Guia da Semana

Watchmen: cada vez mais perto

Zack Snyder fala novamente com o Guia da Semana sobre um dos filmes mais aguardados de 2009

Los Angeles


Zack Snyder criou muitos inimigos no mundo virtual. Na era do "qualquer um pode ter opinião e brigar por ela na internet", o diretor de Madrugada dos Mortos e 300 é um dos maiores sacos de pancada de grupos fanáticos por quadrinhos, que o hostilizam por conta da adaptação da graphic novel Watchmen para os cinemas. Não fosse suficiente, Snyder ainda precisou ver seu trabalho quase entrar pelo cano, quando a Warner e a 20th Century Fox começaram a discutir o futuro do longa-metragem nos tribunais.

Mas ele sabe que tudo isso não passa de um detalhe, integrante da complexa estrutura necessária para transpor a obra de Alan Moore para as telas. Sempre seguro, capaz de responder qualquer pergunta e certo de que fez o melhor possível, Snyder falou com o correspondente do Guia da Semana, em Los Angeles, em uma conversa na qual tranquiliza os fãs da HQ, revela segredos e explica suas decisões como diretor. Confira!

Então o filme está pronto?
Zack Snyder:
Diria que 99,9% pronto. Estou finalizando algumas partes técnicas e de som, mas tudo está praticamente definido.

Você chegou a pensar que Watchmen era "infilmável"?
Zack Snyder:
Felizmente, isso nunca passou pela minha mente. Já sabia muito sobre o livro, estava informado sobre as tentativas de adaptá-lo, mas nunca pensei nisso. O que é uma coisa boa, afinal, sempre procurei caminhos e não obstáculos. Estava mais preocupado com a propriedade em si e em como transformaríamos tudo isso num filme. Uma coisa interessante é que quando recebi o roteiro, tudo estava completamente diferente. Tudo era datado. A idéia era fazer algo sobre a "guerra ao terrorismo", num filme PG-13, não tinha nada a ver com o livro. E para piorar, o estúdio ainda queria algo com possibilidade para uma continuação.

Sério? Que absurdo...
Zack Snyder:
Eles não davam a mínina para a graphic novel. Ainda bem que tinha gente ali, como por exemplo, o Larry Gordon - que tem os direitos de Watchmen há 20 anos -, insistindo para que todos a lessem. Houve um período de educação para todos os envolvidos na história. Em Hollywood, tudo gira em torno do roteiro. Ninguém dá muita bola para o que pode ter gerado aquele roteiro. Por isso que, quando li, a primeira coisa que pensei foi: isso não tem nada a ver. Felizmente, por conta desse processo, o estúdio aprendeu sobre Watchmen e passaram a entender o que tinham nas mãos. Levei o roteiro para o Canadá e comecei a fazer alguns storyboards, sempre seguindo a graphic novel religiosamente. No fim das contas, tinha um roteiro de 165 páginas para começar a filmar. Nesse período, reposicionei o filme em 1985, garanti que teria censura para maiores de 18 anos. Sou totalmente contra essa tendência de criar filmes para adultos, mas retirar as tecnicalidades nojentas ou excessivas, para que ele possa ter censura para 13 anos. Não há idéia alguma para crianças nesse filme, então para que forçar a barra? O fato de não cortarmos a cabeça de ninguém não faz com que o filme seja censura livre.

Pensando nesse aspecto, como a cena de sexo pode ser definida?
Zack Snyder:
Bem, a cena de sexo é realmente sexy. Temos duas cenas de amor entre Dan e Laurie. Na verdade, a primeira termina em broxada e a outra dentro da Owlship, que dá certo (risos). É sexy, mas também é irônica, sabe. Afinal de contas, temos dois super-heróis, dentro de uma p#@% de uma aeronave flutuando sobre Nova Iorque e tudo acontece da maneira mais fetichista possível (risos). E eles ficam excitados por terem salvado um bando de gente de um incêndio. Fiz de tudo para não fugir disso e tem mais, foi até meio de propósito. Mas depois disso, aposto que todo mundo vai ver um filme de super-heróis e pensar "aposto que esses caras estão excitados agora!" (gargalhadas). A graphic novel deixa óbvio que o "resgate" faz, às vezes de preliminares para esses heróis. Ao meu ver, fugir desses conceitos seria como trair o conteúdo original. Quando mostrei o filme para o estúdio, eles disseram: "mas que coisa é essa!" (gargalhadas), pois é muito doido. Espero que a cultura pop tenha interesse em assimilar tais situações, mesmo sendo clichês.

