Guia da Semana

Direto da Mostra

Não conseguiu ver tudo o que queria na Mostra Internacional de Cinema? Confira os filmes que estreiam em breve em circuito comercial



A 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo chegou ao fim. Os cinéfilos tiveram a oportunidade de ver 425 filmes de diversos países e gêneros, mas, com esta incrível oferta de títulos, muitos longas interessantes podem ter ficado fora da lista. Dos filmes que integraram a seleção, confira os que já estão em circuito e as datas daqueles que podem ser vistos, ou revistos, em breve nas salas de cinema.

Em cartaz

À Procura de Eric, de Ken Loach
O ponto alto desta comédia que abriu a Mostra é o roteiro, que abre espaço para a fantasia. Nele, Eric Bishop (Steve Evets), um resignado carteiro de classe média baixa cheio de problemas, vê sua vida tomar outro rumo quando, como em um passe de mágica, começa a receber visitas do polêmico jogador do Manchester e da seleção francesa dos anos 90, Eric Cantona - representado pelo próprio atleta. As engraçadas metáforas que o jogador usa para encorajar o xará são uma atração à parte. 

500 Dias com Ela, de Marc Webb
Esta deliciosa e criativa comédia romântica marca a estreia do diretor de videoclipes Marc Webb em longas. Subvertendo uma das regras do gênero, o personagem masculino Tom (Joseph Gordon-Levitt) é quem idealiza o amor em oposição à garota por quem ele se apaixona, Summer (Zooey Deschanel), que desde o início deixa claro que não quer um relacionamento sério. Outro diferencial do longa é a quebra da linearidade narrativa, por meio do intenso uso de flash-backs e flash-fowards, usada para descrever as etapas do relacionamento de 500 dias do casal. A trilha sonora, com canções de The Smiths, Black Lips, Feist, Simon & Garfunkel e Carla Bruni, possui referências a outros longas e a ícones da cultura pop, além da incorporação de um número musical e o figurino vintage de Summer, que ajudam a compor o clima. Esta produção norte-americana guarda alguns paralelos com o nacional Apenas o Fim, de Matheus Souza.

Hotel Atlântico, de Suzana Amaral
A diretora abandona o universo feminino neste terceiro filme que acompanha a trajetória de um homem solitário (Júlio Andrade) que viaja sem rumo ao sul do Brasil. Assim como em Cão Sem Dono, estreia de Júlio como protagonista no cinema, este longa revela um mundo distópico, em que o deslocamento do personagem parece não ter objetivo que não seja evitar a inércia ou buscar viver unicamente o momento presente, sem nenhuma esperança. Mariana Ximenes, João Miguel e Gero Camilo também integram o elenco.

Dezembro

Abraços Partidos, de Pedro Almodóvar
Quem acompanha a obra do diretor espanhol vai estranhar esta produção que, distante do potencial altamente questionador e subversivo de suas obras dos anos 80, retrata pela primeira vez um homossexual enrustido e complexado e uma mulher que se submete à violência masculina. Paternidade secreta, amores proibidos e terríveis acidentes compõem, como dita o gênero, este melodrama protagonizado por Penélope Cruz. Um de seus pontos altos é o filme dentro do filme, em que Almodóvar faz referência a Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos.

Aconteceu em Woodstock, de Ang Lee
Depois do magnífico drama Desejo e Perigo, premiado com um Leão de Ouro em Veneza, Ang Lee faz uma incursão no universo da comédia neste longa filmado em Hollywood. A abordagem do festival, que ficou para a história, é bastante original. O roteiro explora o processo de negociação do terreno em que seria realizado o evento, na interiorana cidade de White Lake, e as progressivas mudanças que o local vai sofrendo até o festival finalmente começar. A história é contada a partir do protagonista Elliot Tiber (Demetri Martin), o caricatural filho dos donos de um dos humildes hoteis que abrigaram aqueles jovens hippies. Lamentavelmente, o filme não explora a trilha sonora como poderia e, na tentativa de criar momentos cômicos, a mãe do protagonista acaba por cansar pelo exagero.

Fevereiro

Soul Kitchen, de Fatih Akin
Nada como ser surpreendido na Mostra. Com tantos filmes, muitas vezes a escolha dos títulos é feita por duas linhas de sinopse, premiações em festivais anteriores ou pelo diretor, como foi o caso deste longa. Não havia assistido aos outros filmes deste cineasta alemão de origem turca, mas resolvi apostar. Soul Kitchen se revelou uma deliciosa comédia que aborda a vida de Zinos (Adam Bousdoukos), jovem proprietário de um restaurante que passa por diversos contratempos, desde a ida da namorada para Xangai até uma hérnia de disco que obriga o personagem a andar mancando durante grande parte do longa, o que produz sequências hilárias. O irmão de Zinos, Illias (Moritz Bleibtreu), o cozinheiro Shayn (Birol Ünel) e a garçonete (Anna Bederke) se unem ao protagonista, formando uma rede de solidariedade e carinho, em uma espécie de nova configuração da família na contemporaneidade para ajudá-lo a se livrar das confusões.

Março

Corações em Conflito, de Lukas Moodysson
Leo (Gael Garcia Bernal) e Ellen (Michelle Williams) são um bem-sucedido e apaixonado casal que vive em Nova Iorque, com sua pequena filha e a babá de origem filipina. O longa se estrutura em multi-plots, tendência em alta no cinema contemporâneo transnacional, sendo um dos núcleos nos Estados Unidos, outro na Tailândia (onde o marido vai viajar a trabalho) e o terceiro nas Filipinas, em que moram os filhos da babá. Lukas Moodysson, na tentativa de abordar a globalização e a relação de exploração capitalista dos países desenvolvidos aos subdesenvolvidos (prefiro este termo ao utópico em desenvolvimento), faz um filme-tese, produzindo situações artificiais, como a presença de crianças em todos os núcleos para justificar o sacrifício dos pais e o foco no país em que foi produzida a bola de basquete comprada nos Estados Unidos para o menino filipino. Nota-se uma forte filiação entre este longa e Babel, do mexicano Alejandro González Iñárritu.  

Abril

A Batalha dos Três Reinos, de John Woo
Inspirado em uma batalha do livro Romance dos Três Reinos, escrito por volta do ano 1350, este longa, que ostenta o título da mais cara produção do cinema chinês, tem todos os clichês de uma super-produção épica de guerra: batalhas monumentais, muito sangue, heroísmo, efeitos visuais, cenários suntuosos e maniqueísmo. Os astros do cinema chinês Takeshi Kaneshiro e Tony Leung compõem o elenco deste que, entre estratégias de guerra, discute amor, ódio, vingança, dever e honra.


Quem é a colunista: Jornalista e cinéfila Cyntia Calhado.

O que faz: Repórter do Guia da Semana.

Pecado gastronômico: Pizza, chocolate, açaí...

Melhor lugar do Brasil: Onde se tem paz.

Melhor filme que já assistiu até hoje: Como é impossível escolher um, fico com a obra dos diretores Pedro Almodóvar, Eric Rohmer, Walter Salles e Domingos de Oliveira.

Para falar com ela: cyntia.calhado@gmail.com ou acesse seu blog  ou site

Atualizado em 1 Dez 2011.

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