Guia da Semana

Nascimento de uma indústria

Cidade de Paulínia realiza seu primeiro festival de cinema e quer se tornar um grande pólo do audiovisual

Fachada do Theatro Municipal de Paulínia.

Entre os dias 5 e 12 de julho acontece em Paulínia, interior de São Paulo, o I Festival Paulínia de Cinema. Com R$650 mil em prêmios e as participações ilustres de artistas como Fernanda Montenegro, Fernando Meireles, Selton Mello e Zé do Caixão, o evento foi idealizado pelo atual prefeito da cidade, Edson Moura, que chamou para sua realização a Secretária de Cultura Tatiana Quintela, e contou com a ajuda, entre outros, de Ivan Melo e Rubens Ewald Filho. Os três conversaram com a imprensa em uma coletiva realizada no recém-inaugurado Paço Municipal da cidade.

"No começo era só o festival, mas a gente pensou que não basta só isto, um festival tem que ser em cima de alguma infra-estrutura", afirma Rubens. E foi assim que começou a surgir a idéia do Pólo de Cinema de Paulínia, que integra o Projeto Paulínia Magia do Cinema. O projeto também engloba a construção do Theatro Municipal, que será inaugurado no dia 4 de julho, de quatro estúdios de cinema, além da Escola Magia do Cinema, de uma mostra de filmes, entre outras iniciativas. Assim, a cidade pôde participar da realização de filmes como Topografia de um Desnudo, O Menino da Porteira e Ensaio Sobre a Cegueira.

Por conta do ICMS coletado em seu Pólo de Petróleo, a cidade de 70 mil habitantes possui um dos maiores IDHs do estado e chega a ter um PIB per capita anual de R$ 170 mil. Desta forma, não foi difícil conseguir verba para a construção do pólo. Para ele, foi disponibilizado cerca de R$ 100 milhões, para serem usados em cinco anos. Apenas a construção do Theatro, projetado por Ismael Solé, o mesmo da Sala São Paulo, custou aos cofres públicos R$ 53 milhões. O local foi equipado com tecnologia de primeira e abrigará shows, peças de teatro, filmes, entre outros espetáculo. Com lugar para 1350 pessoas, ele será a primeira sala de cinema da cidade.

Rubens Ewald Filho, Tatiana Quintela e Ivan Melo na coletiva do festival.

As grandes obras não são novidade na gestão de Edson Moura, que termina neste ano seu segundo mandato. Há alguns anos o prefeito projetou uma pirâmide de cristal para cobrir o centro histórico da cidade. A realização, no entanto, não foi para frente por não agradar ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat). Mesmo assim, Moura queria levar para Paulínia algo que pudesse gerar renda mesmo depois do fim da era do Petróleo. "A idéia do prefeito é que a cidade não fique só com um subsídio, mas que ela tenha outros tipos de rendimentos", diz Tatiana.

A solução veio com o cinema, que começou com a criação de leis. Para um filme conseguir financiamento para ser produzido na cidade, ele precisa se comprometer a gastar 40% deste valor em Paulínia. Além disso, deverá usar 10 estagiários da Escola Magia do Cinema e 50% dos figurantes devem ser moradores locais. Assim, a idéia é de que a cidade cresça junto com o Pólo. "A gente quer atrair todo o mercado audiovisual, de publicidade, de televisão, tudo", revela a secretária.

Já com algumas produções encaminhadas, turmas formadas e com curta-metragens prontos, chegou o momento de realizar o festival. Ewald afirma que "a idéia é fazer uma festa para a cidade, uma festa para a região, para acostumar os produtores a virem para cá". Assim, além da mostra competitiva, que incluirá as pré-estréias de Feliz Natal, de Selton Mello, e Encarnação do Demônio, de José Mojica Marins, o festival também exibirá os melhores filmes do ano, que serão premiados na escola de cinema.

Fachada da escola Magia do Cinema.

A festa vai começar já na sexta-feira, dia 4, com a inauguração do Theatro Municipal de Paulínia, que será apresentada por Fernanda Montenegro e terá a pré-estréia do filme O Mistério do Samba, de Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor, seguida de um show com a cantora Maria Rita. No dia seguinte começa o festival, no mesmo palco, que terá todos os filmes com entrada gratuita. Além disso, todos os dias haverá encontros com os diretores no Paço Municipal, além de debates e palestras na escola Magia do Cinema.

Dentre os concorrentes estão seis longa-metragens de ficção, seis documentários, sete curta-metragens nacionais e sete realizados na região. Para eles, serão entregues 35 prêmios entre R$ 8 mil e R$ 60 mil. Além disso, 32 roteiros estão sendo analisados e três deles receberão R$ 15 mil. Apesar de a primeira edição do festival acontecer no último ano da gestão Moura, os organizadores acreditam que ele se consolidará, mesmo com o prefeito não podendo disputar a reeleição, por já ter sido reeleito e por ter seus direitos políticos cassados por 8 anos. Como também pode não estar no cargo em 2009, a secretária de cultura chama os moradores para manterem o evento. "É uma coisa que o povo vai ter que lutar".

Fotos: Gabriel Oliveira

Atualizado em 6 Set 2011.

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