O que a adaptação de Watchmen representa para o futuro dos filmes de super-heróis? Será que vai acabar com a graça dos outros?
Zack Snyder:
Acho que aqueles filmes animadinhos, com censura livre - Quarteto Fantástico, por exemplo - vão continuar existindo, mas devem torcer para que os espectadores não assistam Watchmen antes da próxima safra (gargalhadas). Há uma linha fina entre o cômico e o sério, que a graphic novel traça maravilhosamente bem. Tudo tem a ver com aquela relação entre sátira, drama e humor irônico, que sempre te deixa incerto sobre o tipo de filme que realmente é. Você pode escolher ver pela ótica do sujeito que tem ódio de super-heróis, ou pode levar a história totalmente a sério, vale tudo. O melhor é que tudo isso não significa absolutamente nada! É aquela história do "O que aconteceu ao sonho americano? Ele se tornou realidade, você está olhando para ele". É isso! (risos).

O fato de tantos filmes sobre super-heróis terem estreado na última década melhora as perspectivas para Watchmen?
Zack Snyder:
Acho que o público está mais educado no gênero. Realmente espero que os espectadores possam ler nas entrelinhas e ver que essa é toda a mitologia de uma geração, que é um filme gerado pela e para a cultura pop. Que toda aquela coisa violenta e sexual aborda a iconografia da mitologia dos super-heróis. O fato de dois deles fazerem sexo dentro da Owlship faz parte disso, nada é gratuito. Faz sentido nesse universo.

Mas, ao mesmo tempo, a Lula Gigante foi excluída.
Zack Snyder:
É aquela coisa... O fim do filme é representado pelo ato de Adrian chantagear ou enganar os Estados Unidos e a Rússia, evitando o holocausto atômico, forçar o Dr. Manhattan a abandonar o planeta e colocar aqueles personagens num xeque-mate moral, no qual não podem revelar que ele é o responsável pela morte de milhões de pessoas. Isso é o filme para mim. Foi isso que vendemos para o estúdio, aliás (risos).

Teve algum trecho realmente alterado pela Warner? Houve muita pressão para reduzir a duração do filme?
Zack Snyder:
Olha, preciso defender a Warner nesse ponto. Fomos muito parceiros e precisei jogar em equipe, especialmente na questão da duração. Ficou em 2h37, mas existe a versão com 3h, que é animal! (risos). Estará no DVD e também existem conversas a respeito da possibilidade de exibirmos essa versão nos cinemas, perto do lançamento, com a "versão do diretor". Como finalizei esse corte de maneira integral, ele também poderá ser exibido.

Chegou a pensar em falar com Alan Moore e tentar trazê-lo para o projeto?
Zack Snyder:
Antes de eu entrar no projeto, foi clara a frase "não fale comigo". Nem tentei.

Só confirmando. Sem continuações, certo?
Zack Snyder:
Sem dúvida!

E a seqüência de 300?
Zack Snyder:
Vamos ver o que Frank vai escrever. Tudo depende dele (risos).

Leia as matérias anteriores do nosso correspondente:

  • Encontro Notável: Gollum e Capricórnio

  • Keanu Reeves: o novo Klaatu

  • John Lasseter: o salvador da Disney


    Quem é o colunista: Fábio M. Barreto adora escrever, não dispensa uma noitada na frente do vídeo game e é apaixonado pela filha, Ariel. Entre suas esquisitices prediletas está o fanatismo por Guerra nas Estrelas e uma medalha de ouro como Campeão Paulista Universitário de Arco e Flecha.

    O que faz: Jornalista profissional há 12 anos, correspondente internacional em Los Angeles, crítico de cinema e vivendo o grande sonho de cobrir o mundo do entretenimento em Hollywood.

    Pecado gastronômico: Morango com Creme de Leite! Diretamente do Olimpo!

    Melhor lugar do Brasil: There´s no place like home. Onde quer que seja, nosso lar é sempre o melhor lugar.


  • Atualizado em 6 Set 2011.

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