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Nosso colunista conta um pouco da história do formato curta metragem que foi o primeiro a existir no cinema mundial



Até 27 de agosto, acontece o 21º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo. Serão mais de 400 curtas exibidos em nove salas e entrada grátis. Não há oportunidade melhor e mais econômica de se apreciar um bom panorama, amplo e diversificado, da produção contemporânea global desse formato. Pode-se até dizer que é uma chance de antever tendências, pois o curta é a entrada natural de todo cineasta iniciante na produção audiovisual.

O formato curta metragem é singular. Foi primordial no nascimento do cinema, pois, na época, não havia tecnologia para a produção de películas de longa duração. O formato "curto" perdurou durante quase todo o período chamado "primeiro cinema", de 1895 até 1915, quando se consolida a narrativa clássica, marcada, construída e agregada por D. W. Griffith com o monumental O Nascimento de uma Nação. Não que este seja o único longa metragem realizado até então, mas certamente é o que representa melhor a "virada" de duração curta para longa.

O curioso, quando se pensa nisso, não é apenas a inversão da supremacia do formato curto sobre o longa. Hoje é mais, claramente, por questões comerciais e - porque não - culturais (afinal, quem hoje sai de casa exclusivamente para ver um, ou um punhado, de curtas?), mas também o papel que este formato teve e tem hoje.

Se no princípio tudo era novidade, nada mais justo dizer que os primeiros filmes na fase do Primeiro Cinema eram experimentações. Se não de linguagem propriamente dita, certamente de possibilidades técnicas. Aos poucos, a câmera foi ganhando, por assim dizer, traquejo e passou a visitar algumas de suas muitas possibilidades objetivas e subjetivas. Esgueira-se da reprodução teatral da imagem e passa a querer buscar outros diálogos, outras formas e a criar e desenvolver sua própria linguagem.

O que o cinema, enquanto história e desenvolvimento, quis com os curtas de sua "infância" foi experimentar, alcançar, buscar possibilidades, descobertas, sentidos e linguagem própria. E o curta metragista de hoje quer isso ainda, mas numa diferente medida. Não a rigor, é certo, mas em princípio. Afinal, se o cinema de longa metragem exige, num certo e muitas vezes opressor sentido, uma "comercialidade" na construção da obra, o curta é a forma ideal para ousar, arriscar, aprender. Tudo isso livre das amarras do mercado.

Assim, o formato serve tanto de porta de entrada para o iniciante, que busca escrever em suas primeiras imagens as próprias ideias, como serve também para aquele cineasta experiente, como exercício e experimentação formal, ou mesmo incubadora de ideias, ou proposta para um futuro filme com mais fôlego.

Por sua maleabilidade, por seu descompromisso comercial e sua natural vocação para o novo, o formato curta é sempre o meio ideal para apurar o olhar cinematográfico do cinéfilo, de conhecer as tendências de forma e linguagem, tomar contato com a vanguarda cinéfila e descobrir as novas experiências de já conhecidos diretores de longas.

Com a chegada de mais um festival de curtas, temos nova oportunidade de ver desfilar, diante de nossos olhos, os olhares dos outros, seja sobre a realidade, sobre a ficção, sobre o pensar cinema ou sobre o nada. É cinema rápido, mas nem por isso raso. Uma chance de se surpreender com o novo, de se intrigar com o breve e de refletir intensamente sobre o panorama que, ao final de cada festival, se desdobra e ganha forma. E melhor de tudo: grátis.

Se eu fosse você, não perderia.

21º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo
Data: de 19 a 27 de agosto.
Salas:
Cinemateca BNDES
Cine Petrobras
Cinesesc
MIS - Museu da Imagem e do Som
CCSP - Centro Cultural São Paulo
Espaço Unibanco de Cinema - Augusta
Cine Olido
Cineclube Grajaú

Leia as colunas anteriores de Rogério de Moraes:

Filme B

O que vem por aí

Comparações

Quem é o colunista: gordo, ranzinza e de óculos.

O que faz: blogueiro, escritor e metido a crítico de cinema.

Pecado gastronômico: massas.

Melhor lugar do Brasil: qualquer lugar onde estejam meus livros, meus filmes, minhas músicas, meus amigos e minha namorada.

Fale com ele: rogercodegm@gmail.com ou acesse seu blog

Atualizado em 6 Set 2011.

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