Guia da Semana

Cinema revolucionário

Benicio Del Toro, Laura Bickford e Rodrigo Santoro divulgam dois filmes sobre Ernesto Guevara em São Paulo

Foto: Gabriel Oliveira
Benício Del Toro, a produtora Laura Bickford, o organizador da Mostra de SP, Leon Cakoff, e Rodrigo Santoro na coletiva de Che.

Quando Steven Soderberg, Benicio Del Toro e a produtora Laura Bickford ganharam quatro Oscars pelo filme Traffic, em 2001, eles já tinham um outro projeto em mente que só se tornou real após anos de pesquisa. O ator e a produtora queriam fazer um filme sobre o revolucionário argentino Ernesto Guevara, conhecido como Che. Mais tarde, o diretor também entraria no projeto. O resultado foram dois longas espanhóis - sem qualquer financiamento dos EUA -, Che e Che - A Guerrilha. Os produtores, Benicio e Laura, e o ator Rodrigo Santoro, vieram ao Brasil para a exibição de ambos na 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e falaram sobre o trabalho.

"A primeira vez em que ouvi falar em Che foi em uma música dos Rolling Stones", revela Del Toro. Nascido em Porto Rico, no ano da morte de Guevara, o ator só descobriu sobre o revolucionário na adolescência. Quando começou a ler textos escritos por ele, percebeu o potencial narrativo. Pouco mais de 40 anos após sua morte, o argentino ainda causa grande comoção, o que ajudou na decisão de filmar momentos de sua vida. "Os valores de Che são universais, a questão é como implementar. O filme quer levantar essa questão para que a gente possa refletir", diz Laura.

O desejo de apresentar ao mundo estes valores, no entanto, não significa que os produtores concordam com eles. O guerrilheiro defendia a luta armada, principal divergência com seu intérprete, que afirma que "há outros meios, não apenas os fuzis, apesar de que há muito daquela época que ainda não mudou, está igual". Por isso, o filme também tentou não apresentar nenhuma visão de direita ou de esquerda, apenas o que apuraram, independente de ideologia. Assim, Laura avisa que "não queria alguém 100% herói ou 100% vilão, então quem for assistir e tiver uma visão radical de qualquer um dos lados, não vai gostar".

Foto: Gabriel Oliveira
O porto-riquenho Benício Del Toro, produtor e protagonista do filme.

O que ela quis foi que o filme servisse como uma metáfora do que acontece na América Latina, inclusive na Bolívia, país em que se passa Che - A Guerrilha. Ao contrário de Guevara, que foi rechaçado pela população, a equipe foi bem acolhida, apesar das dificuldades do país. "No início das filmagens teve um Xamã de uma tribo indígena que foi lá abençoar o filme". Bickford ainda afirma que a equipe, principalmente ela e Del Toro, chegaram a conhecer todos aqueles que tiveram contato com Guevara durante aquele período, sejam outros guerrilheiros, policiais ou agentes da CIA.

Por se tratar de episódios reais e bastante controversos, os atores não foram escolhidos através de testes, mas por entrevistas que indicassem se eles estariam aptos para representar aquele personagem. Ao produtor, coube o papel principal, ainda mais por ser quem mais estudou para a realização da obra. "Eu não sou Che Guevara, sou um ator interpretando o que eu aprendi", diz Benicio. Muitos acreditam que, além de ter levado o prêmio de melhor ator em Cannes, um outro Oscar está vindo para Del Toro. Até Rodrigo Santoro fica na torcida. O porto-riquenho, no entanto, disfarça quando questionado. "Atores são muito inseguros, um prêmio é bom porque é uma confirmação".

Foto: Gabriel Oliveira
Rodrigo Santoro, que interpreta Raul, irmão de Fidel Castro.

A modéstia, no entanto, acaba quando ele fala sobre seu trabalho como produtor. "Já sou um veterano. Tenho contatos". Santoro concorda com o colega, e acha que "o ator pode usar suas relações para fazer com que o projeto aconteça". Porém, nenhum dos dois se arrisca a também dirigir. Benicio chegou a fazer um curta em 1995, mas não pensa em voltar ao posto logo. Rodrigo quer, no máximo, ajudar a produzir a biografia do jogador Heleno de Freitas, que protagonizará. Mesmo assim, acham que ter estado do outro lado facilita o trabalho. "Quando ele vai dirigir também é ator, então acaba tendo um entendimento maior", afirma o brasileiro.

Apesar de viver um papel pequeno, Rodrigo Santoro interpretou alguém fundamental na história. Raul Castro, irmão de Fidel, foi quem o apresentou a Che. Mas, independente do personagem, o ator queria estar no filme. "Foi o primeiro projeto que eu fiquei apaixonado e que queria participar". Para isso, contou com a ajuda da amiga Laura, que convenceu Steven Soderbergh que ele era igual a Raul quando jovem. Para se preparar, Rodrigo enfrentou aulas intensivas de espanhol com um professor cubano, depois passou quase dois meses na ilha para saber o que é ser de lá. "Além de uma pesquisa para um trabalho, foi uma experiência de vida muito intensa", resume Rodrigo.

Atualizado em 6 Set 2011.

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