Guia da Semana

Sessão trash

Muito sangue e pouca grana. Conheça mais sobre o estilo que marcou uma geração e ainda reúne adeptos pelo mundo todo: os filmes B

Foto: Divulgação/ Imdb

Monstros toscos e feridas nojentas são algumas das caracteristicas dos filmes B (cena extraída do filme Dia dos Mortos).

Esqueça os milhões gastos com efeitos especiais, produção e elenco. Agora vamos falar sobre os Filmes B, nos quais condições precárias são fundamentais e não podem faltar cabeças rolando, sangue por todos lados, monstros toscos e feridas nojentas. Tudo isso amarrado por um roteiro surreal com doses de erotismo caricato.

Hoje considerado cult, o gênero ganhou admiradores por todo o mundo, tendo sua popularidade alavancada  por diretores como a dupla Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, que mesmo com grandes orçamentos, seguem os preceitos do trash, como no Projeto Grindhouse. Conheça um pouco mais sobre os principais nomes desse importante cenário alternativo e alguns clássicos para morrer de medo (ou de rir).

Início capenga

Discos voadores de pratos e lápides feitas de papelão ultrapassam o bizarro em tempos de produções digitais. Mas com a perda de público durante a crise de 1929, a estratégia norte-americana para recuperar os espectadores foram as sessões duplas de cinema - filmes de baixo orçamento eram exibidos após grandes produções, pelo mesmo preço de uma sessão comum, dando origem ao jargão "B" (de lado B, como em um disco).

Foto: Divulgação/ Imdb

Mortos-vivos são um prato cheio para o gênero (cena extraída do filme Dia dos Mortos)

Os gêneros que melhor se adaptaram a esse tipo de produção foram o terror, a ficção científica, os westerns, histórias de gângsters e as comédias (obviamente). Passados alguns anos, começaram a surgir os drive-ins, lotados de adolescentes. Nessa época, praticamente qualquer pessoa com algum dinheiro e ideias alucinantes já podia rodar seu filme. A imaginação foi longe, impulsionada pela corrida espacial e nuclear: não faltaram insetos gigantes, invasões alienígenas, monstros atômicos, cientistas loucos e naves espaciais de papel alumínio. 

O pioneiro do lado B

Foi nessa época de cineastas sem recursos que surgiu um cara chamado Roger Corman. Conhecido como o Rei dos Filmes B, ele estabeleceu alguns parâmetros básicos na produção desse tipo de longa, como gravações em um curto espaço de tempo e aproveitamento de cenários de outros filmes. Além de lançar um gênero, seus filmes revelaram talentos como Vincent Price, Robert DeNiro e Jack Nicholson. Além disso, nomes como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e Joe Dante co-dirigiram suas películas.

Apesar dos cortes de gastos evidentes, seu primeiro filme, Monster From the Ocean Floor, faturou dez vezes mais que os 11 mil dólares de seu custo de produção. Embalado pelo bom desempenho, dirigiu várias películas de ficção científica na mesma década, para depois, nos anos 60 dedicar-se às fitas de horror. Em 1971, aposentou a carreira de diretor, retomada apenas uma única vez, em 1990, no comando de Frankenstein, O Monstro das Trevas.

Pitada erótica

Foto: Divulgação/ Imdb

A sensualidade roubou a cena no longa De volta ao Vale das Bonecas

Se Corman é o pai dos filmes B, Russ Meyer pode ser considerado uma espécie de tio tarado. Além de introduzir o erotismo ao gênero, não economizou no catchup e nas vísceras em seus sets. Atrizes de seios avantajados e saltitantes, duplo sentido e sangue falso não podiam faltar em seus filmes. Dizem que serviu como grande influência para as pornochanchadas brasileiras.

