Guia da Semana

Crítica: Nem morcego, nem capa. Mulher Maravilha é o melhor de “Batman vs Superman: A Origem da Justiça”

Gal Gadot interpreta a heroína no filme que estreia nesta quinta-feira, 24 de março

Estreia nesta quinta-feira um dos filmes mais esperados do ano. “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” é a mais nova investida da DC Comics nos cinemas e, como o nome indica, pretende preparar o terreno para um futuro filme da Liga da Justiça. Infelizmente para os fãs, o longa fica muito aquém do potencial.

Se o objetivo da DC era emular o que sua principal concorrente vinha fazendo nos cinemas, algumas diferenças são evidentes. Enquanto a Marvel já promovera filmes individuais com seus principais heróis antes de juntá-los em “Vingadores” e “Era de Ultron”, a DC resolveu introduzir uma série de personagens de uma única vez, apressando-se para construir seu próprio universo cinematográfico.

Trazer novos personagens sem preparação não foi, em si, uma escolha ruim, mas a gigante dos quadrinhos errou feio ao não aproveitar o que já tinha de bem sucedido junto aos fãs – como as séries de TV. Entre os heróis mostrados no filme, por exemplo, há uma menção ao “Flash”, mas, ao invés de escalar Grant Gustin, a produção colocou no papel o ator e músico Ezra Miller, rompendo com o próprio universo televisivo. Um tiro no pé, para dizer o mínimo.

Quanto aos heróis do título, duas das figuras mais populares da marca, já era esperado que eles seriam ofuscados pela chegada de uma terceira personagem – a Mulher Maravilha. Desde que as primeiras informações sobre o filme começaram a ser divulgadas, o público já se mostrara mais ansioso por ver Diana Prince (Gal Gadot) nas telas do que Bruce Wayne (Ben Affleck) ou Clark Kent (Henry Cavill, já apresentado em “Homem de Aço”). Afinal, esta é a primeira vez que uma super-heroína com esse calibre ganha uma representação digna nos cinemas.

Pelo menos nesse ponto, o longa de Zack Snyder não desaponta: a Mulher Maravilha de Gadot é segura, poderosa e independente, jamais se definindo como “a namorada”, “a femme fatale” ou “a versão feminina do herói”. Não é à toa que, quando ela aparece pela primeira vez de armadura e escudo, a plateia vai à loucura: ela é o melhor do filme.

O que não é, necessariamente, um bom sinal. “Batman vs Superman” tem problemas difíceis de ignorar. A trama não é surpreendente (considerando tudo o que já fora revelado nos trailers); o roteiro de David S. Goyer (“Homem de Aço”) e Chris Terrio (“Argo”) é confuso, apressando as cenas de ação sem trabalhar o contexto; e os protagonistas são incoerentes, jogados um contra o outro apenas pelo espetáculo visual.

O que poderia ser uma guerra épica revela-se uma briga tola e infantil. De um lado, Batman nutre um ódio cego por Superman, comportando-se de forma bruta e irracional (sem mencionar volátil) por motivos incompreensíveis. Devemos mesmo acreditar que ele, que se mostra cruel e sádico em sua própria luta contra o crime, se incomode tanto com o rival por causa de alguns inocentes perdidos na batalha contra Zod?

Pode-se argumentar que o personagem é inspirado numa versão mais agressiva escrita por Frank Miller, mas, sem uma história consistente para justificar suas ações, fica impossível defender o personagem. E o problema nem é (apenas) a atuação mediana de Ben Affleck.

Do outro lado, Superman é apresentado como um homem romântico, cujo heroísmo se resume a salvar Louis Lane (Amy Adams) dia sim, dia também. Ele é mostrado, ainda, como uma figura temida pela justiça americana (cá entre nós, quem poderia temer alguém tão obviamente bom?), mas esse conflito é explorado com tanta superficialidade que não é possível fazer uma interpretação mais política do longa.

Em relação a Batman, o herói de Krypton não parece nutrir nenhuma desavença pessoal, mas é forçado ao confronto por uma estratégia de Lex Luthor (Jesse Eisenberg) – esse que, também, não demonstra motivações suficientes para investir na destruição do semi-deus.

Luthor, aliás, promete ser motivo de controvérsia. Para “atualizar” o personagem, Eisenberg buscou uma caracterização jovem e contemporânea, misturando uma postura profissional despojada (há uma quadra de basquete na sala da empresa; balas infantis para os convidados) com um discurso marcado por referências literárias e históricas, que brotam a cada minuto em frases de efeito. O resultado é irritante.

“Batman vs Superman: A Origem da Justiça” certamente irá empolgar os fãs, ansiosos há muito tempo por esse combate, mas o filme não resiste a uma segunda sessão. Não há pano de fundo, não há construção psicológica dos personagens, não há nada que justifique, de fato, toda a pancadaria. Passado o burburinho, restará à DC torcer para que “Esquadrão Suicida” (agosto de 2016) e o filme-solo da “Mulher Maravilha” (2017), restaurem a credibilidade da marca nos cinemas. Aguardamos ansiosamente.

 

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Atualizado em 27 Mar 2016.

Por Juliana Varella
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