Celulite facial

Bem diferente dos buraquinhos no bumbum, a celulite facial é uma infecção bacteriana que pode causar conseqüências graves caso não haja tratamento adequado

Última publicação: 11/03/2014


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A cantora Maria Bethânia foi obrigada a se afastar dos palcos em 2007. O motivo parece simples: celulite. A palavra, que é o terror do bumbum de qualquer mulher, também dá nome a uma doença na face.

A celulite facial existe, com algumas diferenças daquela que todos conhecem. O mesmo nome se explica pelo fato de ambas as doenças atacarem os mesmos tecidos de gordura, porém de formas bem diferentes.

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A denominação, na verdade, significa inflamação celular, uma infecção aguda na derme e tecido celular subcutâneo da pele, ou seja, nas camadas mais profundas. Ela pode ser causada por diversas bactérias, sendo o estreptococo uma das principais, de acordo com a dermatologista Rebeca Maffra. Além dele, há também o estafilococo, hemófilos (atacam recém-nascidos) e pseudomonas (atacam idosos).



As bactérias que causam o problema são as gran-positivas e possuem esse nome por causa da coloração que recebem quando analisadas no microscópio. A face, porém, é um dos locais menos atingidos pela infecção, que acomete principalmente as pernas e braços, além de poder se espalhar pelo corpo todo.

Entendendo a diferença

A "celulite" estética é cientificamente conhecida como lipodistrofia ginóide (Fibro Edema Gelóide - FEG). Ela também afeta o tecido celular subcutâneo, mas tem causas, sintomas e gravidade totalmente diferentes da verdadeira celulite, que é a doença causada por microorganismos. Portanto, as pessoas não devem confundir a celulite infecciosa com a ginóide, popularmente conhecida como "celulite". 

Ao invés dos furinhos indesejáveis, os sintomas são vermelhidão, inchaço, dor e aumento da temperatura no local atingido. Os casos mais graves podem apresentar bolhas e esquimoses (pontos vermelhos). Os infectados podem também ter complicações como febre, calafrios, mal estar e dor de cabeça. 

"Celulite é um termo errado para esse distúrbio. Ela é, na verdade, inflamação de células. Pode ser de gordura, de tecido da pele, de osso, enfim, quando existe uma inflamação de célula, chamamos celulite. Enquanto Fibro Edema Gelóide, ela pode ser tratada como alteração estética. Já a inflamação deve ser cuidada como uma patologia, onde médicos especializados - dermatologistas - devem ser consultados", ressalta a fisioterapeuta dermato-funcional Fátima Pazos.



Alguns tipos de lesões na pele, como micoses, queimaduras e arranhões favorecem a penetração de bactérias e podem ter a doença mais facilmente. ,Outros grupos com predisposição são os pacientes idosos, diabéticos e imunossuprimidos.

De qualquer forma, a celulite facial é mais comum em recém-nascidos e crianças. Nelas, além de todas as complicações comuns da doença, podem ocorrer seqüelas neurológicas. Apesar disso, a incidência é maior no corpo, atingindo principalmente crianças de três meses a três anos, independente do sexo. 

Quando o problema acomete a face, torna-se maior, podendo causar meningite e lesões nos olhos. De acordo com a dermatologista Karen Azevedo, o paciente pode precisar, inclusive, de internação. "As complicações também são bem graves, como por exemplo, a disseminação da infecção. Na perna, em geral, é mais branda e responde melhor a um antibiótico oral e, na maioria das vezes, não precisa de internação", explica.

Caso o paciente não seja tratado corretamente, com os antibióticos prescritos pelo médico, repouso e mantendo a área afetada elevada, a doença pode se disseminar para tecidos e órgãos adjacentes, evoluindo para a sépsis (infecção generalizada), gangrena e, em casos raros, até para o óbito.

A celulite não é contagiosa, mas pode deixar algumas seqüelas como manchas, linfedema (um inchaço permanente pelo dano causado ao sistema de drenagem linfática do local) e cicatrizes. O lugar que foi atingido também fica com um aspecto de casca de laranja, segundo o dermatologista Jardis Volpe. 

Para evitar a celulite facial, o jeito é prevenir as portas de entrada das bactérias na pele, mantendo os machucados limpos. Essas portas podem ser feridas, cortes, micoses e até manipulação de lesões cutâneas, como espinhas.

Os antibióticos devem ser tomados via oral ou endovenosa e o princípio ativo é a penicilina. No caso de acometimento facial, o melhor é injetar o remédio. O tratamento dura cerca de 10 a 14 dias, incluindo não fazer movimentos bruscos e não se expor ao sol.


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