Guia da Semana

“Walt nos Bastidores de Mary Poppins” é a essência da experiência Disney

História da adaptação do livro é narrada com otimismo e leveza em emocionante trama sentimental

Nada poderia ser mais “Disney” do que um filme sobre um dos maiores clássicos da casa: Mary Poppins. “Walt nos Bastidores de Mary Poppins” chega aos cinemas no dia 7 de março, trazendo consigo a nostalgia do guarda-chuva falante e dos pinguins animados.

+ Confira salas e horários para assistir ao filme
+ Veja os indicados ao Oscar 2014
+ Conheça as estreias do Oscar que você não pode perder

Apesar do título em português, o filme não busca a realidade por trás das câmeras, mas cria uma nova fantasia ao redor das experiências que levaram a autora P. L. Travers a escrever seu romance – e a recusar por 20 anos as propostas de Walt Disney para filmá-lo.

Ao contrário, também, do que informa o título nacional (o original é “Saving Mr. Banks”, ou “salvando o Sr. Banks”), o filme de John Lee Hancock não mira seus holofotes em Walt, mas sim em Travers, a teimosa escritora inglesa que se revela australiana e cujo pai (Colin Farrell) é lembrado como uma versão fracassada do magnata das animações.

Tom Hanks, do lado oposto da mesa de negociações, é Walt Disney – o próprio. Com as vendas dos livros de Travers caindo, o empresário finalmente consegue convencer a autora a encontrá-lo na Califórnia, para conhecer os planos para o filme e aprovar o projeto.

É nos estúdios em Burbank que conhecemos o brilhante elenco de apoio: Bradley Whitford, no papel do roteirista Don DaGradi; B. J. Novak e Jason Schwartzman como os irmãos Sherman (dupla de músicos que criou a impronunciável “Supercalifragilisticexpialidocious”); e Paul Giamatti, que adiciona camadas de simpatia ao conjunto como o motorista Ralph. 

“Não vou deixar que você a transforme num de seus cartoons bobos”, é a resposta imediata de Travers, através dos olhos arregalados de Emma Thompson. A atriz fecha a cara, esconde os sentimentos e acelera o passo, encarnando a personagem com propriedade. Para autenticar a fama de “difícil” da escritora, o diretor nos presenteia com uma imperdível cena pós-créditos, contendo um áudio original.

Hancock faz com “Walt” o que fez com “Um Sonho Possível” em 2009: transforma uma história dramática real numa série de lições de vida carregadas de esperança e positividade. Se, na realidade, o pai de Travers foi um bêbado sem qualquer futuro, no filme seu lado brincalhão prevalece e se materializa, anos depois, nas cenas cuidadosamente musicadas e coloridas da Disney.

Os traumas se diluem em personagens, projetados na tela ou em carne e osso, enquanto os dois artistas incorporam suas exageradas personas públicas – uma fechada, outra extrovertida. É verdade que o Disney de Hanks talvez tenha pouco de realidade. Como acusou a atriz Meryl Streep recentemente, o empresário provavelmente estava mais próximo de ser tirânico, sexista e até antissemita, do que caloroso e amável como mostra o filme.

Há duas razões para essa diferença – uma óbvia, outra nem tanto. A primeira é que o longa é produzido pelos estúdios Walt Disney e manchar a imagem de seu criador seria, no mínimo, inesperado. A segunda é que, mais uma vez, esta história não pretende ser real. É uma fantasia – tão ficcional quando a própria Mary Poppins – inspirada por uma personagem de carne e osso, que foi P. L. Travers. Walt é um coadjuvante, um símbolo, alguém que personifica os ideais da marca e contrapõe a sisudez de sua convidada, injetando leveza e bom humor àquela história cheia de mágoas.

Como ele, nem mesmo um camundongo de pelúcia aparece gratuitamente neste filme. Tudo é simbólico e cuidadosamente equilibrado, para nos levar àquele familiar encerramento gracioso, perfeito e especialmente catártico. Tipicamente “Disney”.

Assista se você:

- É fã da Walt Disney
- Quer ver uma grande atuação feminina (de Emma Thompson)
- Gosta de Mary Poppins (o livro ou o filme)

Não assista se você:

- Procura uma história totalmente fiel à realidade
- Não gosta do "estilo Disney" (otimista, melodramático, etc)
- Não gosta de musicais (apesar de não ser um musical em si, o filme tem diversos números musicais) 

Atualizado em 6 Mar 2014.

Por Juliana Varella
Compartilhe

Comentários

Outras notícias recomendadas

“It”: terror baseado em obra de Stephen King ganha trailer sinistro

Filme com ator de Stranger Things estreia em setembro nos cinemas

“A Vigilante do Amanhã – Ghost in the Shell”: tudo o que você precisa saber sobre o filme que estreia nesta quinta

Longa com Scarlett Johansson é um espetáculo visual e um remake fiel – mas as discussões filosóficas já não impressionam mais

Novo trailer de “Valerian e A Cidade dos Mil Planetas” mostra a exuberância de seu universo fantástico

Filme de Luc Besson chega aos cinemas no dia 10 de agosto

Infância de Pharrell Williams será retratada em musical de Hollywood

"Atlantis" terá produção da FOX e direção de Michael Mayer

12 Filmes, séries e mangás de ficção científica para conhecer depois de “A Vigilante do Amanhã”

Obras como “Matrix” e “Paprika” dialogam diretamente com os temas do filme com Scarlett Johansson

Novo trailer de "Homem-Aranha: De Volta ao Lar" mostra cena estrelada pelos Vingadores

Nova fase do herói nas telonas estreia no dia 6 de julho