Guia da Semana

Do auge à decadência

Os cinemas de rua remetem à forte efervescência cultural de uma época. Conheça as salas que fecharam suas portas, mas não saíram da história

Foto: Getty Image

As pomposas salas de décadas atrás foram, com o tempo, desativadas

A possibilidade de fechamento do Cine Belas Artes, em São Paulo, reascendeu uma antiga e polêmica: o que separa um importante espaço cultural de um patrimônio histórico da cidade? Depois de 68 anos de existência, o tradicional cinema paulistano, que fica entre a Avenida Paulista e a Consolação, corre o risco de ser desativado para ceder lugar a uma loja.

A notícia gerou forte comoção pública, e manifestações e abaixo-assinados foram organizados com intuito de chamar a atenção para o fato. A última cartada foi o pedido de tombamento, que foi protocolado na Prefeitura por organizações da sociedade civil. Com tamanho apelo, o tema entrou como pauta extraordinária da reunião do Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo), que abriu o processo de tombamento do imóvel e determinou o prazo de três meses para que seja decidido seu destino definitivo.

A história, que pode vir a ter um final feliz, lembra de muitos cinemas de rua que não tiveram a mesma sorte. Símbolo de um período marcante de efervescência cultural das principais metrópoles e capitais brasileiras, a maioria deles já não existe mais ou foram modernizados para assumir o caráter de "cinemão" e abandonar seus traços arquitetônicos originais.

Clássicos extintos

Foto: Divulgação

A distribuidora Playarte reformou o Cine Marabá (SP), mantendo apenas a fachada original

O Cine Marabá, em São Paulo, é um dos que receberam "banho de loja". Inaugurado em 1944 no centro da cidade, era considerado um dos principais pontos da chamada Cinelândia Paulista onde, nas décadas de 50 e 60, era obrigatório o uso de trajes black-tie para assistir às sessões. Com revestimento em ouro e escadarias de época, manteve suas bilheterias abertas durante 63 anos consecutivos, até 2007, quando a distribuidora Playarte investiu milhões para sua reforma. Dois anos depois, ele retornou às atividades como um moderno Multiplex, que hoje abriga cinco grandes salas e exibe películas do mainstream.

Entretanto, poucos da Cinelândia Paulista tiveram semelhante destino (ou qualquer destino que seja). A maioria das salas foi fechada - como o Art Palácio e Marrocos - no período de decadência cultural que atingiu o centro paulistano, ou passaram a exibir filmes pornográficos para não terem que encerrar suas atividades. Além disso, mais recentemente, a região da Avenida Paulista perdeu o Gemini, enquanto a Lapa ficou órfã do Cine Lilian Lemmertz.

A capital carioca também tinha sua Cinelândia, localizada no entorno da Praça Floriano,  na parte central da cidade. Assim como em São Paulo, a maioria dos cinemas que brilhavam durante a "época de ouro" foi extinta, como o Metro e o Patê, ou passaram a exibir títulos pornôs. Um dos poucos remanescentes é o Cine Odeon, que foi restaurado pela Petrobrás, mas manteve a tradição de cinema de arte com uma sala só.

Foto: Marcus Oliveira

O Multiplex substituiu o antigo formato de cinema com apenas uma sala

De Norte a Sul

A história se repete em estados das diversas regiões brasileiras. Em Fortaleza, a trajetória do Cine Moderno - que por muito tempo foi point da classe alta local - remete ao possível destino que amedrontou os frequentadores do Cine Belas Artes este ano: fechar as portas para que uma loja seja construída. Na lista dos que foram glamourizados em décadas passadas e entraram em declínio na capital cearense estão também o Cine Diogo, Rex e Jangada.

Após 67 anos de existência, o belo prédio do Cine Avenida, em Porto Alegre, foi fechado e, em seguida, repaginado para abrigar uma casa noturna, a Pub Cine Avenida. Já em Florianópolis, o Cine Art 7, que foi referência como cinema de arte entre 1986 e 1997, foi 100% desativado para que fosse instalada a sede central da Badesc (Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina)

Em terras baianas, o Cine XIV, em pleno Pelourinho, é um dos que tiveram um final feliz. Voltou recentemente ao circuito, por meio de uma parceria entre o Banco do Nordeste e o Saladearte, com um projeto que se propõe a valorizar o cinema brasileiro. Os filmes nacionais são hoje exibidos por apenas R$ 2,00, e o espaço promove ainda oficinas gratuitas de audiovisual.

Atualizado em 10 Abr 2012.

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