Guia da Semana

Leonardo DiCaprio é o ponto alto de O Grande Gatsby

Ator injeta tensão e humanidade na adaptação de Baz Luhrmann

Esqueça a moda, a música, a direção de arte. Se há um bom motivo para assistir a  O Grande Gatsby, do diretor Baz Luhrmann, é para ver o ex-garoto-prodígio de Hollywood, Leonardo DiCaprio, em uma das grandes atuações de sua carreira.

+ Conheça os looks do filme
+ Confira as estreias da semana
+ Veja outros filmes imperdíveis que estreiam em junho

Luhrmann tem sido muito questionado por sua megalomania: foi ele quem criou o operesco Moulin Rouge e o longuíssimo Australia, além da adaptação adolescente de Romeu e Julieta com DiCaprio em 1996. Em O Grande Gatsby, porém, nem mesmo a excentricidade do diretor consegue ofuscar o drama pessoal do personagem vivido por DiCaprio, Jay Gatsby: o homem que sobe aos céus e às estrelas só para reconquistar um amor do passado e que despenca tão vertiginosamente quanto ascendeu.

A trajetória é narrada por Nick Carraway (Tobey Maguire), um eterno observador: como os olhos que estampam um outdoor na estrada por onde passam os personagens, Nick nunca chega a ser um protagonista – essa não é a sua história. Ele observa, sofre, ajuda, guarda segredos e só os reconta anos depois, no livro que escreve como terapia. Ele é primo de Daisy (Carey Mulligan), uma garota rica de Nova York que se casou por conveniência com o infiel Tom Buchanan (Joel Edgerton) e que é capaz de usar vestidos de festa em plena luz do dia, apenas pela diversão.

Tobey Maguire é Nick Carraway

Nick também é vizinho de Gatsby (DiCaprio), um misterioso ricaço que organiza festas gigantescas em sua mansão, cujo rosto e o passado quase ninguém conhece. Gatsby é refinado e poderoso, mas também solitário como o próprio Nick. É perto de Daisy que ele se transforma, revelando uma criatura frágil e assustada, quase infantil. Não é só Daisy que ele ama: é o sonho de futuro que ela um dia representou, e que hoje parece tão próximo. Seu amor tange a obsessão, mas transborda ingenuidade. É triste testemunhá-lo.

Mesmo quando o filme ameaça cair num thriller tedioso de perseguição ou assassinato, DiCaprio segura a onda e lembra o espectador de que Gatsby é o centro do drama – não o adultério de Daisy nem o crime. Luhrmann, consciente disso, usa a direção para emoldurar o sonho trágico do herói: o festival de cores vivas, ângulos vertiginosos e cortes descontínuos só fazem reforçar o deslocamento de Gatsby e do próprio narrador diante de uma sociedade apoiada em aparências.

O festival de cores e estampas que marca os trabalhos de Luhrmann

A trilha sonora tem seus pontos fortes nas batidas de black e em interpretações melancólicas como a Back to Black de Beyoncé. O resultado é um clima de rebeldia que quase destoa da elegância de Gatsby e Daisy, mas que faz sentido no conjunto concebido por Luhrmann. Um conjunto que respeita a obra original, mas que carrega um brilho próprio: seja na beleza incontestável da direção, seja no talento de Leonardo. O resto é luxo.

 

Atualizado em 12 Fev 2014.

Por Juliana Varella
Compartilhe

Comentários

Outras notícias recomendadas

Reese Witherspoon quer fazer "Legalmente Loira 3"

"As mulheres precisam desse tipo de positividade hoje em dia", disse a atriz ao E! News

10 Filmes da Sessão da Tarde para ver na Netflix

“Operação Cupido” e “Aventureiros do Bairro Proibido” estão entre os filmes nostálgicos em cartaz

“Estrelas Além do Tempo” revela as mulheres negras que mudaram a história da NASA

Longa inspirador e bem-humorado estreia no dia 2 de fevereiro nos cinemas

“A Cura”: diretor de “O Chamado” retorna ao terror com longa sinistro e hipnotizante

Filme chega aos cinemas no dia 16 de fevereiro

“O Poderoso Chefinho”: animação adorável sobre um bebê “adulto” estreia em março (e vai conquistar seu coração)

Filme explora a relação entre um menino de 7 anos e seu novo irmãozinho

Final do Super Bowl será transmitida ao vivo nos cinemas

Evento acontece no dia 5 de fevereiro e terá show de Lady Gaga no intervalo