Guia da Semana

Muito além de Malhação

Premiado pela crítica e aclamado pelo público, As Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bodanzky, tenta mostrar as experiências e descobertas do mundo adolescente


Fotos: Divulgação


Laís foi buscar nos pátios das escolas a melhor maneira de expressar o universo jovem. A receita parece ter dado certa e foi na seleção de caras novas para atuar em frente das câmeras que a diretora deu vida As Melhores Coisas do Mundo, um filme que tenta apresentar sem maniqueísmo os problemas comuns dos adolescentes. Assim, a virgindade, a perda de amigos, a paixão mal correspondida e a separação contornam a trama da película aclamada pela crítica - com oito troféus Calunga no 14º Cine PE - e que empolgou o público nos festivais por onde passou.

Baseada na série de livros de Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto, o trabalho é o terceiro longa da diretora, que produziu Chega de Saudade (2009) e Bicho de Sete Cabeças (2001). Confira a conversa que o Guia da Semana teve com ela a respeito do sucesso do longa que tem a intenção de mostrar o mundo jovem e fazer o adulto relembrar e entender a adolescência hoje.

Guia da Semana: O filme teve com uma boa repercussão junto ao público e a crítica nos festivais do Rio e Recife. Você tinha alguma expectativa ou foi uma surpresa?
Laís Bodanzky:
A gente nunca conta com o reconhecimento da crítica, até porque isso é muito pessoal e faz parte de um contexto que não temos controle nenhum. O resultado foi surpreendente e a sessão em Recife foi linda. Dificilmente teria uma outra chance de ver uma coisa assim, com público emocionado e aplaudindo de pé. Digo que isso tudo é tentador para um artista e faz ele se arriscar.

Guia da Semana: O Brasil não tem muita tradição em fazer filmes voltados para esse público jovem. Apesar disso, está em cartaz o seu longa, além de Os famosos e os Duendes da Morte (de Esmir Filho) e ainda vai entrar Antes Que o Mundo Acabe (de Ana Luiza Azevedo). Houve alguma mudança nesse sentido? Você já viu esses outros filmes?
Bodanzky:
Eu não vi, mas uma coisa engraçada é que realmente foi uma coincidência. É um espaço delicioso o universo adolescente, com tantas versões, maneiras e olhares para se falar sobre esse mundo, então é natural que isso aconteça.



Guia da Semana: Além de trabalhar com esse público, você usou caras novas nas telonas. Como foi realizada essa seleção?
Bodanzky:
Fiz uma pesquisa nas escolas de São Paulo, a princípio para roteiro, para poder dialogar, entender e checar a fonte. E daí, é claro, apareceram adolescentes muito críticos, exigentes. Então você não vai colocar um ator de 20 anos dizendo que tem 15 anos porque eles tem na sutileza, uma maneira de falar, de gesticular. Não é só espinha na cara, mas tem que ter espinha na cara também! A ideia o tempo inteiro era ser muito fiel ao que a gente conversou com os adolescentes. Foi assim que o elenco veio de 2,5 mil inscrições, inclusive a própria figuração.

Guia da Semana: Na interpretação dos atores vemos um certo naturalismo. Você deu liberdade na improvisação das cenas ou o roteiro foi seguido à risca?
Bodanzky:
O roteiro é bem rigoroso. A liberdade que eles tinham era de transformar aquele diálogo, aquela frase, em uma coisa que coubesse na boca dele, com as suas próprias palavras. Isso realmente foi muito importante, os adolescentes adoraram e isso tornou o set de filmagens agradável, eles se sentiam em casa, porque eles falavam de um jeito que estavam acostumados a se expressar.

Guia da Semana: Assim como Bicho de Sete Cabeças foi um empurrão para Rodrigo Santoro despontar no cinema nacional, você acredita que pode acontecer a mesma coisa com Fuik, que faz parte do elenco deste filme?
Bodanzky:
Acho que a gente precisa esperar um pouco o tempo, porque lembro que na época foi uma coisa tão clara, ele (Rodrigo) apareceu como um ator respeitável no 'Bicho', e isso se confirmou ao longo desses 10 anos. Acho que o filme apresentou ao meio artístico do potencial que o Fiuk tem, agora temos que aguardar. Eu aposto nele.

Guia da Semana: Você tem em mente algum número de bilheteria que queira atingir? Bodanzky: Eu não tenho o número final do que a gente arrecadou até agora, mas em relação aos meus outros filmes, o Chega de Saudades teve um público final de 190 mil; o Bicho de Sete Cabeças fez 450 mil. Hoje, As Melhores Coisas... está em torno de 200 mil. Acreditamos que ela terá uma vida de longo prazo nas salas de cinemas, pois está com um boca a boca muito positivo.



Guia da Semana: A trilha sonora aparece também como um diferencial, porque você optou por uma música não atual. Como se deu essa escolha?
Bodanzky:
Na pesquisa, sempre perguntávamos o que eles estavam  ouvindo e a primeira resposta é que eram ecléticos e a segunda que eu mais ouvi foi Beatles. Eu adoro Beatles, meus pais também adoram e eu não esperava que essa geração conhecesse de fato e não fosse da boca pra fora. Então seria o ponto de intersecção das gerações e o filme nunca teve a intenção de falar só com os adolescentes, mas que eles, de fato, se reconhecessem na tela e que os adultos pudessem relembrar e entender esse período hoje.

Guia da Semana: Você teria alguma sugestão para atrair o público jovem para as salas?
Bodanzky:
A linguagem eu não sei te dizer, mas talvez o que tenha neste filme é o respeito com as personagens. Fiz debates e ouvi alguns depoimentos dizendo que nunca ninguém entendeu tanto eles como este filme. Outro falou: 'Nossa, ficou legal porque vocês não foram nada maniqueístas como normalmente os filmes mostram os adolescentes, seja como drogados, ou retardados, ou mesmo naquelas escolas americanas com gangues!' .

Guia da Semana: Fale um pouco do resultado do seu projeto de cinema itinerante, que busca públicos que normalmente não têm acesso à arte.
Bodanzky:
Esse projeto completou cinco anos. São duas salas de cinema itinerante que viajam ao mesmo tempo e estacionam toda semana na periferia de uma nova cidade, exibindo cinema brasileiro de graça para a população. O impressionante é que a sala vive lotada toda semana. Então se você entrar na sessão a qualquer horário e perguntar quem está assistindo pela primeira vez, metade da sala levanta a mão. Desenvolvemos também um portal, que é o Tela BR, com informação do audiovisual e de formação, com exercícios para quem quer entrar nesse mundo.

Atualizado em 6 Set 2011.

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