Guia da Semana

De Búzios para o mundo

Acaba de chegar às telonas do país o único representante brasileiro a concorrer no Festival de Cannes 2009

Foto: Divulgação

Vincent Cassel e Laura Neiva vivem o escritor Mathias e a adolescente Filipa

Exibido na sessão oficial Um Certo Olhar, considerada a segunda mais importante de Cannes, o longa-metragem nacional À Deriva, do diretor Heitor Dhalia (Nina e O Cheiro do Ralo), teve repercussão em um dos festivais cinematográficos mais prestigiados do mundo. Avaliado pelos críticos como uma das boas surpresas do evento, o filme foi aplaudido por cerca de cinco minutos após sua exibição na Riviera Francesa, e criou muitas expectativas para a estreia.

Figurando no elenco nomes de peso como o ator francês Vincent Cassel (Irreversível e Senhores do Crime), as brasileiras Camilla Belle (10.000 A.C e Heróis) e Debora Bloch, até então ovacionada por papéis na TV. O longa conta, também, com a participação de Cauã Reymond. Porém, os louros ficaram para a novata Laura Neiva, 15 anos, na pele da protagonista Filipa. Além de dirigido, o filme ressalta a fotografia e o roteiro de Dhalia, baseado em uma experiência vivida na infância durante a separação de seus pais. O resultado é a mistura de amor e drama em meio a cenários paradisíacos de Búzios, que giram em torno de um tema: a confiança.

Projeto

Vivida no auge dos anos 80, a história é contada na visão da jovem Filipa, de 14 anos, que mora com dois irmãos mais novos, Fernanda (Izadora Armelin) e Antônio (Max Huszar). Além de passar por uma fase de descobertas na adolescência, a personagem assiste à relação conturbada do pai Mathias (Vincent Cassel), um famoso escritor francês radicado no Brasil, e da mãe Clarice (Debora Bloch), professora que enfrenta problema com álcool.

Após descobrir um caso amoroso do pai, surgem conflitos na casa e na relação paterna, que são abordados pelo diretor de forma delicada. Para climatizar ainda mais as cenas, o figurino de À Deriva foi produzido pelo estilista Alexandre Herchcovitch e a fotografia é um dos detalhes que fazem o espectador sentir o ambiente e a expressão dos personagens. "O tema confiança e traição estão presentes o tempo todo, e o filme se completa na cabeça de quem vê. O interessante é levar em conta que é subjetivo ter julgamento moral sobre qualquer pessoa", ressalta Heitor.    

Foto: Marcus Oliveira

Durante a coletiva Vincent Cassel, Debora Bloch, Laura Neiva e o diretor Heitor Dhalia

Made in França

Na mescla de anônimos com nomes tarimbados, a família era o foco principal durante a preparação do filme e, segundo Heitor, a interação do grupo fez com que ela realmente existisse e ganhasse vida. Os convites foram feitos a cada um de uma forma. Mas um, em especial, surgiu quando, ao zapear a TV durante o Carnaval, Heitor viu Vincent Cassel dando uma entrevista em português. "Sempre gostei da atuação dele. Precisava de alguém na casa dos 40 anos e, por meio do agente dele, enviei o roteiro do filme e um DVD de O Cheiro do Ralo. Ele adorou. Nos encontramos em Paris e ele não me deu certeza de que faria o filme, só algum tempo depois", comenta, aos risos, o cineasta.

Já se considerando um ator franco-brasileiro, Cassel esteve em Cannes ao lado dos demais intérpretes e se diz apaixonado pela língua e, principalmente, pelo povo brasileiro. "Foi um prazer muito grande trabalhar com toda essa equipe. Tudo que li e vi foi muito bom", elogia Vincent, marido da atriz Mônica Belluci e atual vencedor do prêmio César, considerado o Oscar do cinema francês (pelo filme Mesrine).

Deixando de lado a TV

Debora Bloch já passou por muitos personagens nas telinhas. Mas a atriz admite que fazer cinema é uma experiência muito mais gratificante, devido ao tempo de produção do papel e a verdade que ele passa. "O cinema é outra linguagem e muito mais gostosa do que a de TV. É possível elaborar muito melhor uma cena. Além disso, na televisão o objetivo é entreter e no cinema não é só isso, existe uma mensagem. Uma mãe bêbada sendo socorrida pela filha adolescente fala mais do que qualquer diálogo", ressalta.

Foto: Divulgação

Debora e Laura foram parceiras dentro e fora de cena durante as gravações do filme

Na visão do diretor, Debora é uma atriz forte e trouxe o que realmente era preciso para compor uma mãe que sofre com problemas de alcoolismo, divide a atenção com os filhos e enfrenta um relacionamento conturbado com o marido. "Os closes no rosto dela falam tudo. Muitas vezes, nem era preciso diálogo. Ela foi ótima na improvisação e, além disso, é muito disciplinada. Ela imprime toda a dureza da personagem, mas sem deixá-la totalmente antipática. Clarice também é humana, carinhosa com os filhos e não deixa de lado sua parte mulher", completa o diretor.

Direto da web

Arrancando elogios de elenco e produção, a adolescente Laura Neiva não deixou por menos, e tomou as rédeas da trama vivendo Filipa. Após uma seleção com média de 600 garotas, Dhalia não havia encontrado quem viveria a protagonista que contaria de forma sutil a história da família e, ao mesmo tempo, atravessaria o caminho entre a infância e as descobertas da adolescência. "Quando vi a foto de Laura, não tive dúvida. Como eu queria uma atuação muito naturalista, não entreguei o roteiro do filme a ela e a nenhum dos jovens. Desde a fase de seleção dos atores, os exercícios eram de improvisação e cena. Com certeza, o filme não tomaria a cara que tomou se não fosse a interpretação dela", elogia Heitor.

A jovem nunca havia feito nenhum trabalho no cinema e foi encontrada pelo Orkut. De início, pensou ser simplesmente um anúncio comum, desses divulgados frequentemente. Porém, não sabia que esse pequeno recado mudaria sua vida radicalmente. "Ainda não caiu a ficha do que eu fiz. Depois da insistência da produção e de ver que era realmente um trabalho sério, topei. Hoje, percebi que amei e que é o que quero fazer na minha vida", comenta a estreante.

Atualizado em 6 Set 2011.

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