Guia da Semana

Quase órfãos

Cinéfilos podem ficar sem o seu cinema favorito até o final do ano, caso o Belas Artes não encontre um patrocinador

Foto: Marcelo Quiñónez

O Belas Artes detém o título de melhor programação de cinema da cidade

Pela segunda vez, um dos principais cinemas de arte do cenário paulistano está à beira de um colapso, com a possibilidade de fechamento. O Belas Artes, que está ativo há 43 anos, perdeu o patrocínio do HSBC e corre o risco de parar de funcionar até o final do ano caso não encontre uma empresa para custear seus gastos. Para o cineasta André Sturm, dono da Pandora Filmes e sócio do Belas Artes, é triste pensar que o cinema possa não funcionar mais em 2011. "É complicado imaginar isso, por frequentá-lo há muito tempo, gostar muito do cinema e estar à frente da direção", revela.

Sturm é secretário da Cultura do Estado de São Paulo desde 2007 e informa que a prefeitura municipal oferece um auxílio para todos os cinemas de rua e teatros através de isenção do pagamento do ISS, o imposto sobre serviços. Questionado sobre um apoio mais veemente do governo do Estado para esses estabelecimentos, o cineasta afirma que não se sente à vontade para requisitá-lo, já que ocupa um cargo público e isso implicaria em benefício pessoal. "Quando sair da Secretaria, com certeza levantarei essa bandeira", pontua. O importante é que várias empresas já se manifestaram, mas ainda não existem propostas concretas para serem divulgadas pela direção do cinema.

Foto: Divulgação

O cineasta André Sturm é um dos sócios do Belas Artes

Mobilização dos seus fãs

O Belas Artes é considerado um dos cinemas de rua mais famosos de São Paulo. Assim, quando anunciaram em maio seu possível fechamento, alguns frequentadores assíduos mobilizaram-se e formaram estratégias para chamar atenção das empresas e conseguir um patrocínio para o espaço. A publicitária Elen Posse encabeçou uma das principais incitativas, que foi a criação do blog Patrocine o Belas Artes. Nessa página da web, as pessoas têm a possibilidade de sugerir e opinar sobre quais empresas poderiam apoiar financeiramente o cinema e incentivá-las a isso.

Em paralelo, Elen criou um perfil no Twitter para atrair pessoas que apoiassem a causa. O @belasartescine já conquistou mais de 1.360 seguidores desde maio. "O blog foi o meio que encontrei de explicar a situação e chamar os internautas para seguirem o perfil do Twitter", revela a publicitária. Ela completa que isso mostra para as empresas o quanto o cinema é importante e que, às vezes, é preciso apresentar números para os grandes investidores se manifestarem. "O mais importante das campanhas é expor para os patrocinadores o quanto o Belas Artes é querido e como sua marca vai ganhar pontos aliada a ele", diz Sturm.

Outro projeto reúne 16 restaurantes importantes de São Paulo, como Arábia, Così, La Frontera e Tordesilhas, que solicitam apoio dos clientes com o acréscimo de cinco reais na conta para doação ao caixa do Belas Artes. A intenção também é angariar patrocinadores e ajudar nas despesas do espaço, que mantém 30 funcionários.

Foto: Marcelo Quiñónez

Todo mês, passam mais de 28 mil pessoas pelas salas do cinema, para assistir a um repertório de filmes diferenciado

Backup da história

Em dezembro de 2002, um filme como este teve o Belas Artes como protagonista novamente. O tradicional cinema da Rua da Consolação, construído em 1967, declarou que estava com os dias contados após o fim da parceria com a distribuidora francesa Gaumont. Pouco tempo depois, André Sturm assumiu a direção do cinema e associou-se à produtora O2, de Fernando Meirelles, Paulo Morelli e Andréa Barata Ribeiro.

De acordo com Sturm, o HSBC encerraria o seu contrato de 'naming rights', que é a concessão de direitos de nome, no final de 2010 - após sete anos. No entanto, o banco decidiu abandonar o Belas Artes antes, para que o cinema pudesse conseguir um patrocínio com mais calma e não correr o risco de fechar. "Conversamos sobre renovação do contrato, mas disseram que as estratégias de marketing foram mudadas e que sairiam antes para acharmos um patrocinador desvinculado da marca deles", informa o cineasta.

Ele ainda afirma que os gastos fixos do estabelecimento, como aluguel, IPTU, folha de pagamento de funcionários, contas de energia elétrica e água já estão enxutos ao máximo, mas ainda continuam altos. Diferente dos cinemas de rede multiplex, o Belas Artes não subsidia seus gastos com os preços exorbitantes dos produtos da bomboniére e não faz disso uma renda.

Atualizado em 6 Set 2011.

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