Guia da Semana

“Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário” tenta atualizar sucesso japonês para o público jovem

Filme corre contra o tempo e falha ao enxugar saga de 73 episódios em 90 minutos

No ano em que Masami Kurumada completa quatro décadas de carreira e que o anime baseado em seu trabalho completa 20 anos da estreia no Brasil, os fãs de Cavaleiros do Zodíaco não poderiam esperar outra coisa: um reboot da saga mais famosa, a do Santuário, chega aos cinemas neste mês em versão high-tech.

A história é parecida, mas não idêntica. Em comum, tem o fato de que o cavaleiro de Sagitário, Aiolos, salvou o bebê Atena das garras do Mestre do Santuário e foi considerado um traidor, morrendo antes de entregá-la a um magnata. A criança cresceu com o nome de Saori e um grupo de cavaleiros foi treinado para protegê-la, quando chegasse a hora de assumir sua verdadeira identidade de deusa.

As diferenças estão nos detalhes: este Santuário não fica na Grécia, mas sim em algum lugar da galáxia, num universo gótico-futurista com terras flutuantes. As armaduras foram redesenhadas e a forma de colocá-las é muito menos prática e mais coreografada, com pequenos pingentes sendo usados como “morfadores” – por alguma razão, a influência de Power Rangers é gigantesca, desde as transformações até o último confronto.

As mudanças estéticas são bem vindas e trazem um ar mais contemporâneo à saga. As armaduras são interessantes, os cenários estão bem feitos, o visual lembra os de video-games, mas não num sentido negativo.

Outra diferença importante, no roteiro, é que existe uma falsa Atena reinando no Santuário, fazendo com que os Cavaleiros de Ouro reconheçam Saori como uma rebelde. A identidade dessa farsante gera curiosidade e poderia render boas viradas, mas sua existência é esquecida em poucos minutos de filme.

Quem se perguntava como o diretor Keiichi Sato conseguiria encaixar as 12 Casas em tão pouco tempo, a resposta é clara: não consegue. Cavaleiros se misturam, casas são ignoradas e o tempo para reconhecer cada um dos personagens é insuficiente.

A maioria das cenas de ação são confusas e não lembram em nada os confrontos da série de TV, que sempre vinham acompanhados de discursos moralizantes e comentários sobre a força e a origem de cada adversário. No longa, não sabemos quem está de cada lado, nem por quê, e isso parece não importar, desde que sobre tempo para uma piada.

Tentando aumentar o humor e atrair o público jovem, o filme aposta numa linguagem coloquial e em estereótipos. Seiya é brincalhão e faz trapalhadas para impressionar Saori. Hyoga é blasé, Shun é amigável e Shiryu é uma enciclopédia ambulante. Já Ikki... É mero coadjuvante.

Touro e Câncer também ganham personalidades novas. O primeiro aparece como um toureiro glutão, de feições espanholas, mas mantém a atitude silenciosa de sempre. Já o cavaleiro de Câncer, Máscara da Morte, é o que causa mais estranhamento: não é arrogante e destemido como um guerreiro que lida diariamente com os mortos, mas sim covarde, escandaloso e fraco. A ideia foi aproximar sua imagem da Festa dos Mortos mexicana, com cores vivas e a morte como um destino alegre – mas isso não vai agradar aos cancerianos.

É difícil dizer com certeza se “Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário” é um filme para fãs ou para leigos. Didático e moderninho, ele tenta ganhar a simpatia de crianças e adolescentes que não assistiram à série original nem leram o mangá, mas a pressa em apresentar todos os personagens em míseros 90 minutos torna a aventura, muitas vezes, incompreensível para não-iniciados. O resultado é decepcionante.

Assista se você:

  • É fã de Cavaleiros do Zodíaco (e está disposto a encarar de tudo para ver um pouco mais dos personagens)
  • Quer ver os gráficos modernos e as novas armaduras
  • Quer ver como ficaria Cavaleiros do Zodíaco com um humor mais infantil

Não assista se você:

  • Espera ter uma canção de abertura para cantar junto no cinema
  • É do signo de câncer ou seu cavaleiro favorito é o Máscara da Morte
  • Quer conhecer Cavaleiros do Zodíaco pela primeira vez

Atualizado em 12 Set 2014.

Por Juliana Varella
Compartilhe

Comentários

Outras notícias recomendadas

Diretor de “Fragmentado” revela que o filme será parte de uma trilogia; confira a entrevista completa

M. Night Shyamalan veio ao Brasil divulgar o suspense que estreia no dia 23 de março

Robert Downey Jr. será "Doutor Dolittle" em novo filme do personagem

"The Voyage of Doctor Dolittle" ainda não tem data de estreia

Novo “Power Rangers” equilibra nostalgia e modernidade e foca no público adolescente

Filme aposta no desenvolvimento dos personagens e trabalha a diversidade

"A Bela e a Fera" é a maior estreia do ano - e a sétima da história dos EUA!

Filme estreou na última quinta-feira soma faturamento de US$ 350 mi ao redor do mundo

“T2 Trainspotting” – como o original, sequência também é um espelho do seu tempo

Longa se passa 20 anos depois do clássico e traz de volta o mesmo elenco

"Viva - a Vida é uma Festa", nova animação da Pixar, ganha primeiro trailer

Com dublagem de Gael García Bernal, filme estreia em janeiro de 2018