Guia da Semana

Entrevista com o Emile Hirsch

De Los Angeles


Liguem seus motores e apertem os cintos! A corrida de Speed Racer vai começar e, para entrar no clima, uma entrevista rapidinha com Emile Hirsch, direto de Las Vegas.

Fábio Barreto: Como foi fingir que estava dirigindo um carro?
Emile Hirsch: O Gimble foi o mais... Primeiro deixe-me explicar o que é o Gimble. O Gimble é o dispositivo mecânico com uma bomba de hidráulico ligada ao chão, onde você senta a uns 70 pés e fica mexendo. A câmera capta esses movimentos e os coloca com a tela verde no fundo. Dependendo do que eles fazem com os efeitos, no final parece que você está voando pela tela no carro. E também dependendo de quem estava no comando do Gimble, eu ficava com mais tonturas no final do dia. Pois é como jogar videogame. Você tem um joystick que mexe o carro do seu corredor. Quando o Larry Wachowski operava o Gimble, eu ficava bem mal (risos).

Mas você se machucou alguma vez?
Emile Hirsch: Tirando o enjôo, a dor muscular e ocasionalmente bater bem forte no Gimble e ficar com um roxo, foi tranqüilo.

E você ficou desapontado de não poder dirigir um carro de corrida de verdade?
Emile Hirsch: Eu fiquei aliviado, porque a velocidade que esses carros andam na vida real é de 500 milhas por hora, e eu não sei se iria querer andar nessa velocidade. Parece muito perigoso.

Como foi filmar meses a fio no local somente com a tela verde de fundo?
Emile Hirsch: Você fica três meses olhando para uma tela verde, e quando vira tem um macaco pulando para cima e para baixo. Você pensa "Em que planeta eu estou?". Mas foi um planeta divertido de se estar.

Os Irmãos Wachowski não conversam com a imprensa, mas aparentemente conversam muito com os atores. Como eles são, porque para nós isso é um mistério?
Emile Hirsch: Eles contam milhares de histórias divertidas, e são muito espertos e gente boa. Eles comandam um set maravilhoso, a equipe sempre os adora. Eles gostam de privacidade, e eu não os culpo.

Quando você os conheceu pela primeira vez?
Emile Hirsch: Eu os conheci durante as filmagens de Matrix Reloaded. Fiz o teste para um papel, e não fui chamado. Então achei que eles não tinham gostado de mim, e que não iria conseguir esse papel também.

E agora você está filmando Milk?
Emile Hirsch: Na verdade, eu já terminei de filmar minha parte. Esse projeto começou após as filmagens de Speed Racer. O Gus Van Sant perguntou de mim para o Sean Penn e ele disse "O quê? Eu acabei de passar nove meses na natureza com esse menino, eu não quero olhar para ele de novo!" (risos).

Como foi trabalhar com o Sean Penn ao seu lado como ator, e não como diretor?
Emile Hirsch: Foi maravilhoso. Ele é um grande ator, incrível. Foi um privilégio ver ele atuando, aprendendo. Ele é como um mentor para mim.

Você está preparado para o sucesso de Speed Racer no mundo todo? O merchandise...
Emile Hirsch: Creio que sim. Eu cresci com o Speed Racer, eu amava o desenho quando era criança. Então é excitante poder interpretá-lo.

Qual característica do Speed Racer do desenho você acha que o filme captura melhor?
Emile Hirsch: O tom. Porque em Speed Racer tem horas que o tom está engraçado, depois vira uma coisa mais dramática, e depois vem uma cena de ação. E o desenho consegue misturar tudo de um jeito único. E os irmãos Wachowski tentaram capturar isso.

Você pode nos contar um pouco sobre o seu personagem em Milk?
Emile Hirsch: Eu interpreto Cleve Jones, que foi o fundador da "AIDS Quilt". Ele era um conhecido ativista pelos direitos gays na época que Harvey Milk foi assassinado.

E você teve a oportunidade de conhecer o verdadeiro Cleve?
Emile Hirsch: Eu ficava com ele no set todos os dias, e isso me ajudou bastante na interpretação.

Qual a melhor parte de ser o Speed Racer?
Emile Hirsch: Poder assistir depois. Além da equipe que trabalhava comigo. Quando você passa tanto tempo na frente da tela verde, é bom poder contar com essas duas coisas.

E o que vocês faziam para se divertir na Alemanha?
Emile Hirsch: Tomamos muita cerveja! (risos) Visitamos muitos lugares: o Muro de Berlim, o Museu dos judeus, o Tiergarten, o Portão de Brandenburgo, que acabou parando no filme, porque os Wachowski o amaram. É o início e término de uma das pistas, mas será reconhecível.

O que você mais quer ver do filme quando ele ficar pronto?
Emile Hirsch: A corrida final. Eu só a vi sem os efeitos, porque eles são muito complicados. Vê-la completa será o máximo, até porque os irmãos Wachowski ficaram nos atiçando: "Vai pirar a sua cabeça".

Você acompanhou alguma corrida de verdade para o papel?
Emile Hirsch: Eu fui a uma das corridas de Nascar e conheci o famoso piloto Jimmy Johnson.

Nós só vimos cenas de corrida até agora. O filme tem muita ação, ou ele também tem cenas para a construção dos personagens?
Emile Hirsch: O filme tem MUITA ação. Mas uma coisa que o pessoal que assistiu a mais pedaços comenta muito é que Speed Racer não é um herói solitário. Ele tem uma família que é sua equipe. Em Nascar, cada piloto tem uma equipe, e ele tem sua família. Então, o filme passa muito tempo com a família: seus pais, seu irmão menor, o chimpanzé de estimação.

Houveram problemas com o chimpanzé nas filmagens?
Emile Hirsch: Uma vez, o chimpanzé ficou bravo e começou a correr sem parar. Eram dois chimpanzés na verdade, e eles filmavam como as irmãs Olsen. Quando um se cansava, eles traziam o outro.

Como você se sente nesse ponto da carreira, com Na Natureza Selvagem e Speed Racer?
Emile Hirsch: Eu tenho trabalhado ultimamente em São Francisco, então não tenho sentido nenhuma diferença. Vocês devem imaginar que é uma loucura, com festas, e agentes e produtores me ligando, mas não é assim.

O que você gosta de fazer no seu tempo livre?
Emile Hirsch: Eu gosto de ler, ir ao cinema, malhar e sair com os amigos.

Foto: Divulgação

Leia as entrevistas anteriores do nosso correspondente:

  • Robert Downey Jr.: Ator revela como é ser um super-herói

  • Miley Cyrus: Veja como foi o bate-papo com o furacão teen Hannah Montana

  • Rachael Taylor: Novata começa a fazer sucesso no cinema no terror Imagens do Além

    Quem é o colunista: Fábio M. Barreto adora escrever, não dispensa uma noitada na frente do vídeo game e é apaixonado pela filha, Ariel. Entre suas esquisitices prediletas está o fanatismo por Guerra nas Estrelas e uma medalha de ouro como Campeão Paulista Universitário de Arco e Flecha.

    O que faz: Jornalista profissional há 12 anos, correspondente internacional em Los Angeles, crítico de cinema e vivendo o grande sonho de cobrir o mundo do entretenimento em Hollywood.

    Pecado gastronômico: Morango com Creme de Leite! Diretamente do Olimpo!

    Melhor lugar do Brasil: There´s no place like home. Onde quer que seja, nosso lar é sempre o melhor lugar.

  • Atualizado em 6 Set 2011.

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