Guia da Semana

Nouvelle Vague

Os filmes que pertencem ao movimento têm uma característica singular, a de mostrar o estilo e a marca do diretor

Foto: IMDb

Claude Chabrol, um dos expoentes da Nouvelle Vague

Dentro da programação da Semana da Francofonia 2011, a Galeria Olido, em São Paulo, exibirá, até o dia 31 de março, um ciclo de filmes franceses em homenagem à Nouvelle Vague e ao cineasta Claude Chabrol. Os ingressos custam R$ 1.

Intitulado "Claude Chabrol e Outros Autores da Nouvelle Vague", o ciclo reunirá produções fundamentais e filmes que ilustram o desdobramento da influência e do legado deixado pelo movimento. Assim, além de obras de Chabrol, serão exibidos filmes de Eric Rohmer, Louis Malle, François Truffaut, Jean-Luc Godard, Jacques Demy e Alains Resnais, em produções que vão desde o início da Nouvelle Vague até os anos 2000.

A Nouvelle Vague é, talvez, o movimento que mais influenciou o cinema no mundo todo. Seus reflexos e sua influência perduram até os dias atuais, sendo seu maior e mais consistente legado aquilo que ficou conhecido como "política do autor". Tratava-se, então, da valorização de obras cujo estilo do diretor fosse visível e preponderante sobre o filme, que, por meio de recursos estilísticos ou estéticos, conseguisse expressar sua visão de mundo e de cinema, tal qual uma assinatura. Foi dentro dessa visão, por exemplo, que os jovens críticos da revista elevaram Alfred Hitchcock à condição de mestre. Até então, o diretor britânico, sempre a serviço dos estúdios, era considerado um realizador menor de filmes comerciais.

Sob essa perspectiva, transforma-se substancialmente o modo de ver o cinema, bem como a escala de valores críticos. A gestação desse novo olhar é resultado direto de alguns fatores particulares a uma nova geração de críticos de cinema que, mais tarde, se tornariam realizadores, deixando a escrita teórica e partindo para a realização efetiva.


Essa geração surge e ganha consciência crítica graças à gestão de Henri Langlois à frente da Cinemateca Francesa. É o resgate que Langlois faz de uma cinematografia histórica, sua preservação e exibição, que desperta a cinefilia naqueles jovens "ratos de cinemateca". Essa cinefilia e a consequente consciência crítica terminam por desembocar na mítica revista Cahiers du Cinema (Cadernos de Cinema), para a qual os jovens críticos passam a escrever.

Sob a orientação de outra figura mítica na história do cinema, o crítico André Banzin, forma-se o que ficou conhecido como núcleo duro da Nouvelle Vague, composto por François Truffaut, Jean-Luc Godard, Claude Chabrol, Eric Rohmer e Jacques Rivette. Todos eles escreveram críticas para os Cahiers du Cinema e, posteriormente, se tornaram diretores, pondo em prática aquilo que defendiam em suas críticas.

Esses jovens, ousados e atrevidos, decalcaram suas visões de cinema nas obras que realizaram, da forma mais autoral possível. Foram sempre fiéis às suas convicções estéticas e às temáticas pessoais, o que torna a obra de cada um deles diferente e particular, a despeito de terem em comum alguns princípios básicos do movimento que fundaram.


Desde Nas Garras do Vício, de Chabrol, Os Incompreendidos, de Truffaut, ou Acossado, de Godard - todos obras-faróis do início da Nouvelle Vague -, nunca mais se olhou para o cinema com os mesmos olhos. Ainda hoje é pertinente e acesa a discussão sobre autoria e existe até uma divisão, sempre discutível e polêmica, do que seja, nos dias de atuais, um filme de autor e um filme meramente comercial.

Permanece na cinefilia atual a tendência de seguir a trilha dos jovens críticos e desprezar tudo que não seja considerado de autor. Mas é preciso atenção e cuidado para não se cometer injustiças e incorrer em precipitações. Afinal, é preciso sempre lembrar que mesmo aqueles jovens gênios, que reconfiguraram o modo de ver e fazer cinema em todo o mundo, cometeram seus pecados. Um exemplo disso foi terem, em seu tempo, desprezado a obra de Marcel Carné e todo o realismo poético do cinema francês.


Por considerar sua estética atrelada a um tipo de cinema ultrapassado, convencional e superficial, simplesmente descartaram grandes obras e grandes diretores. Como Carné, que, por muito tempo, permaneceu no limbo da crítica. Um resgate de seus filmes, promovido tempos depois, mostrou que havia ali mais que cinema literário: havia um grande diretor e uma grande obra. Mas isso é assunto para outra ocasião.

Leia as colunas anteriores de Rogério de Moraes:

Batman e as HQs no cinema

Prazeres Inconfessáveis

Renovação de esperanças

Quem é o colunista: gordo, ranzinza e de óculos.

O que faz: blogueiro, escritor e metido a crítico de cinema.

Pecado gastronômico: massas.

Melhor lugar do Brasil: qualquer lugar onde estejam meus livros, meus filmes, minhas músicas, meus amigos e minha namorada.

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Atualizado em 6 Set 2011.

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