Um dos melhores momentos de sua carreira foi em 1976 quando realizou a obra UP!. O filme é narrado por uma garota (nua, é claro), e se desenvolve em cima da morte de um ditador alemão chamado Adolf Schwartz. Entre seus títulos hilários estão: Wild Gals of the Naked West (1962), Motor Psycho (1965), Mondo Topless (1966) e Beyond the Valley of the Dolls (1970), o único produzido em um grande estúdio.

O mais trash

Edward Davis Wood Jr, mais conhecido como Ed Wood se destacou por enfrentar limitações técnicas e financeiras com criatividade. Apesar de se levar a sério, foi considerado por muitos críticos o pior cineasta de todos os tempos (sua biografia pode ser assistida no longa Ed Wood, de Tim Burton, com Johnny Depp). Para sua felicidade póstuma, caiu nas graças dos descolados de hoje, devido a um certo ar humorístico e surreal de suas obras, que rendeu-lhe uma considerável legião de fãs. Além disso, apresenta outro feito cinematográfico: foi responsável pelos últimos filmes de Bela Lugosi, o célebre intérprete do Conde Drácula, de quem o diretor era um grande admirador.

Zumbis à solta

Se você ver um morto-vivo andando por aí, pode colocar à culpa em George Romero. Se não bastassem títulos como A Noite dos Mortos-Vivos, Despertar dos Mortos e O Dia dos Mortos, o diretor apostou em remakes de sua obra recentemente, lançando Terra dos Mortos em 2005. O longa deliciou os fãs do gênero, assim como o relançamento do Dia dos Mortos, em 2007 (o que nos leva a pensar que o pré-requisito para seus filmes é possuir a palavra mortos no título). Seja como for, os admiradores de zumbis podem esperar uma continuação de Dia dos Mortos nos próximos três anos. Protejam seus cérebros!


 Clássicos imperdíveis
A Noite dos Mortos-Vivos (1968) - George Romero: sem nenhuma explicação, os mortos saem das sepulturas e passam a devorar os vivos. Um grupo de pessoas se abriga na casa de uma fazenda isolada e tenta resistir ao ataque. Custou pouco mais de 100 mil dólares e é referência máxima para todos os filmes de zumbis.
Plano 9 do Espaço Sideral (1958) -  Ed Wood: Uma dupla de alienígenas, irritada com a Terra, faz sua base em um cemitério da Califórnia, para colocar em ação o "Plano 9": a criação de um exército de zumbis em marcha para conquistar as capitais do mundo.
A Morte do Demônio (1981) - Sam Raimi: Cinco amigos viajam para uma cabana no meio da floresta em busca de diversão, mas acabam encontrando o Livro dos Mortos - Necronomicon - e libertando o Demônio. Se tornam seres do mal, um a um. Do mesmo diretor de Homem-Aranha.
Museu de Cera (1953) - Stanley Fleischer: Henry Jarrod é um escultor que faz imagens para o seu museu de cera. Luta com seu sócio, Matthew Burke, quando este começa a incendiar o museu para receber US$ 25 mil do seguro. Tenta detê-lo, mas morre no meio das chamas. Pouco tempo depois, aparece um ser disforme na trama. Adivinha quem é?
Sombras do Terror (1963) - Roger Corman: Soldado se impressiona com a beleza de uma mulher que encontra andando pela praia. Sai a sua procura e vai parar no sombrio castelo de um barão. Lá, descobre que a mulher que procura foi a esposa do barão, morta há muitos anos.
De Volta ao Vale das Bonecas (1970) - Russ Meyer: Considerado um clássico da cultura sensual, o filme traz as irresistíveis Helly, Casey e Pet, que formaram uma banda de rock e partem rumo à Hollywood. Graças à tia bem relacionada de Kelly, elas logo se vêem numa festa de amor hedonístico dada pelo excêntrico promotor musical Ronnie "Z-Man" Barzell. Ele torna-se protetor das garotas, e um mundo novo de sexo, drogas e rock´n´roll se abre aos seus pés.

Atualizado em 6 Set 2011.

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