Guia da Semana

Ainda não foi desta vez

Desde 1999, o Brasil não consegue uma indicação de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar

Apesar da torcida, O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias não foi indicado ao prêmio.

O filme O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias pode ter conseguido derrotar Tropa de Elite na disputa pela vaga do Brasil no Oscar, mas não foi o suficiente para que ele fosse indicado entre os cinco melhores do mundo. O longa de Cao Hamburger esteve entre os nove mais bem colocados, mas não vai participar da cerimônia, deixando mais uma vez o Brasil de fora da grande festa do cinema norte-americano. O resultado segue o retrospecto dos últimos anos, em que filmes como Cinema, Aspirinas e Urubus e 2 Filhos de Francisco também não chegaram à indicação, deixando certa frustração nos cinéfilos locais.

Apesar de o Brasil levar prêmios com seu cinema em alguns dos principais festivais do mundo, nunca chegou a conquistar este que é o mais visado. E esta história vem de longe, mais precisamente de 1963, quando O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, conquistou a Palma de Ouro, em Cannes, considerado o festival mais importante da categoria. Otimista, o filme concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, mas acabou perdendo para o francês Les Dimanches de Ville d´Avray.

Foram precisos não menos que 33 anos para que o país fosse novamente indicado na categoria. Em 1996, Fábio Barreto levou seu O Quatrilho para a festa, mas acabou derrotado pelo holandês A Excêntrica Família de Antônia. Bruno, irmão de Fábio, conseguiu ter seu O Que é Isso, Companheiro? (foto) indicado dois anos depois. Porém, a família Barreto, assim como o cinema brasileiro, foi derrotada novamente pela Holanda. Desta vez foi o drama Caráter que levou o prêmio.

A quarta e última indicação do Brasil na categoria de Melhor Filme Estrangeiro aconteceu em 1999, com Central do Brasil, de Walter Salles Jr. O filme, que era o favorito naquele ano, já sentiu que não era desta vez que conquistava o prêmio, quando a italiana Sophia Loren subiu ao palco para a entrega. Como era de imaginar, ela entregou para seu compatriota Roberto Benigni, com seu A Vida é Bela. Neste mesmo ano, o país somou mais uma indicação, a de Melhor Atriz, para Fernanda Montenegro.

Fora da categoria dedicada aos estrangeiros, o Brasil também conseguiu algum espaço. Mesmo assim, a estatueta nunca chegou a vir para os terrenos tupiniquins. Em 1986, O Beijo da Mulher Aranha (foto), co-produção entre Brasil e EUA, dirigido pelo argentino Hector Babenco, chegou a estar entre os melhores. A produção obteve quatro indicações, de Melhor Filme, Diretor, Roteiro Adaptado e de Ator, e até conseguiu ganhar uma delas. Quem levou, porém, foi o ator William Hurt. Assim, a desejada estatueta sequer saiu de solos norte-americanos.

Em 2004, foi a vez do brasileiro Cidade de Deus receber quatro sonhadas indicações. O longa concorreu aos prêmios de Melhor Direção, Roteiro Adaptado, Fotografia e Edição. Perdeu em todas. No mesmo ano mais um brasileiro foi para a cerimônia. Carlos Saldanha viu seu curta-metragem de animação, Gone Nutty, ficar entre os melhores do ano, mas também não foi o escolhido. Saldanha já havia concorrido no ano anterior, quando A Era do Gelo, do qual foi co-diretor, foi indicado ao prêmio de melhor animação.

Também não foi com muito sucesso que Paulo Machline foi à premiação da Academia de Hollywood. Ele havia sido indicado em 2001, com seu curta Uma História de Futebol, mas voltou de mãos vazias. Somente em 2005 que uma produção brasileira voltaria a ter a honra de ter um Oscar. Diários de Motocicleta (foto), de Walter Salles Jr, foi indicado como Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção. Ganhou o segundo, mas, para variar, a estatueta só chegou perto do Brasil. Foi o uruguaio Jorge Dexler, autor e intérprete da composição que ficou com o Oscar.

Como consolação, o filme inglês O Jardineiro Fiel, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles, também recebeu algumas indicações e chegou a levar a de Melhor Atriz, para Rachel Weisz. Porém, como o filme não era nem mesmo uma co-produção nacional, essas indicações nem chegam a contar para nós. Descartado do Oscar 2008, fica a esperança para 2009. Do mesmo Fernando Meirelles vêm a maior chance do país para o próximo ano. Cegueira, uma co-produção entre Brasil, Japão e Canadá é o que mais desperta interesse. Resta esperar mais um ano para saber se este ou outro filme nacional vai conseguir, enfim, trazer a estatueta para nosso país.

Atualizado em 6 Set 2011.

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