Guia da Semana

Crítica: “Sinfonia da Necrópole” ganha pontos pela ousadia, mas desaponta no roteiro

Musical de humor negro estreia no dia 14 de abril nos cinemas

Dois anos depois de circular pelos principais festivais de cinema no Brasil e acumular certa fama cult, finalmente chega aos cinemas o ousado “Sinfonia da Necrópole”, comédia musical de humor negro escrita e dirigida por Juliana Rojas (“Trabalhar Cansa”).

Se você não costuma gostar de musicais (este é um gênero de amor e ódio, afinal), é melhor passar longe. Números cantantes e dançantes pipocam a cada poucos minutos e a qualidade musical – principal motivo de rejeição a esse tipo de filme – não impressiona. Se o que lhe interessa é a comédia, então talvez valha dar uma chance.

“Sinfonia da Necrópole”, justiça seja feita, tem sua graça. Quase todo filmado no cemitério do Araçá, em São Paulo, o filme conta a história de um aprendiz de coveiro medroso e sensível chamado Deodato (Eduardo Gomes), que entra em conflito quando a administração decide remanejar as ossadas para dar lugar a uma grande reforma.

Quem entra em cena para realizar a mudança é Jaqueline (Luciana Paes), paulistana durona que tenta manter o colega afastado, mas acaba se envolvendo (porque, afinal, um homem e uma mulher na tela necessariamente têm que se interessar um pelo outro). Profissional, ela evita pensar nos mortos e faz seu trabalho de forma prática e eficiente – abrindo caixões e colocando os ossos em sacos plásticos.

Todo esse ambiente mórbido cria no espectador a ansiedade por ver o que acontecerá com Deodato quando, a pedido do chefe, ele fica no cemitério à noite como vigia. Como esperado, os mortos se levantam (e cantam, e dançam), mas é aí que os problemas começam.

O roteiro de Rojas é desesperadoramente inacabado. Se os cadáveres fazem um pedido ao protagonista, seria natural que suas ações a partir daí fossem guiadas pela aceitação ou recusa desse pedido, e que isso tivesse consequência no destino do cemitério – mas nada disso acontece.

Outros elementos também são inseridos sem o devido desenvolvimento: Deodato ganha uma gaita e nunca a utiliza; um personagem insiste que quer morrer e, quando isso finalmente acontece, sua partida não diz nada; outro personagem é apresentado como um inimigo do cemitério, mas suas desavenças jamais são explicadas. Etc, etc, etc.

Outro problema do longa é que ele se aproxima demais do teatro, fazendo de seus números musicais exibições óbvias de maquiagens verdes, roupas rasgadas e gelo seco. Há, ainda, uma tendência forte para o trash – o que, de certa forma, justifica a teatralidade e a aparência de filmagem caseira, mas não melhora o roteiro esburacado.

“Sinfonia da Necrópole” estreia no dia 14 de abril e deve dividir opiniões. A boa notícia é que o filme é curto: em apenas 85 minutos, você já poderá tirar suas próprias conclusões – só não diga que não avisamos.

Atualizado em 17 Abr 2016.

Por Juliana Varella
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