Guia da Semana

Sem sexo nem graça, “Sex Tape” chega aos cinemas nesta quinta-feira

Filme com Cameron Diaz promete ousadia, mas só entrega as trapalhadas de um casal desgastado

Quando um filme ganha um título que inclui “sexo” e promete ser uma comédia, a última coisa que se espera é que ele seja entediante. Menos ainda, que seja infantil. “Sex Tape: Perdido na Nuvem”, novo trabalho de Jake Kasdan, consegue ser as duas coisas, e falha na missão de fazer rir.

Kasdan repete a parceria de “Professora Sem Classe” com Cameron Diaz e Jason Segel, mas mostra que a relação esfriou. Os dois interpretam Annie e Jay, um casal jovem com filhos pequenos que não consegue mais encontrar tempo ou energia para a vida sexual.

Já vimos essa história antes (procure “Vizinhos”, lançado este ano) e ela poderia render boas risadas, mas esses personagens estão tão obcecados em transar que toda a situação “crianças-na-casa-da-avó” se torna mecânica e forçada, com piadas fáceis envolvendo trapalhadas e machucados. É como se o Cine Privê encontrasse a Sessão da Tarde numa parceria desastrosa.

Esse tipo de humor físico domina o longa, que ainda trará mordidas de cachorro, arrombamento de portões e quedas de alturas impossíveis, para citar algumas das desventuras de Jay (as de Annie são de outra natureza, que não cabe revelar aqui).

O enredo, em si, já é uma trapalhada: tentando reaquecer a relação, os dois decidem gravar uma sex tape (um vídeo de si mesmos testando todas as posições de um livro antigo), mas, ao invés de deletar o arquivo, Jay acidentalmente o sincroniza com a “nuvem” de sua conta da Apple.

O problema é que ele tinha o hábito de doar IPads usados para seus amigos e conhecidos, e todas as máquinas estavam conectadas à mesma conta. Numa lógica bastante adulta (e por “adulta” eu quero dizer pouco familiarizada com as tecnologias digitais), a dupla decide passar a noite caçando todos os IPads doados na tentativa de apagar os arquivos antes que alguém assista ao vídeo.

Não vem ao caso questionar como o personagem possuía tantos tablets, nem por que ele os utilizava exclusivamente para guardar músicas (IPods ainda existem, certo?), mas o fato é que o excesso de merchandising de uma única marca faz o filme parecer encomendado e cria uma desconfiança com o público.

O casal principal desfila alguns nus traseiros e Diaz impressiona com sua boa forma, mas não vemos nenhuma cena de sexo propriamente dito. Por mais decepcionante que seja, esse pudor acaba sendo coerente com o tom geral do filme - menos sensual e mais “família”, apesar da linguagem pesada.

Quem se destaca é o casal de amigos dos protagonistas, formado por Rob Corddry e Ellie Kemper. Suas cenas são de longe as mais envolventes do filme, mesmo que raras. Rob Lowe também faz um bom trabalho como o multifacetado Hank. Por outro lado, o personagem menos carismático (Howard, vivido por Harrison Holzer) ganha espaço demais e acaba irritando o público mais do que divertindo.

Cameron Diaz conseguirá atrair um público numeroso aos cinemas para conferir “Sex Tape”, mas as reações provavelmente não passarão de sorrisinhos contidos e bocejos indiscretos. Para quem esperava uma comédia cheia de ousadia, fica o aviso: a experiência pode ser, se me permitem o trocadilho, brochante.

Assista se você:

- Gostou de "Professora Sem Classe"
- Quer ver uma comédia despretensiosa

Não assista se você:

- Não gosta de comédias forçadas
- Espera ver cenas picantes 

Atualizado em 20 Ago 2014.

Por Juliana Varella
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