Guia da Semana

Mamonas pra Sempre

No aniversário de 15 anos do trágico fim do grupo, estreia documentário sobre os Mamonas Assassinas

Fotos: Divulgação / Europa Filmes
 
A carreira de sucesso dos Mamonas foi interrompida tragicamente.


Quem nasceu até os anos 90 dificilmente passou imune ao fenômeno musical causado por cinco rapazes bem humorados de Guarulhos (SP). Afinal, foi na companhia desses caras que  ficamos pelados em Santos, andamos de Brasília amarela e fomos parar numa festa pra lá de estranha com a portuguesa Maria. Justamente para homenagear o saudoso grupo Mamonas Assassinas, que em menos de dez meses saiu do anonimato e se tornou um dos maiores fenômenos musicais brasileiro, chega aos cinemas o documentário Mamonas Para Sempre, com estreia prevista para o dia 17 de junho.

Com mais de três milhões de cópias de seu único álbum vendidas, o grupo - formado por Júlio Rasec, Bento Hinoto, Sérgio Reoli, Samuel Reoli e Alecsander Alves - conquistou crianças e adultos. A meteórica carreira durou exatos oito meses, entre julho de 1995 e março de 1996 e foi interrompida abruptamente por um acidente de avião fatal.

De acordo com o diretor do filme, Cláudio Kahns, o projeto de mostrar os bastidores da banda surgiu por acaso. Todo o processo de produção, conta, durou cerca de quatro anos. Ele explica que, inicialmente, as entrevistas serviriam de base para o roteiro de um longa-metragem de ficção sobre os Mamonas Assassinas. "Porém, como ficaram muito boas, acabamos transformando esse material em documentário".

Segundo Cláudio, a demora para o lançamento foi causada por uma questão burocrática. "Como é um filme com muito material de arquivo, foi preciso negociar e obter autorização com os detentores dos direitos de imagem". Detalhes técnicos, como a transposição do som HD para o Dolby, também causaram esse atraso, ressalta.

O início da Utopia

 
Tudo começou quando os irmãos Samuel e Sérgio Reoli se juntaram a Bento Hinoto e formaram uma banda


A trajetória dos cinco rapazes de Guarulhos tem início em 1989. Naquele ano, o baterista Sérgio Reoli conheceu Maurício Hinoto na empresa em que ambos trabalhavam. Ao descobrir o interesse do rapaz pela música, Maurício decidiu apresentá-lo a seu irmão, Bento. Os dois começaram a tocar juntos. Tempos depois, Samuel, irmão de Sérgio, se interessou e passou a acompanhar com um baixo elétrico. Assim, os três formaram a banda Utopia, especializada em covers de grupos como Legião Urbana, Titãs e Paralamas do Sucesso.

Durante um show, em julho de 1990, o público pediu para tocarem uma música da banda norte-americana Guns N' Roses. Como não sabiam a letra, o trio pediu para algum espectador subir ao palco e ajudá-los. Alecsander Alves, conhecido como Dinho, se propôs a cantar e provocou risadas da plateia com uma performance escrachada, garantindo o posto de vocalista da banda. Já o tecladista Júlio Rasec entrou como roadie da Utopia - espécie de pessoal de apoio, que afina os instrumentos, entre outras tarefas - posteriormente assumindo o teclado.

Com isso, a Utopia passou a se apresentar na periferia de Guarulhos e chegou até a lançar um disco, que vendeu menos de 100 cópias. Aos poucos, os integrantes começaram a perceber que as palhaçadas e as músicas de paródia eram mais bem recebidas pelo público do que os covers e músicas sérias. Constatado isso, decidiram mudar o perfil da banda, a começar pelo nome, que virou Mamonas Assassinas.

Curiosidades dos bastidores

 
As histórias por trás da banda são o principal atrativo do documentário.


Durante o documentário Mamonas pra Sempre, o espectador vê diversas cenas inéditas, gravadas pela própria banda, além de depoimentos de amigos e familiares, que estiveram ao lado dos rapazes no percurso trilhado por eles entre a banda Utopia e o acidente que os tirou de cena. Entre as preciosidades mostradas, estão cenas do quinteto ainda adolescente no conjunto habitacional do bairro Cecap, em Guarulhos, e vemos o carismático vocalista Dinho aparecendo com um franjão típico dos anos 80.

Também descobrimos, por meio de depoimentos do produtor musical Rick Bonadio e do empresário Samy Elia, entre outros, como foi a transição de Utopia para Mamonas Assassinas, a apresentação para a gravadora e a viagem para Los Angeles em que gravaram o primeiro álbum da nova fase. O grande show de retorno a Guarulhos, no ginásio Pascoal Thomeu, o Thomeuzão, também não foi esquecido.O episódio foi muito marcante para os rapazes porque, anos antes, a banda Utopia havia sido rejeitada para tocar no mesmo local.

Nos depoimentos, Rick Bonadio ainda relembra o namoro do vocalista Dinho com a modelo Valéria Zopello, que também aparece no documentário. O produtor musical conta que o rapaz era um sujeito bastante apaixonado e que sempre queria levar a namorada junto para qualquer lugar que a banda fosse. "A mina era legal pra caramba, mas era um saco ter uma mulher no meio dos caras, pois tira a liberdade. Rolavam altas discussões sobre isso".

Entre tapas e beijos

Valéria complementa a informação com uma história curiosa de bastidores. Ela lembra de uma vez em que a banda foi ao programa Domingo Legal (SBT), ainda apresentado por Gugu Liberato. Antes de subir ao palco, no camarim, ela e Dinho tiveram uma grande discussão, devido a Valéria ter proposto ao namorado que ela acompanhasse menos as viagens da banda, até para não atrapalhar a intimidade dos outros músicos. Dinho não gostou e chegou a questionar se ela estava gostando menos dele. Por fim, num momento de raiva, deu um soco na parede do camarim.

Já nas imagens do programa gravado naquele dia, vemos os Mamonas Assassinas no palco, com Dinho usando óculos escuros. Valéria também aparece, na plateia, com o mesmo tipo de acessório. Em sua entrevista para o documentário, ela explica que os dois estavam com os olhos inchados de tanto chorar por causa da discussão anterior. Daí o uso do acessório. Por fim, o apresentador acabou chamando Valéria e, sem o grande público saber, o casal fez as pazes em pleno palco.

Como é possível ver, trata-se de um filme único, em que fãs  e grande público podem conhecer um pouco mais sobre quem eram aqueles cinco irreverentes rapazes que conquistaram o Brasil. Uma grande homenagem, 15 anos depois do desaparecimento precoce dos Mamonas Assassinas.

Atualizado em 10 Abr 2012.

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