Guia da Semana

Politicamente incorreto

Sucesso nos anos 70, a adaptação de O Bem Amado chega aos cinemas com elenco de peso e em forma de crítica bem-humorada

Foto: Divulgação


O cenário não poderia ser mais apropriado. Em meio ao ano eleitoral, um nome familiar volta a reinar absoluto nas telonas brasileiras. Com seu neologismo peculiar e discursos emblemáticos, Odorico Paraguaçu é o personagem central de O Bem Amado, que chega aos cinemas do país no dia 23. Com texto original de Dias Gomes, o longa adaptado e dirigido por Guel Arraes resgata o adorado e odiado prefeito de Sucupira, que ganha vida com o ator Marco Nanini.

Rodado em Janeiro de 2009 em Marechal Deodoro, Alagoas, as cenas foram captadas em sete semanas e o custo total da produção ficou em cerca de R$ 8 milhões. No elenco, nomes como José Wilker na pele de Zeca Diabo, Matheus Nachtergaele no papel do assistente Dirceu Borboleta e ainda Andréa Beltrão, Zezé Polessa e Drica Moraes como as divertidas irmãs Cajazeiras, além do par romântico Neco Pedreira e Violeta, vividos por Caio Blat e Maria Flor. Bem-humorado e com cenas extras não usadas, que renderão uma possível continuação na TV, o filme promete marcar território no circuito nacional e alertar o público para as falsas promessas eleitorais de 2010.

Sucesso marcado

Na trama, Odorico Paraguaçu é eleito prefeito de Sucupira e uma de suas metas de governo é construir um cemitério na cidade. Feita a obra, o problema é encontrar um defunto para estrear seu projeto supervalorizado. Para isso, o político pede que seu fiel assistente Dirceu Borboleta traga o matador Zeca Diabo que, ao contrário do que se imagina, não faz o serviço bem-feito. Entre discursos eufóricos e muita corrupção, o dono do palanque divide sua atenção entre as caricatas irmãs Cajazeiras, que disputam a vaga de primeira dama.

A obra original, criada por Dias Gomes em 1961 para os palcos, se transformou na primeira novela em cores da TV brasileira em 1973. Anos depois, convertida em uma série exibida durante quatro anos na telinha, a história chamou a atenção do diretor Guel Arraes. "Li o texto nos anos 90 e achei muito bom. O Bem Amado une assuntos que andam muito juntos, comédia e política. Os dois sempre me interessaram, afinal, a política é um ambiente ideal para a comédia e alvo certo para os comediantes. Muita coisa da trama do filme está até hoje no Brasil. A peça seria diferente na atualidade, com a esquerda no poder, então trouxemos a ideia do filme e deu certo", afirma o diretor.

Olhar politizado

Com família ligada à política, o tema sempre fez parte da vida de Guel. O diretor foi responsável por humorísticos como TV Pirata e Comédia da Vida Privada nos anos 80 e 90. Em seguida, nas telonas, dirigiu Caramuru - A Invenção do Brasil, O Auto da Compadecida, Lisbela e o Prisioneiro e, mais recentemente, Romance. Para produzir O Bem Amado, Guel dividiu o processo em duas etapas. "Pensei primeiro na questão da marcação, personagens. Quando se tem um roteiro amarrado e coerente, a coisa flui fácil. Feito isso, trabalho na direção, cerca de uns dois meses, sozinho. Depois me reuni com elenco e ensaiamos o que foi pensado. Não dá tempo de fazer tudo junto, até porque eles precisam preparar os papéis antes. Tento surpreendê-los o menos possível, mas acontece".

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Um dos grandes destaques do filme são as cenas dinâmicas e cheias de ação. E, para se chegar ao resultado final, o diretor usou referências que incluem até o cinema mudo. "Sempre achei a TV muito parada e quando cheguei propus uma coisa mais movimentada, com velocidade nas cenas e diálogos. Algo que me atrai muito é o cinema mudo. Tanto que há cenas em que, se não houvesse diálogo, daria para entender muito bem a mensagem que querem passar. Até chegar nesse ponto dá um trabalho, mas o resultado é muito legal", orgulha-se Guel.

Amado e odiado

Depois de viver o político no teatro, Nanini foi convidado por Guel Arraes para o papel nas telonas. Amigos de longa data - Marco participou de todas as produções cinematográficas do diretor -, o convite logo foi aceito. Presente na maioria das cenas do filme e grande responsável pelas risadas do público, o ator fez um árduo trabalho de preparação até as gravações. "Me foquei no roteiro e vi muitas coisas relacionadas à política. O Guel me deu uns discursos antigos e ouvi como eram feitas a retórica e a emoção. Isso tudo é subsídio e de alguma maneira fica armazenado na mente. Quando mais precisa, vem de alguma forma que não dá para explicar", afirma Nanini.

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Anti-herói

Interpretado na TV por Lima Duarte, Zeca Diabo surge na adaptação às telonas de uma forma inusitada. Vivido por José Wilker, o justiceiro tem a função de colocar um ponto de interrogação na cabeça de quem assiste. Isso porque Guel Arraes pediu ao ator global que interpretasse um herói e não o vilão da trama. Intrigado com tamanha responsabilidade, Wilker se apaixonou pelo papel. "Nunca fui de escolher um personagem e querer fazê-lo. Até dois meses antes das filmagens eu não sabia que faria o Zeca Diabo. O Guel pediu que, ao mesmo tempo em que o papel fosse apavorador, guardasse uma pureza no fundo e que representasse o povo. O restante da composição veio com a maquiagem, a roupa, o contato com o local, o cenário e também minhas memórias", ressalta Wilker.

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Três marias

A recatada Dulcineia, a mãezona Doroteia e a espevitada Judiceia são as irmãs Cajazeiras interpretadas, respectivamente, por Andréa Beltrão, Zezé Polessa e Drica Moraes. Para criar o perfil das almejantes a primeira dama de Sucupira e donas do coração de Odorico, as três não seguiram nenhum padrão e se basearam no roteiro de Guel. "Não fomos beber na fonte das outras adaptações. A relação com as irmãs foi muito afetiva. Repetir papeis que fizeram tanto sucesso e com mulheres tão especiais para a arte é muito legal. A história é muito boa e ganhou um adaptação devido à qualidade do texto e dos personagens. Foi trabalhoso, mas muito gostoso de fazer", comenta Andréa.

Para Zezé, as Cajazeiras foram modernizadas e trazidas para os dias de hoje. Com roupas e acessórios escandalosos, as despojadas irmãs têm papel fundamental para a composição da trama. "São mulheres que querem o poder e almejam conquistar um posto. Elas podem até passar a imagem de fúteis, peruas e isso as deixou longe das originais, do Dias (Gomes). Mesmo assim, a minha personagem é marcada por uma tragédia. Nas marcações de cena, era muito notada a comédia, mas eu não quis ficar fadada a isso", salienta.

Atualizado em 6 Set 2011.

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