Guia da Semana

Da corrida de bigas à crucificação: atores contam como foi filmar as cenas mais icônicas do remake de “Ben-Hur"

Rodrigo Santoro e Jack Huston estiveram em São Paulo para divulgar o filme que estreia no dia 18 de agosto

Acredite se quiser: um novo Ben-Hur está prestes a chegar aos cinemas, com toda a sua jornada épica de escravidão e vingança e, é claro, com uma corrida de bigas de tirar o fôlego. No papel principal da nova versão, está Jack Huston – um ator versátil que já foi de Jack Kerouac em “Versos de Um Crime” a George Wickham em “Orgulho e Preconceito e Zumbis” e estrelou séries como “Boardwalk Empire” e dramas como “Trem Noturno Para Lisboa”. Quem também aparece no remake é o brasileiro Rodrigo Santoro, que assume o papel de Jesus Cristo com uma abordagem diferente, mais realista e humana.

Os dois atores estiveram em São Paulo para divulgar o filme e conversaram com a imprensa sobre a pressão de viverem personagens icônicos, a parceria dentro e fora de cena e as mensagens que esperam passar para o público atual com uma nova interpretação do romance de  1880 e do clássico de 1959. Confira:

Dois filmes, dois tempos

“Na época do Ben-Hur de 1959, ninguém nunca tinha visto algo tão grandioso. A escala, o tamanho, a quantidade de extras e de cavalos, aquilo era um espetáculo”. O desafio de refazer um clássico épico, para o ator Jack Huston, envolveu tornar o filme relevante para uma nova audiência, que já não se impressionaria apenas com a grandiosidade de uma produção.

A solução foi trazer uma abordagem diferente: “A versão de Charlton Heston foi linda e icônica, e ele era um homem louco, forte, mas já era um homem desde o início. Eu sinto que, nesta versão, Judah é um menino no começo e esta é a sua jornada rumo à loucura. Acompanhamos sua relação com o mundo, com as pessoas e com a religião e o momento em que ele se torna um homem é quando ele aprende a perdoar”.

A atuação também foi um ponto importante na hora de distanciar a nova versão de sua irmã mais famosa: segundo Huston, nos anos 50 o estilo de atuação tendia a ser mais teatral e, para atualizar o filme para um público atual, foi necessário buscar uma interpretação mais naturalista, criando personagens humanos com quem o espectador comum poderia se identificar.

Um novo Jesus para um novo Ben-Hur


Para criar essa jornada de Ben-Hur – mais focada num aprendizado sobre o perdão e não na vingança em si –, foi essencial que o filme mostrasse um Jesus mais humano, como um homem de carne e osso que dá o exemplo ao protagonista e não como um pregador ou messias. “Descobrimos que Jesus para Judah não era o mesmo Jesus que conhecemos hoje. Ele era um homem que lhe mostrou gentileza e, seja qual for a sua religião, qualquer um pode se identificar com um ato de bondade de um ser humano”, reflete o ator.

Santoro concorda e acrescenta que seu personagem foi uma criação conjunta. “Desde o primeiro dia, Jack chegou batendo na porta do meu trailer freneticamente, querendo conversar sobre os papéis. E ali começamos um processo colaborativo: Jesus foi criado para aquele Ben-Hur. Foi o Jesus que o Rodrigo estava tentando fazer para o Ben-Hur que o Jack estava tentando fazer. E descobrimos que não havia uma forma certa de fazer: era a nossa forma”.

É claro que o medo de interpretar o personagem bíblico adorado mundialmente pesou na hora de aceitar o papel, mas o ator afirma que, apesar de todo o receio e das sensações contraditórias, quis assumir o desafio porque o aprendizado seria maior do que tudo aquilo. “Queria viver essa experiência pela profundidade do mergulho”, explica.

Cavalos de verdade

Você pensou que as corridas de bigas tinham sido filmadas sobre uma tela verde, com o auxílio de efeitos digitais? Nada disso: Huston e Toby Kebbell (que interpreta Messala) passaram três meses e meio treinando para conseguirem “pilotar” seus cavalos e ainda atuar.

“Foi muito real e muito assustador. No primeiro dia, o diretor teve que nos lembrar de atuar, pois nossas expressões eram de pânico" - contou o ator, lembrando-se da experiência ao mesmo tempo assustadora e excitante. "Depois descobrimos que, quanto menos você pensar sobre aquilo, melhor. Há um momento em que você abre mão de todos os pensamentos e medos e apenas existe, no presente, e isso se revela incrivelmente libertador. É quase como uma meditação, apesar de ser uma cena tão intensa.”

Crucificação e frio


“As pessoas dizem que a corrida de bigas ou a cena dos escravos foi difícil, mas, cara...  Se vocês estivessem lá na cena da crucificação!” – comenta Huston, cutucando o colega de elenco. Santoro então conta que, na noite anterior, havia nevado e o frio estava desesperador. Para piorar, chovia e, é claro, o figurino não ajudava.

O que eu pedi foi para fazermos um take longo e cortar uma vez, para não esquentar o corpo e esfriar novamente a cada corte”, conta Santoro, que conseguiu ter seu pedido atendido pelo diretor. “Mas não me lembro de qual take usaram. Só me lembro da primeira vez e, depois, congelei” – admite, entre risadas.

E que primeira vez: “Eu só conseguia ver o Jack, pois o diretor pediu para ter uma conexão com ele, e a gente estava no topo de uma montanha com a cidade toda lá embaixo e o sol caindo...”  - Neste momento, o ator não se conteve e um silêncio tomou conta do salão. Pouco depois, ele se recompôs: “O fato é que a cena foi fortíssima e eu nunca vou esquecer. É uma sensação indescritível estar pregado numa cruz e tendo que externalizar o sentimento do mundo e ressignificar o que Jesus diz.”

Atualizado em 17 Ago 2016.

Por Juliana Varella
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