Guia da Semana

Crítica: mesmo com Pac Man alienígena, “Pixels” não assume vocação nerd e é aventura esquecível

Filme traz jogos de fliperama dos anos 80 como os vilões de uma guerra interplanetária

Os anos 70 e 80 realmente estão de volta. Depois de uma onda de remakes e sequências tardias, o público de trinta-e-poucos anos está prestes a ver mais um elemento de sua infância reaparecer nos cinemas. “Pixels”, comédia que estreia no dia 23 de julho, transforma a Terra num fliperama a céu aberto e faz de Pac Man, Centopeia e Donkey Kong os principais vilões de um ataque alienígena.

O longa foi inspirado por um curta de mesmo nome de Patrick Jean e é dirigido por Chris Columbus (“Esqueceram de Mim”, “Harry Potter e a Pedra Filosofal”), mas o nome que realmente salta da tela é o do ator Adam Sandler. O filme tem todas as características das comédias habituais do artista (um herói humilde e desacreditado, mas de bom coração, etc.) e, entre todos os protagonistas (o que inclui Kevin James, Josh Gad, Peter Dinklage e Michelle Monaghan), ele é o que ganha mais espaço e prestígio no roteiro.

A provável razão disso é que o principal roteirista, Tim Herlihy, é um colaborador frequente de Sandler. Contando com “Pixels”, já são dez longas juntos desde 1995, incluindo “O Paizão” e “Gente Grande 2”. Para quem não gosta desse tom cômico-sentimental, portanto, fica o aviso.

A história, pelo menos, é bem divertida. Em 1982, uma cápsula da Nasa é enviada ao espaço contendo informações sobre a cultura humana, incluindo imagens de um campeonato de fliperama. A mensagem é mal interpretada e, trinta anos depois, um exército alienígena chega para travar uma guerra contra a Terra, munido de versões gigantes dos personagens daqueles jogos.

O interessante é que a batalha segue as mesmas regras dos video-games: são três rounds e um chefão, e cada duelo tem sua hora marcada. Afinal, os aliens querem destruir a Terra, mas querem fazer isso direito.

Se a premissa é quase irresistível para quem gosta de games e aventuras fantásticas regadas com um humor nonsense, há no mínimo um problema sério com a execução: o filme não dialoga com o seu público. Ou melhor: não admite que seu público (aquele que vai assistir aos trailers e realmente se interessar pela ideia) é tão nerd quanto seus protagonistas, e perde oportunidades preciosas de dialogar com ele.

Atores de Game of Thrones, Senhor dos Anéis e X-Men estão juntos no elenco e isso é simplesmente ignorado. Para piorar, os jogos atuais são generalizados como “violentos e sem regras”, mostrando uma total falta de interesse em compreender o novo público gamer. Já para os jogadores old-school, apenas a sequência inicial será capaz de inspirar alguma nostalgia, já que as batalhas contra os alienígenas têm muito mais ação e efeitos especiais do que estratégia propriamente dita.

Mirando as massas, “Pixels” se afasta da originalidade do curta de Patrick Jean e se torna apenas mais um “filme-família” com as velhas piadas de sempre envolvendo mulheres, gays, militares e presidentes. Ideal para quem não quer pensar muito, mas quer dar algumas risadas com o herói Adam Sandler e seu time de coadjuvantes.

Atualizado em 14 Ago 2015.

Por Juliana Varella
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