Guia da Semana

Jovem e Bela explora a prostituição sob os olhos de uma adolescente

Drama de François Ozon provoca o espectador sem precipitar julgamentos

O novo filme de François Ozon, diretor de Potiche: Esposa Troféu e Dentro da Casa, não tem o humor do primeiro nem o suspense do segundo, mas revira tabus com a mesma naturalidade que seus sucessos anteriores. Em Jovem e Bela, a questão da vez é a prostituição – e todo o pano de fundo psicológico capaz de justificá-la aos olhos de uma adolescente.

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Marine Vacth, 23 anos, é uma surpresa no papel de Isabelle, ninfeta com olhos melancólicos e ar de indiferença provocativa – algo que lembra muito Catherine Deneuve em “A Bela da Tarde”. Ela acaba de completar 17 anos durante as férias de verão com a família.

As estações, por mais batida que seja a estratégia, compõem a estrutura do filme: do verão à primavera, cada descoberta é acompanhada por uma fase do ano e uma canção-tema (“L’Amour d’um Garçon”; “A Qua ça Sert?”; “Première Rencontre”; “Je Suis Moi” – todas de Françoise Hardy).

A jornada de Isabelle começa na praia, onde toma sol de topless plenamente consciente de seus seios recém-crescidos. Ela conhecera um garoto. Algo está para acontecer. Mas Ozon não quer contar a história de um amor de verão. O objetivo desta menina não é se apaixonar, mas sim perder a virgindade. É uma “missão”, que ela compartilha com o irmão mais novo como se fosse um jogo.

A primeira vez de Isabelle, nem é preciso dizer, é frustrante. Sem prazer, sem sentimento, ela vê sua própria imagem à distância e compreende que nunca mais será a mesma. Agora, é adulta. E, apesar de não gostar do ato em si, gosta da ideia de se sentir adulta.

O “namoradinho” da praia é logo substituído por uma infinidade de homens muitos anos mais velhos, com muitos euros. Sem levantar suspeitas, Isabelle vai da escola aos quartos luxuosos de hotéis, depois volta para sua casa confortável para encontrar seu irmão curioso, sua mãe permissiva e seu padrasto, incapaz de assumir qualquer responsabilidade pelos filhos da esposa. O pai é uma lembrança distante em datas comemorativas.

Aos olhos do espectador, a ausência da figura paterna é a causa mais óbvia das ações da adolescente, mas, na cabeça de Isabelle, o sexo é uma mistura de brincadeira e trabalho. O fato de os clientes serem todos mais velhos revela muito sobre suas carências, mas ela ainda não sabe disso. Ela não acredita mais em amor – suas ilusões românticas foram todas quebradas sobre a areia da praia.

No final, Ozon nos apresenta o sexo como um grande teatro – ali, Isabelle pode fingir que é mulher e que é dona de sua vida. E talvez seja mesmo – afinal, nem sua mãe, nem seu pai, nem seu psicólogo têm autoridade para dizer-lhe o contrário.

Atualizado em 24 Nov 2013.

Por Juliana Varella
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