Guia da Semana

“Um Namorado Para Minha Mulher”: comédia romântica estreia em setembro nos cinemas

Filme traz no elenco Ingrid Guimarães, Caco Ciocler e Domingos Montagner

Existe uma onda de comédias românticas despontando no cinema nacional nos últimos anos – não exatamente seguindo o formato hollywoodiano, nem totalmente reforçando os clichês brasileiros, mas algo no meio. E melhor. Algo que mistura o entretenimento leve de uma telenovela vespertina a uma agilidade de cinema e uma crônica comportamental própria de seus criadores. “Um Namorado Para Minha Mulher”, de Júlia Rezende, é o representante mais recente dessa tendência.

Rezende, aliás, é uma das responsáveis pelo bom momento do gênero: seu “Ponte Aérea” foi um dos melhores romances comerciais dos últimos anos, perdendo apenas para “De Onde Eu Te Vejo”, de Luiz Villaça, e “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, de Daniel Ribeiro (este último, passando longe da comédia). Não que “Um Namorado Para Minha Mulher” seja seu melhor trabalho, mas, como as comédias “Meu Passado Me Condena” e “Meu Passado Me Condena 2”, também dela, o filme consegue divertir bastante sem ofender a inteligência do espectador.

Sobre o que é?

O longa é um remake da comédia argentina “Un Novio Para Mi Mujer” (2008), de Juan Taratuto. Como o nome sugere, a história acompanha Chico (Caco Ciocler), um homem que quer se separar, mas não tem coragem de abordar o assunto com a esposa, Nena (Ingrid Guimarães). Pressionado pelos amigos, ele recorre à ajuda de um especialista em sedução, o Corvo (Domingos Montagner), que terá a missão de roubar o coração da mulher para que ela peça o divórcio.

Isso não vai dar certo...

Não mesmo. No final das contas, a personagem de Ingrid só estava numa fase ruim porque não estava trabalhando e se sentia impotente, o que muda assim que ela consegue um novo emprego. Aí, o maridão se arrepende do acordo, mas já é tarde demais. Não porque ela se apaixonou pelo canastrão do Corvo, mas porque percebeu que vivia com alguém que não a valorizava.

O interessante neste filme não é a linha principal da história, mas sim tudo o que acontece em torno dela e o que ela representa. Primeiro, repare que Chico só toma uma atitude para ajudar a esposa quando isso se mostra interessante para ele (ele precisa que ela tenha uma rotina fora de casa para que o Corvo faça seu trabalho, por isso procura um emprego para ela). Como marido, ele nunca pensou que ela precisasse de sua ajuda. Que tipo de casamento é esse?

Outro ponto que merece atenção é o novo emprego de Nena: quase acidentalmente, ela se torna uma apresentadora num programa de Youtube – coisa que repudiava – junto de um amigo, interpretado por Paulo Vilhena. Ela é jornalista, mas o que realmente faz sucesso é sua postura negativa sobre quase tudo: ela reclama das roupas do colega, de pessoas que falam de signos, de dietas da moda... E ser autêntico, mesmo que de uma forma grosseira, é garantia de fama na internet. A atriz, aliás, está excelente no papel .

A hora e a vez de Domingos Montagner

O ator que vive o “Corvo” não poderia estar num momento melhor da carreira: Montagner esteve recentemente nos cinemas com “De Onde Eu Te Vejo” e “Vidas Partidas” e conquistou o público ao estrelar a novela “Velho Chico”, na Globo. Em “Um Namorado Para Minha Mulher”, ele mostra um lado mais caricato, desfilando uma peruca horrenda e cantadas baratas numa versão meio cigana de um Don Juan. Sua presença é curiosa e rende algumas risadas, mas não é o melhor do filme.

Atração entre opostos

Nena é, de longe, a personagem mais “de carne e osso” do filme: ela tem dias bons e ruins, sua amargura é natural, mas também se equilibra com uma jovialidade nas roupas e ideias, e com um controle inabalável sobre a própria vida (mesmo quando está sendo manipulada). O problema é que ela não tem um parceiro à altura – mesmo que não seja a mais simpática das mulheres, é difícil entender o que a mantém perto do passivo e acomodado Chico.

Como nos outros filmes da diretora, este também traz uma visão do masculino e do feminino um pouco estereotipada: suas protagonistas sempre são mais intelectuais que seus companheiros e eles, passionais e ingênuos. Aqui, porém, o elemento “paixão” parece ter escapado para o lado feminino, deixando Chico com muito pouco a oferecer além de estabilidade para sua mulher ou para o espectador. 

Atualizado em 2 Set 2016.

Por Juliana Varella
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