Guia da Semana

Estreando em longas

Philippe Barcinski fala ao Guia da Semana sobre seu primeiro filme, Não Por Acaso

Philippe Barcinski e Letícia Sabatella nos bastidores de Não Por Acaso

Quem acompanha curtas nacionais já se acostumou a ouvir falar do carioca radicado em São Paulo Philippe Barcinski. Principalmente depois de 2001, quando o cineasta fez Palindromo, que, com uma narrativa bem inusitada, chamou a atenção de muita gente. Para quem ainda não o conhece, porém, o lançamento de seu primeiro longa-metragem, Não Por Acaso, é uma forma de começar a acompanhar sua carreira.

Tudo começou quando Philippe ganhou a Bolsa Vitae de Apoio às Artes para começar o roteiro do longa, com a ajuda de sua mulher, Fabiana Werneck Barcinski, e de Eugênio Puppo. Para um cineasta acostumado com pouco tempo, a dificuldade foi "não fazer um curta de 90 minutos", disse. Apenas o jogo de linguagem, que ele já estava acostumado, não era o bastante, visto que em um longa, "pode se fazer a experimentação que quiser, mas precisa de um desenvolvimento dos personagens", afirma ele. Por isso, o roteiro demorou cerca de cinco anos para "achar a sua equação temática e estética", revela.

Tendo cursado faculdades de física e cinema, o diretor sempre teve a preocupação de que em seus filmes houvesse "um jogo entre o pensamento cartesiano e o emocional", diz. Neste não foi diferente, já que mostra dois homens, interpretados por Rodrigo Santoro e Leonardo Medeiros, que tentam controlar tudo, mas não conseguem controlar os sentimentos. Esta preocupação com o equilíbrio veio de longe, já que ele cresceu na companhia do pai, engenheiro, e da mãe, filósofa, que juntos contribuíam com o balanço entre exatas e humanas.

Para ele, o filme parece ter atingido este balanço. "Quem vai nos cinemas buscando uma história entre pai e filha, entre homem e mulher, vai encontrar. Quem espera sair depois do filme para discutir, debater sobre ele, também encontra o que quer", espera Barcinski. Porém, não foi apenas este equilíbrio que precisou encontrar. Foi difícil filmar em São Paulo, pela sua poluição visual. "Espero que o projeto Cidade Limpa melhore isso", disse o diretor.

Havia duas opções, filmar uma cidade irreal, procurando locais e enquadramentos que privilegiassem uma beleza que faz parecer que não é São Paulo, ou em um tom mais documental, mostrando a sujeira da cidade. Para resolver, ele usou a pesquisa, tirando mais de quatro mil fotos da cidade para achar uma forma de não cair em nenhuma das duas fórmulas. Mas filmar na cidade também trouxe problemas operacionais.

Acostumado a filmes mais amadores, ele percebeu que para Não Por Acaso seria diferente. Cenas que imaginou serem simples, precisaram de muito preparo. Como não podia parar o trânsito em um dia comum, as filmagens ocorreram no fim de semana. "Tivemos que fazer um acordo com os lojistas para que eles abrissem as lojas", revelou. E Barcinski ainda completa que "os carros eram todos nossos e todos eram figurantes". O que foi possível, principalmente, pela produção da O2 Filmes, de Fernando Meirelles.

O trabalho de Barcinski na O2 já vinha de longa data. Dois de seus curtas, Palindromo e A Janela Aberta, foram feito lá, além de um episódio da série Cidade dos Homens, entre outros trabalhos. A confiança de Meirelles nele era tanta que sempre dizia que quando Philippe fosse filmar um longa, ele queria produzir. "Fernando Meirelles é um cineasta incrivelmente generoso", revela o estreante ao lembrar que ele aproveitou seu sucesso com Cidade de Deus para "alavancar outras pessoas", como o próprio Barcinski.

O trabalho com os atores também envolveu muita pesquisa. "Acredito muito na preparação dos atores", afirma. Para compor seu personagem, Rodrigo Santoro fez laboratório em marcenarias, onde chegou até a trabalhar. Além disso, teve doze aulas com um professor de sinuca, durante 3 a 4 semanas. Na primeira aula, Barcinski chegou a tentar aprender junto, mas a determinação de Rodrigo era tanta que o ator ainda estava bem, enquanto o diretor já estava exausto.

Com Leonardo Medeiros, a pesquisa foi ainda mais intensa. Como o personagem Ênio trabalha como engenheiro da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo - CET -, Philippe teve que conversar muito com os engenheiros e controladores da empresa. Assim como o ator, que precisou inclusive aprender a manusear os equipamentos para rodar suas cenas.

Com o lançamento de Não Por Acaso, Barcinski já pensa nos próximos filmes e dois projetos já estão iniciados. O primeiro, Sob Pressão, que também deve ter a participação de Santoro, é um roteiro que está escrevendo através do PAC - Programa de Ação Cultural - da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Além disso, foi convidado para dirigir Valsa Negra, uma adaptação do livro de Patrícia Melo, que está sendo roteirizado por Marcos Bernstein, de Central do Brasil.

Atualizado em 6 Set 2011.

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