros, depois para as polícias, mas o grande inimigo do Capitão Nascimento é ele mesmo. O que ele fez com a vida dele, com a profissão, o que ele defende como honra e ética", aponta Irandhir Santos, que vive o papel do seu adversário ideológico, o ativista e intelectual de esquerda Fraga, que luta pelos Direitos Humanos dos criminosos e faz críticas ao modus operandi da polícia liderada por Nascimento.



A obra de ficção baseada em fatos reais foi realizada a partir de pesquisas do diretor José Padilha e o roteirista Bráulio Mantovani, que escolheram esse formato com ares documental para dar a sequência ao Tropa de Elite (2007), ganhador do Urso de Ouro no Festival de Berlim de 2008. Herói por acaso no primeiro, o Capitão ganha um olhar especial neste. "Para mim, a coisa mais importante nesse processo todo foi ir mais fundo no Nascimento, ele que nem era pra ser o protagonista do Tropa de Elite. Cometemos alguns erros e tivemos que consertar na montagem, e foi desse processo que nasceu o personagem do Wagner", enfatiza Mantovani.

O que Nascimento demora a perceber é que todos os seus atos acabam por fortalecer um inimigo mais poderoso: um sistema comandado por polícias e políticos que extorquem os menos favorecidos em troca de uma falsa segurança. O apoio popular nas milícias dificulta ainda mais a visualização e combate ao problema. Com um humor mais ácido, a película atualiza os debates, ataca a superficialidade da versão anterior e abusa das cenas de ação - sucesso na primeira versão e agora coordenado por uma equipe especialmente vinda de Hollywood. O filme teve um custo de R$ 15 milhões.

Pirataria

Junto na produção de Tropa 2, Wagner Moura comentou o incidente da versão anterior, quando o vazamento de cópias piratas nas bancas e camelôs fizeram a película ser vista ilegalmente por 11 milhões de pessoas. "O que aconteceu com a gente no primeiro foi uma coisa traumática. É revoltante você ouvir boatos de que a gente tinha pirateado cópias para a divulgação do filme ou gente afirmando que esse era o jeito certo de democratizar o audiovisual. O que aconteceu foi um roubo!", enfatiza.



Para evitar o mesmo problema, um esquema especial foi organizado pela equipe de Padilha. Com câmeras, controle de acesso e sem Internet em locais onde tinha o formato digital, o filme foi tirado da ilha de edição em formato de película e guardado por muito tempo com uma equipe de seguranças. "Assim, se alguém quisesse piratear, teria que roubar os rolos e passar para o formato digital, em uma máquina que custa R$ 2 milhões. Mesmo assim, a gente saberia quem fez, pois todas as cópias são numeradas", conclui Padilha. Esse esquema, com a distribuição, gerou um custo maior para a produção de R$ 4 milhões.

Qualquer semelhança é mera coincidência

Como a maioria dos fatos tem como base acontecimentos que nortearam o Rio de Janeiro nos últimos anos, Padilha revela que muitos políticos e personalidades entraram em contato com empresas ligadas ao filme para afirmar que não eram os personagens retratados no longa. "Embora uma rebelião em Bangu tenha sido apaziguada após a negociação entre Beira-Mar e o deputado Marcelo Freixo; embora Marcelo tenha instalado uma CPI da Milícia após clamor da imprensa; e embora várias outras situações relatadas no filme tenham realmente acontecido, os grandes personagens não tiveram uma inspiração direta", assume o diretor.

Assim, Padilha completa um ciclo, iniciado com Sandro Nascimento no documentário Ônibus 174 (2002), passa por Tropa de Elite, até chegar ao Tropa de Elite 2, com um panorama geral de um estado que administra mal as suas instituições e que estimula a violência e repressão tão usada pela polícia e pelos criminosos. Com temática polêmica e de forte crítica à política, o Capitão Nascimento parece se despedir do seu público em um tom esperançoso, na voz do diretor. "Um filme não tem força para alterar a realidade, mas isso não significa que a gente tenha que deixar de fazer as coisas. Os filmes, os livros e a imprensa juntos podem fazer a diferença e temos que lutar por isso".

Confira a opinião dos espectadores que foram a pré-estreia do filme, a convite do Guia da Semana


*Fotos: Alexandre Lima/ Rogério Resende/ Belem Com

Atualizado em 10 Abr 2012.

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