Guia da Semana

Uma outra favela

Lúcia Murat, Vinícius D´Black e Cristina Lage falam sobre o musical que mostra as comunidades de uma forma diferente

Vinícius D´Black, Lúcia Murat e Cristina Lage nos bastidores de Maré, Nossa História de Amor.

Apesar de focar em seus filmes principalmente a violência, a cineasta Lúcia Murat teve formação inicial no balê clássico e sempre sonhou em fazer um musical. Ao ver uma apresentação de dança com meninos de uma favela, percebeu que poderia juntar as duas coisas. O resultado é Maré, Nossa História de Amor, inspirado em Romeu e Julieta e protagonizado por Vinícius D´Black e Cristina Lago. A diretora e os atores falaram com exclusividade ao Guia da Semana sobre a produção do longa-metragem.

Um dos elementos que permitiu que o filme fosse feito desta forma foi a direção de arte de Gringo Cardia. "O Gringo fez um trabalho que me permitia ir da fantasia para a realidade, utilizando só elementos da favela", diz Lúcia. Mesmo sem o país ter tradição em musicais, a cineasta tentou fazer algo bastante brasileiro, usando muitos elementos da cultura popular, como o hip hop e o grafite. Para isso, foi fundamental que o filme trabalhasse principalmente com os moradores das comunidades, seja da própria Maré ou de outras com o mesmo perfil.

No início foram feito testes com mais de 500 bailarinos de grupos de danças das comunidades, para um total de 32 selecionados para o corpo do baile, treinados com rigor pela coreógrafa Graciela Figueroa. Cantor, D´Black foi fazer o teste para tentar divulgar sua arte. Mesmo sem se considerar um bom dançarino, passou e, quando soube que precisavam de um cantor como protagonista, percebeu que ali estava a sua grande chance. Foi quando Lúcia lhe deu três meses de ensaio para mostrar que podia dar ao filme o Jonathan que ela desejava.

Para Cristina foi bem diferente. Analídia, sua personagem, era negra, então ela não tinha chances de interpretá-la. Porém, ela revela que "depois de três meses de ensaio eu resolvi fazer trancinhas afro no meu cabelo e a Lúcia viu que eu podia ter um visual diferente". Mas o problema não era apenas este, ao contrário de D´Black, que é de uma comunidade, a atriz nem mesmo é do Rio de Janeiro, mas paranaense. Assim, ela aproveitou ao máximo a proximidade com os jovens nos ensaios, chegando a dormir na casa de uma delas, na favela, para sentir o dia-a-dia. Além disso, assistiu a todos os filmes que pôde e leu muito sobre o tema.

A experiência deste primeiro filme foi fundamental na carreira dos dois. Ao mesmo tempo em que trabalharam com outros iniciantes, contracenaram com artistas como Marisa Orth, Elisa Lucinda e Flávio Bauraqui, que puderam dar muitas dicas à dupla. Como havia muitos não-atores, Lúcia decidiu não ter um roteiro fechado, trabalhando com o improviso, o que chegou a assustar um pouco os mais experientes, mas sem grandes problemas. Vinícius mesmo revela hoje que, com seu conhecimento maior nas técnicas de interpretação, não sabe dizer como fez algumas das cenas do filme. Resultado da naturalidade de quem tinha pouca experiência.

Mas não era apenas representar, eles também cantaram e dançaram muito no filme de estréia. "Tinha que ter uma concentração absurda porque é muita gente no set, são muitas coreografias, e tinha muita coisa que a gente terminava de fechar na hora", afirma Cristina. As músicas foram escolhidas naturalmente, pela familiaridade com o tema. Exceto pelo coro, representado pelo grupo de hip hop Nação Maré, que recebeu o roteiro antes para compor sua participação, que foi filmada por último.

Os cenários do filme foram feitos em favela, mas pouca coisa é mesmo na Maré. Lúcia revela que na época das filmagens o local era do Comando Vermelho, mas foi invadido pelas milícias. Porém, a equipe não teve nenhum problema. A maior parte das cenas, no entanto, foi feita em Rio das Pedras ou em Tavares Bastos, mesma favela em que foi filmado O Incrível Hulk. A diretora atenta a um detalhe na comunidade: pela falta de opções de lazer na região, as filmagens viravam um espetáculo para os moradores. "Quando terminava um take eles batiam palma, como se fosse um teatro a céu aberto", revela.

Com a quantidade de filmes sobre o tema, e o próprio fato de ser um musical, a idéia de Lúcia era que Maré, Nossa História de Amor mostrasse algo mais sobre a favela. Ela acredita que ele mostra que lá há muita gente com talento, que canta e dança muito bem. D´Black resume que o longa "é de uma outra linha, mais poética, mais lírica, com uma visão menos chapada do que é a comunidade, menos violenta". Já Cristina lembra o encanto que causou no Festival de Berlim. Ela afirma que os estrangeiros ficaram impressionados com a energia do filme e dos atores.

Por ser seu primeiro trabalho no cinema, a atriz revela: "fiquei chocada quando vi o filme, porque é muito difícil separar tudo o que você viveu no set de filmagem e assistir, não conseguia juntar o filme", mas revela que está apaixonada pelo resultado final. Em breve, ela também deve estrear Olhos Azuis, de José Joffily, e se dedicar ao máximo ao trabalho de atriz. Depois de terminar de gravar a novela Dance, Dance, Dance, D´Black também quer continuar na carreira, mas por enquanto sua prioridade é o CD Sem Ar, que está lançando pela Universal. Já Lúcia Murat, que lançou os dois artistas, agora só pensa em tirar férias.

Atualizado em 6 Set 2011.

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