Guia da Semana

O palhaço de Selton

No segundo trabalho de Selton Mello como diretor, ele dirige e atua ao mesmo tempo para produzir uma comédia sonhadora

Foto: Divulgação

Cena do filme O Palhaço, de Selton Mello

Respeitável público, o circo Esperança orgulhosamente apresenta O Palhaço. Na noite de hoje, o palhaço Pangaré tem uma crise de identidade e seu pai, Puro Sangue, quer que ele ria novamente. Ternura e sonho fazem parte do espetáculo. Luzes no picadeiro do pólo cinematográfico de Paulínia. O show vai começar!

Há os que digam que o circo é o único lugar do mundo em que se pode sonhar de olhos abertos. Foi com esse pensamento que Selton Mello imaginou o longa  O Palhaço, seu segundo trabalho com diretor. Desta vez acumula as funções de dirigir e atuar ao mesmo tempo para dar vida a uma obra que faça rir e que agrade o público.

Crise pessoal

Foto:Divulgação

Selton Mello interpreta um palhaço com crise de identidade

Contraditoriamente, a ideia do roteiro cheio de candura surgiu de um momento de infelicidade e sentimento de dúvida do ator em relação à profissão. "O auge disso foi quando fazia Jean Charles (de Henrique Goldman), em Londres. Era um trabalho que tinha tudo para que eu estivesse bem, mas eu não estava, não me sentia feliz", explica Selton Mello. "Acho que todos estão propensos a passar por isso, em qualquer profissão", acredita.

Assim nasceu a história de Benjamim, que usa o nome artístico de Pangaré, e é um palhaço que sofre de crise de identidade.  "Eu faço as pessoas rirem, mas quem me faz rir?", é o questionamento principal. Curiosamente, o protagonista é interpretado pelo próprio Selton Mello.

Um filme autobiográfico? Selton afirma que não. " Ele é mais metafórico que autobiográfico", e acrescenta que o personagem assumiu vida própria e adquiriu pensamentos que já não eram mais dele, no caso, do ator.

Antes de encarar a dupla função, convidou Wagner Moura e Rodrigo Santoro para o papel. Mas os dois já estavam envolvidos com outros projetos - Moura com Tropa de Elite 2 e Santoro à frente de Heleno, que conta a história do jogador de futebol Heleno de Freitas. Decidiu, portanto, assumir o desafio.

O diretor-ator divide cena com Paulo José, que interpreta seu pai no filme, Waldemar ou palhaço Puro Sangue. Pai e filho (Puro Sangue e Pangaré) são donos do pequeno circo Esperança e lideram uma trupe de artistas que segue pelas estradas do país. O longa conta ainda com a participação de Jackson Antunes, Moacyr Franco e Teuda Bara, uma das fundadoras do Grupo Galpão.

Foto: Divulgação

Paulo José é o palhaço Puro Sangue, pai do personagem de Selton Mello

Foco no público

Quem assistiu a estreia de Selton Mello como diretor, em Feliz Natal (2008), deve estar agora, no mínimo, intrigado. Denso e melancólico, Feliz Natal não tem nenhum espírito natalino e utiliza a data comemorativa para revelar a amargura e solidão de personagens amargos. Nas palavras de Raduan Nassar (escritor de Lavoura Arcaica), "é um filme tão sem esperança".

E agora, esperança é justamente o nome do circo de O Palhaço, cuja ideia é produzir uma "comédia sonhadora" que faça bem ao espírito. Selton Mello conclui: " sou um cineasta bipolar".

Além da mudança de gênero, espírito e tudo mais, o longa foi pensado para agradar o público, diferente da sua primeira produção. "Ele nasce de um desejo de comunicar. Por isso, eu quero que seja um filme solar, legal de ser visto", define. Para isso, ele mistura um pouco de Fellini, Oscarito, Mazzaropi, Didi Mocó e também influências de filmes clássicos como Bye Bye Brasil (1979) e O Profeta da Fome (1970). 

Antes de começar as filmagens, foi feita uma pesquisa histórica e de campo, que inclui entrevistas com artistas circenses de todo o Brasil. Um dos importantes contribuidores foi Kochicho, que trabalha no circo de Beto Carreiro e que, segundo Selton, se tornou o "personal palhaceiro" da equipe.

Foto: Divulgação

Trupe de artistas fazem parte do elenco de "O Palhaço"

O envolvimento do cineasta-ator com o universo mágico do circo, o levou a dar nomes aos personagens em homenagem a artistas circenses. Benjamin é uma referência ao Benjamim de Oliveira, um ex-escravo que fugiu para o circo e se tornou um dos profissionais mais conhecidos da arte, e o Waldemar é o Waldemar Seyssel, o famoso palhaço Arrelia.

As gravações estão sendo feitas no Pólo Cinematográfico de Paulínia e vão até 13 de abril. Depois, serão feitas algumas filmagens em Minas Gerais. Até agora, o orçamento do filme está calculado em R$ 5 milhões mas, segundo a produtora Vânia Catani, este valor deve aumentar. A estreia da travessura de Selton está prevista para março de 2011.

Atualizado em 6 Set 2011.

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