Guia da Semana

Crítica: “Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força” honra o legado da série sem se prender ao passado

Filme traz de volta aos cinemas o espírito épico da trilogia original

Como muitos fãs de Star Wars, fui assistir ao Episódio VII com medo. Medo de esperar demais e quebrar a cara, de descobrir que tudo não passara de uma grande piada de mau gosto. Afinal, a Disney prometera nos levar de volta “para casa” depois de tantos anos (10 desde o último filme, 38 desde o primeiro), mas qualquer deslize poderia trazer a sensação de estar entrando na casa errada, com os móveis ligeiramente fora do lugar e um cheiro de mofo no ar. É com alívio e certa euforia que informo que meu medo foi infundado.

Star Wars: O Despertar da Força” é exatamente o impulso do qual a franquia precisava para renascer nos cinemas, tanto para a antiga quanto para uma nova audiência. Não é preciso ter assistido aos seis episódios canônicos para acompanhar a história, mas quem assistiu se sentirá abraçado, como se reencontrasse um velho amigo. Os personagens da trilogia clássica retornam, imponentes, mas dividem a tela com novos rostos, tão interessantes e complexos quanto aqueles. Ao contrário do que se poderia recear, não há uma sensação de nostalgia, mas sim de continuidade, com uma nova saga florescendo no velho universo.

A trama se passa trinta anos após os eventos de “O Retorno de Jedi”. Com a morte de Darth Vader, a Força, os Sith os Jedi se tornaram lendas urbanas e a República pôde se expandir, enquanto um remanescente do Império – chamado agora de Primeira Ordem – tenta voltar ao poder, liderado por Kylo Ren (Adam Driver) e pelo misterioso líder supremo Snoke (Andy Serkis).

Um dos protagonistas, curiosamente, vem desse lado. Finn (John Boyega), cujo nome, na verdade, é FN-2187, é um Stormtrooper que não se identifica com a Ordem e decide fugir. Ele não é um clone, como outros troopers, mas faz parte de uma divisão formada por crianças tiradas de suas famílias e treinadas desde cedo.

Quem também não conheceu os pais é Rey (Daisy Ridley), uma catadora de sucata de Jakku que foi abandonada quando criança e espera até hoje pela volta da família. Forte, habilidosa e inteligente (sem contar independente), ela é a super-heroína que faltava nos cinemas, com direito a um bom desenvolvimento durante o filme. Tanto ela quanto Finn são trazidos à aventura por BB-8, um droide (adorável) que carrega uma mensagem importante para a Resistência – bem como R2-D2 fizera no Episódio IV.

Muitos fãs têm comentado que “O Despertar da Força” funciona mais como um reboot de “Uma Nova Esperança” do que como uma sequência, mas não é bem assim. Apesar de trazer semelhanças com a trilogia original, especialmente no roteiro, o filme não existiria sem aquele passado, que paira como um fantasma sobre a frágil tranquilidade daqueles planetas.

O novo vilão (Kylo Ren, não Snoke) faz jus à tradição de antagonistas fortes da franquia, sendo uma criatura extremamente cruel e poderosa, mas ainda em formação. Já os heróis, são divertidos e cativantes como foram Luke, Leia e Han em seu tempo, sem parecerem imitações deles.

Alguns personagens têm espaço limitado no filme, mas prometem crescer no futuro, expandindo o universo de forma coerente como promete a Disney (a partir de agora, afinal, será lançado um filme por ano, incluindo spin-offs). Para quem se pergunta se J.J. Abrams aproveitou alguma coisa do antigo universo expandido, pode-se dizer que sim – mas apenas ideias soltas, reformuladas sob novos nomes e contextos.

“O Despertar da Força” não escapa de pequenas falhas, como soluções mágicas e diálogos previsíveis, mas os erros são muito poucos comparados aos acertos. O espírito épico – característica mais importante da série – está 100% ali, fazendo desta uma experiência tão divertida quanto as anteriores (ou até mais). Para os fãs, é uma prova de que a Walt Disney está compromissada com o projeto e com o público. Para quem ainda não conhecia, é uma porta de entrada que formará novos apaixonados. Que venham mais episódios. 

Atualizado em 28 Dez 2015.

Por Juliana Varella
Compartilhe

Comentários

Outras notícias recomendadas

Festival gratuito de cinema francês pode ser visto em qualquer lugar

7ª edição do MyFrenchFilmFestival acontece entre 13 de janeiro e 13 de fevereiro

Sesc Santana exibe óperas europeias na tela de cinema

“A Flauta Mágica” e “Aida” têm exibições em janeiro

10 Filmes sul-coreanos que você precisa conhecer

Filmes como “A Criada” e “Invasão Zumbi” são exemplos do crescimento do cinema comercial no país

Michael Fassbender fala sobre a adaptação de “Assassin’s Creed” para os cinemas

Filme estreia no Brasil no dia 12 de janeiro

Natalie Portman encarna a Sra. Kennedy no pesado e surpreendente “Jackie”

Filme reconta o assassinato do presidente americano sob o ponto de vista da primeira-dama

Andrew Garfield fala sobre selinho em Ryan Reynolds no Globo de Ouro - e repete a dose em apresentador!

Ao falar sobre o assunto, Garfield beijou Stephen Colbert